Catequese e Liturgia – Parte 14: Inclinar para Receber a Benção

É costume antigo bendizer a Deus por seu amor e sua bondade. Bendizer significa dar graças; dizer uma palavra amável reconhecendo a bondade das coisas, das pessoas etc. Daí vem o costume de benzer ou de dar a bênção.

Em primeiro lugar a bênção não é algo que se pede, nem que se dá; é algo que se é. Somos chamados a ser uma bênção para as pessoas. “Sê uma bênção”, diz o livro do Gênesis (12,2c). Somos, então, chamados a ser uma palavra bendita para o mundo; uma palavra que realiza o bem que diz. Assim, porque somos uma bênção, abençoamos. E, para ser ainda mais uma bênção para os que convivem conosco, pedimos a bênção dos nossos pais, padrinhos, avós etc. Pedir a bênção significa que queremos viver sob a guarda daquela pessoa que é uma bênção para nós; quer dizer que nossa vida será posta em conformidade com os valores mais nobres que ela nos transmite. Assim, acreditamos que quem é uma bênção tem bênção para repartir, tem algo a ensinar, tem valores nobres a confirmar, tem caminho seguro para indicar…

Em segundo lugar, a bênção é um ritual religioso. Porque Deus é a bênção por excelência, ou seja, aquele que é dom gratuito para todos, ele abençoa todos e todas as coisas. Quando pedimos a bênção de Deus, reconhecemos que ele é bênção para nossa vida e o bendizemos por isso. E, certamente, nos dispomos a acolher sua força para ser bênção também para todos que se aproximam de nós.

É nesse sentido que temos a bênção ao final da missa. O presidente da celebração invoca a bênção de Deus sobre a assembleia, ou seja, ele a abençoa, não em seu nome mas em nome de Deus. Reparemos que quem abençoa não diz: “Eu te abençoo”, mas “Abençoe-vos o Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo!”. Quem abençoa é Deus, pois ele é que é bondade pura, amor sem-fim, bênção absoluta. Só ele é a palavra bendita, ou seja, que realmente faz o que diz. E para que essa bênção ao final da celebração? Para invocar ainda mais a força de Deus pra gente voltar pra nossas casas, nosso cotidiano, e ser bênção para o mundo, como Deus é bênção para nós.

Ora, a bênção então é um gesto, um rito litúrgico, não uma mágica ou uma superstição. É um ritual que nos recorda que Deus, o bendito, está conosco nos fortalecendo para sermos bênção para todos. Com a força dele, somos capazes de abençoar o mundo, de transformá-lo, de fazê-lo mais fraterno… A bênção não muda a natureza das coisas ou das pessoas. Ela simplesmente diz o que as coisas e as pessoas já são: benditas!

Voltemos ao tema proposto. Faz sentido então inclinar-se ou ajoelhar-se para receber a bênção final na liturgia? Bom, não há nenhuma proibição de fazê-lo, que fique bem claro! Mas não há também nenhuma necessidade de fazê-lo. Bem ao contrário, o gesto de inclinar-se ou ajoelhar-se pode até deturpar o sentido original da bênção. Pode ficar parecendo que o presbítero é uma pessoa superior, que ele tem a bênção e, por isso, a dá. E não é isso! Também os leigos abençoam; os pais abençoam; os padrinhos abençoam, porque todos abençoam em nome de Deus. “Deus te abençoe!”, diz o pai ao filho ou a madrinha ao afilhado. Ao final da celebração eucarística, o padre diz como um pai aos seus filhos: “Abençoe-vos o Deus todo-poderoso…”. Como presidente da celebração, deseja que cada um volte para casa no firme propósito de ser bênção, como disse o Livro do Gênesis: “Sê uma bênção!” (12,2c).

Tomara Deus que os presbíteros orientem os fiéis a entenderem o sentido genuíno da bênção, evitando toda superstição e concepção mágica da mesma. Fica aí a dica!

Solange Maria do Carmo
Colaborou: Fique Firme

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