Estudos sobre o Evangelho de Mateus – Parte 30: Parábola do Semeador – Mt 13,1-9

Por Hermes Fernandes

No Evangelho sobre o qual nos debruçamos em estudo, pela Parábola do Semeador, temos incrustrada no discurso de Jesus a advertência de que o anúncio da Boa Nova pode ser cheio de dificuldades. O Semeador, somos todos nós, chamados ao anúncio do Reino de Deus (cf. Mt 28,18-20). As várias dificuldades enfrentadas pela semente para germinar, são os desafios que o discipulado de Jesus nos apresenta. Algumas sementes se queimam e ficam estéreis. Outras são sufocadas. Porém, há aquelas que caem em terra boa. Estas germinam, gerando frutos (13,8).

Por esta analogia tão próxima ao cotidiano de seu povo, Jesus inaugura uma nova forma de magistério. O Templo, com seus mestres da Lei e com os Fariseus, tratava o povo como ignorante. A sabedoria rabínica colocava a condição de discípulo, tal qual a de um subalterno. A pedagogia de Jesus inaugura um novo paradigma. “Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia.” (Mt 13,1-2). Só nestes dois versículos percebemos a novidade do Mestre Galileu. A mensagem é anunciada junto ao povo, não exclusivamente nas sinagogas. Sabemos que a Galileia era formada, sobretudo, por pescadores – pessoas que viviam do chamado Mar da Galileia. A metáfora usada por Jesus, semeador e semente, também reflete essa novidade. Usa de valores do cotidiano. Sabemos que a agricultura também era uma ocupação comum para aquele povo obter seu sustento.

Inspirados pela perícope evangélica que estamos a estudar hoje, podemos inferir uma mensagem de confiança e sentirmo-nos – tal qual os discípulos e discípulas de Jesus – chamados ao anúncio da Boa Nova. Como dissemos antes, o semeador somos todos nós. Também somos, assemelhando-nos aos discípulos e discípulas do primeiro momento, chamados a anunciar um novo tempo, consoante com a vontade de nosso Deus. Neste sentido, devemos ter a coragem com a qual Javé inspirou os profetas e a perseverança do semeador que, mesmo sabendo das muitas dificuldades da semeadura, insiste até encontrar terra boa. A semente é o Reino de Deus. Justiça, Paz e Alegria; construídas através do amor que forma comunidades solidárias e fraternas. Que venha o teu Reino até nós, Senhor! Amém!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: