“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga” | Reflexão sobre Na 2,1 – 3,7 e Mt 16,24-28, sob a inspiração da Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior

Por Hermes Fernandes

Hoje a Igreja celebra a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, na Itália. Celebrar a dedicação de uma basílica, não significa o louvor à beleza de um templo. É muito mais que isso! O Povo de Deus, na oportunidade de celebrar a dedicação de um santuário, reconhece toda a história da Igreja de Jesus. Em nosso louvor estão os esforços dos missionários e missionárias, que comprometeram suas vidas com a evangelização. Celebramos o sangue dos mártires que deram suas vidas pelas causas do Reino. Reconhecemos que somos Igreja, Povo de Deus a caminho!

Vamos conhecer um pouco mais sobre a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior:

Depois do concílio de Éfeso (431), em que a Mãe de Jesus foi proclamada Mãe de Deus, o Papa Sixto III (432-440) erigiu em Roma, no monte Esquilino, uma basílica dedicada à Santa Mãe de Deus, chamada mais tarde Santa Maria Maior. É esta a mais antiga Igreja no Ocidente dedicada à Santíssima Virgem. Neste sentido, celebrar a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, é celebrar a Mãe de Jesus, Nossa Senhora e Mãe da Igreja. É celebrar a Imaculada, Maria de Deus, que acolhe Jesus. Acolhendo o Messias, na condição de mãe, torna-se partícipe do Mistério Soteriológico. Celebramos a vida da Igreja que tem em Maria a referência de primeira cristã.

Para bem celebrar este mistério, temos como textos sugeridos, a leitura do Livro do Profeta Naum 2,1.3;3,1-3.6-7 e o Evangelho de Mateus 16,24-28.

Na Primeira Leitura, temos o belíssimo texto de Naum em que se celebra aqueles que anunciam a paz. Também o Profeta Isaías faz esse louvor em 52,7. Este mensageiro da paz prefigura Jesus. O profeta Naum fala do fim da opressão. As promessas do Senhor de que seu povo há de celebrar alegremente a restauração da grandeza de Jacó, assim como, as grandezas de Israel, pondo fim em um tempo de sofrimento, onde “os ladrões os saquearam e devastaram suas videiras” (Na 2,3). Mais além, o profeta lança maldições sobre todos aqueles que geram sofrimento nos pobres e pequenos. “Ai de ti, cidade sanguinária, cheia de imposturas, cheia de espoliação e de incessante rapinagem. Estalo de chicotes, fragor de rodas, cavalos relinchando, ringir de carros impetuosos, cavaleiros à carga, espadas brilhando e lanças reluzentes, trucidados sem conta, mortos aos montes; cadáveres sem fim, tropeça-se sobre os corpos” (Na 3,1-3). Estes textos fortificam em nossos corações a certeza de que Deus fará justiça aos vilipendiados, aos explorados, aos que tiveram sua dignidade roubada. A profecia inicia com o elogio àquele que anuncia a paz, mensageiro de Deus, e conclui com maldições aos que atentam contra o povo de Deus, a quem Ele muito ama. Este povo teve em Naum um profeta que os animasse e defendesse. E, posteriormente, em Jesus, um salvador. E Maria, sua Santíssima Mãe, a tudo participou, guardando no silêncio do seu coração (cf. Lc 2, 19).

No Evangelho (Mt 16,24-28), Jesus fala da seriedade que deve ter o discípulo e discípula ao assumir o Evangelho. A radicalidade de suas palavras pode chocar. Porém, acompanhando a história da Igreja, veremos a relevância de suas provocações. Desde o primeiro século do caminhar cristão, muito sangue foi derramado. Mártires: homens, mulheres e crianças; foram até às últimas consequências por amor a Jesus e tudo o que Ele significa para a humanidade. Por isso, Ele deixa claro que devemos renunciar aos nossos valores, em preferência aos valores do Reino de Deus. “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga (Mt 16,24)Tomar nossa cruz no processo de seguimento de Jesus, é assumir a opção de ser mensageiros do Evangelho. Anunciando sempre o amor como critério de viver os valores de uma nova realidade, tendo como compromisso fundamental os empobrecidos, os últimos.

Neste sentido, salvar a própria vida (v. 25) significa apegar-se à falsa segurança do comodismo, do status quo, da busca incessante pelo lucro, conforme nos impõem as propostas de uma sociedade injusta e anti-evangélica. É sobre compromisso que Jesus nos fala hoje no Evangelho!

Celebrando a Dedicação da Basílica Santa Maria Maior, voltemos nosso olhar e coração, ao testemunho de nossa Mãezinha do Céu, que – com seu Sim – tornou possível que o Verbo se fizesse carne entre nós. Com isso, cumpriu em sua vida a profecia de Isaías, onde diz que “A Virgem conceberá e dará à luz um Filho. Ele será chamado: Deus conosco”. (Is 7,14). Que esse Jesus, Deus conosco, possa se tornar – por nosso anúncio e testemunho do Evangelho – Deus em nós! Que os nossos pés, sejam os pés do Mensageiro que anuncia a Paz! (cf. Is 52,7).

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