22º Domingo do Tempo Comum: Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos

“Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes.” (Eclo.3, 21)

Por Pe. Paulo Sérgio Silva [1]

Concluindo nossas celebrações no Mês Vocacional, somos convidados a rezar por todas as vocações leigas tendo especial atenção pela vocação dos(as) Catequistas. Os leigos que colaboram com a missão de anunciar o Evangelho possuem grandes dons, mas necessitam também de virtudes que os auxiliam em sua missão. Talvez por isto a Palavra de Deus deste domingo nos convide a refletir sobre valores que são necessários para anunciar e testemunhar a chegada do Reino de Deus: a humildade, a gratuidade, modéstia e a caridade.

Na primeira leitura (Eclo.3,19-21.30-31), o sábio autor do livro Eclesiástico, em tom paternal, aconselha a vivência da simplicidade e humildade. Para ele, estas sãoas qualidades fundamentais que o ser humano deve cultivar uma vez que a humildade sempre vem acompanhada da paciência e da gentileza, qualidades que se opõe a soberba de coração. Em suas palavras, o autor contrapõe ou compara a humildade com o orgulho. O orgulho é visto como erva daninha que ao criar raízes no coração humano o danifica e o leva a produzir amargura e maldade.  A humildade não se trata da atitude de considerar-se inferior ou indigno. Ser humilde é assumir com simplicidade o nosso lugar no mundo, colocar nossos dons a serviço com abnegação, simplicidade e amor. Em suma, todo aquele que vive a humildade há de alcançar a admiração dos seres humanos e a graça diante do Senhor.

A segunda leitura (Hb.12,18-19.22-24a)continuando sua catequese, o autor da Carta aos Hebreus faz uma comparação com a experiência de Deus que Israel fez no deserto do Monte Sinai e a experiência das comunidades com seu Filho, Jesus Cristo. Para o autor, a experiência de Israel no deserto, ainda que tenha tido a presença constante de Deus, foi marcada pelo medo que eles sentiam do divino.  Em Cristo o medo que levava a humanidade a afastar-se de Deus é enfim superado, pois a experiência do batismo ao realizar a filiação adotiva, promoveu uma aproximação nunca antes vivida entre o humano e o divino uma vez que marcou de modo indelével a alma de quem tornou-se cristão. E esta vida divina e a proximidade com Deus se manifestam quando cultivamos determinados valores como a abnegação e doação e praticamos as virtudes da humildade, do serviço,da simplicidade e do amor.

No Evangelho (Lc. 14,1.7-14), Jesus aproveita o contexto de um banquete frio na casa de um fariseu para ensinar sobre os valores necessários para nos tornar participantes do “banquete do Reino”. Sua atitude tem como intuito promover mudanças radicais naespiritualidade, mas também na convivência social e comunitária. Os momentos de refeição que deveriam ser locais privilegiados de unidade, afeto e partilha, se tornavam facilmente em um evento para se autopromover e crescer socialmente.  O mestre então apresenta ahumildade, a modéstia e a gratuidade na perspectiva de serem “ingressos ou convites” que nos abrem as portas do banquete do Reino de Deus. Neste banquete divino, odono da casa é Deus/Jesus Cristo; o local é o Reino de Deus; o Reino é abundância, logo todos são convidados; A mesa é o espaço para estreitar/fortalecer as relações de partilha. Não é um evento apenas para de alimentar-se, mas para alimentar o outro; é momento para viver a intimidade, reconhecendo o outro em seus projetos e sua dignidade. Em nossos encontros e relacionamentos, acolhemos com a caridade, o respeito e diálogo?

As parábolas narradas são uma recomendação da humildade e ao mesmo uma denúncia da lógica de ambição e da luta pelo poder que anulam as relações humanas. Jesus lembra que o amor gratuito e desinteressado é imitação do amor de Deus. A veracidade do amor gratuito é revelada pela pouca importância daqueles que Jesus sugere convidar: crianças, inimigos, marginalizados, enfermos (Mt. 25,31-46). Os convidados são parte da “opção preferencial pelos pobres”, isto é, aqueles que aos olhos do mundo não possuem valor ou dignidade e não poderão retribuir o gesto de cortesia. É preciso entender que Jesus não está proibindo amar parentes, amigos e vizinhos. Mas está reforçando aquilo que já havia ensinado anteriormente em Mt. 5,46 e Lc.5,32-35 quando disse: “se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis?”

Este evangelho de hoje é propicio para nos questionarmos. Em nossas ações pastorais: Quem e o que colocamos em primeiro lugar? São aqueles que possuem poder e influencia na sociedade? Ou aqueles que são esquecidos pelo mundo, mas são sempre lembrados por Deus?

Queremos ser convidados para este banquete? Sejamos humildes e nos coloquemos a serviço dos outros, assim como foi a vida de Jesus que veio para servir. Afinal ele mesmo afirmou: “quem quiser ser o maior, no meio de vós, seja aquele que serve” (Mc.10,42-45).

______
[1] Pe. Paulo Sérgio Silva
Paróquia Nossa Senhora da Conceição
Diocese de Crato – CE
Colaborou: www.diocesedecrato.org

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