Estudos sobre o Evangelho de Mateus – Parte 36: Jesus é Alento na Dor, Libertação do Sofrimento e Pão para a Vida – Mt 15,29-31

Por Hermes Fernandes

Conforme vimos anteriormente, Jesus manifesta seu amor e exerce sua ação messiânica não somente às ovelhas de Israel. Esta questão da universalidade da ação messiânica de Jesus nos é introduzida no texto de mateano de 15,21-28; onde vemos relato do encontro de Jesus com a mulher Siro-Fenícia. Para ver nossa reflexão sobre essa perícope CLIQUE AQUI.

Hoje veremos a perícope de Mt 15,29-39.

29Saindo daí, Jesus foi para a margem do mar da Galileia, subiu a montanha e sentou-se. 30Numerosas multidões se aproximaram de Jesus, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou. 31As multidões ficaram admiradas, vendo que os mudos falavam, os aleijados saravam, os coxos andavam e os cegos viam. E glorificaram o Deus de Israel.

32Jesus chamou seus discípulos, e disse: “Tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo, e não tem nada para comer. Não quero mandá-los embora sem comer, para que não desmaiem pelo caminho.” 33Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, nesse deserto, tantos pães para matar a fome de tão grande multidão?” 34Jesus perguntou: “Quantos pães vocês têm?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos.”

35Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. 36Depois pegou os sete pães e os peixes, agradeceu, partiu-os, e ia dando aos discípulos, e os discípulos para as multidões. 37Todos comeram e ficaram satisfeitos. E encheram sete cestos com os pedaços que sobraram. 38Os que tinham comido eram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças. 39Tendo despedido as multidões, Jesus subiu na barca e foi para o território de Magadã.

Jesus é alento e libertação da dor

Jesus foi para a margem do mar da Galileia e subiu a montanha (v. 29). Como no sermão da montanha, ele se assenta (Mt 5,1). As multidões levam até Ele muitos coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes. A junção de quatro tipos de enfermidades aponta a ideia de totalidade (cf. Is 35,5-6). O povo está doente. O texto mateano apresenta Jesus curando a todos e todas (v. 30).

A injustiça reinante no tempo de Jesus (e no nosso), deixa o povo doente. Incapaz de buscar a vida. A comunidade leva as pessoas doentes até Jesus – Deus presente entre nós. No episódio da perícope sobre a qual nos debruçamos em estudo, Jesus está sobre a montanha, lugar onde habita Deus. Ali, o povo doente, considerado impuro, tem acesso. Muitas vezes, os doentes não eram bem vistos nas cidades. A sociedade do tempo de Jesus descartava os fracos, os doentes; tendo-os como indesejáveis. Desta vez, Jesus não ensina, como nos apresentou o sermão da montanha. Ele cura, colocando a justiça de Deus a serviço da vida. Trata-se do povo da Galileia, terra – também – de gentios. Mateus quer mostrar que, em Jesus, se realiza o tempo messiânico, profetizado nas promessas proféticas do Primeiro Testamento. Em Jesus está a salvação para todas as pessoas e em todos os lugares. Ele é verdadeiramente o instaurador do Reino (cf. Is 52,7). “As multidões ficaram admiradas, vendo que os mudos falavam, os aleijados ficavam curados, os coxos andavam e os cegos recuperavam a visão. E glorificam o Deus de Israel!” (Mt 15,31).

Nesta atitude da multidão, os discípulos de Jesus são chamados a reconhecer que o autor da libertação é Javé, o Deus da Promessa. Que envia seu Filho, a Promessa.

A Comunidade que Serve

“Jesus chamou os seus discípulos e disse: ‘tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo, e não tem nada para comer…'” (Mt 15,32). No texto mateano, se trata da segunda multiplicação dos pães. A primeira foi entre os judeus (Mt 14,13-21). Agora Ele está entre os gentios e, com eles, exerce a partilha. Todos, independentemente da raça, religião, sexo ou classe social; são filhos de Deus, chamados à liberdade e da vida. A comunidade dos seguidores de Jesus deve trabalhar para se concretize esse projeto.

Na primeira partilha dos pães, os discípulos tomaram a iniciativa. Agora é Jesus quem chama os discípulos e aponta o problema. Existem várias diferenças nesta multiplicação dos pães que nos chamam a atenção. Aqui não se trata de uma multidão faminta. É um povo que segue Jesus há três dias e está com fome. Os três dias podem ser uma referência à ressurreição de Jesus experimentada pelas comunidades.

Os sete pães são símbolos da Igreja dos gentios (cf. At 6,3). Deus quer alimentar a todos. Quem tem os pães e os peixes são discípulos. É a comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus que, com seu ensinamento e com sua partilha, vai saciar a todos. O milagre da partilha faz multiplicar! A raiz é a compaixão, a misericórdia – o amor de Deus em ação. Todos podem fazer milagres, basta se deixar tocar pelo povo que sofre e despertar em si o amor, a compaixão de Deus.

A maneira como Mateus relata o episódio da mulher cananéia (Siro-fenícia) e o destaque que ele dá à multiplicação dos pães em terras gentias têm um importante valor catequético para as comunidades. Tais relatos mostram como no Reino apresentado por Jesus todos têm acesso por causa de sua fé, de sua adesão à pessoa de Jesus e ao seu projeto.

Afinal, ser cristão e cristã não é isso mesmo?

(continua)

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