Tesouros, Pérolas, Vocação: O Seguimento de Jesus requer Compromisso e Ousadia! | Reflexão sobre Jr 15,10.16-21 e Mt 13,44-46

Por Hermes Fernandes

Estamos na Quarta-feira da 17ª Semana do Tempo Comum. Mais uma vez, aqui estamos reunidos ao redor da Palavra de Deus. A Liturgia de hoje nos sugere a leitura de Jr 15,10.16-21 e do Evangelho de Mt 13,44-46.

Na Primeira Leitura, temos o lamento de Jeremias presente no capítulo 15 de seu livro. Este lamento pode ser entendido como uma crise vocacional do profeta. Diante dos muitos problemas enfrentados pelo Povo de Deus e a árida missão do profeta, Jeremias se sentia um tanto angustiado. Nada que possa nos surpreender, pois a peleja não era fácil. Sentindo que Deus estava ausente, valia a pena continuar na missão de profeta? A Palavra de Javé lhe foi apresentada para que exortasse o povo à conversão. Jeremias viveu no século 7º aEC. Tempo em que a Babilônia ameaçava as nações do Oriente Médio, no desejo de subjugá-las. Este poder emergente irá resultar no lamentável episódio do exílio, que tanto estudamos em nossos círculos bíblicos. O Povo de Deus será expatriado e subjugado à condição de diáspora.

No contexto de Jeremias, os povos que não se aliaram à opressora Babilônia, organizavam-se em resistência com outras nações que se sentiam ameaçadas. Estas alianças se faziam perigosas ao Povo de Javé. Aqueles que confiavam nas armas estrangeiras contra a Babilônia, também se deixavam influenciar pelas divindades e costumes destes povos. Aos olhos de Jeremias, Israel deveria confiar em seu Senhor, Javé. Não em armas, costumes e deuses estrangeiros. Por isso, podemos entender que a perícope bíblica de hoje, da Primeira Leitura da Liturgia, é um lamento diante de tanta infidelidade do povo e de alguma incerteza, por parte do profeta.

Diante de tantos problemas, não é de se surpreender que Jeremias se sinta cansado face a alguns fracassos em mudar a mentalidade teimosa do povo. Às vezes, em meio aos opróbrios, nos sentimos abandonados. Mesmo que esse sentimento não seja, de fato, correspondente com a verdade. Javé sempre esteve ao lado de seu povo. Antes, hoje, sempre. Crises vocacionais podem ocorrer com todos e todas que se dispõem ao serviço de Deus. Por isso, é sempre bom ter no coração o conselho de Santa Clara de Assis: “Nunca perca seu ponto de partida!” Nunca se desvie do primeiro amor.

Temperando positivamente o tema abordado na Primeira Leitura, Jesus vem nos falar pelo Evangelho de Mateus de esperança, compromisso e confiança. Mt 13,44-46 fala do tesouro escondido e de pérolas preciosas. Estas são analogias perfeitas do Reino de Deus.

Não diferente de Jeremias, também nós encontramos momentos em que nos sentimos atribulados. Há dias em que amanhecemos sem vislumbrar uma fagulha sequer de luz, diante das trevas que se abatem sobre nós. Em meio a discursos de ódio, fome voltando a habitar os noticiários, direitos sociais sendo sucateados; não podemos negar que o desânimo que se abateu sobre o coração de Jeremias pode chegar até nós. E para piorar, na religiosidade – onde se pode procurar força e alento – também nela, vemos sinais claros de traição ao Projeto de Deus. Enriquecimento escandaloso de líderes religiosos, pactos com poderes opressores, anúncio de um falso Evangelho, o qual legitima opressores, violentos, ladrões, mentirosos; toda sorte de malfeitores. Falsos pastores, lobos em pele de cordeiro, religião ao serviço da vilania. Assim como Jeremias, nos sentidos abandonados. Até mesmo por quem deveria ser profeta de Deus e agente de libertação.

No Evangelho, Mateus apresenta – em suas Parábolas do Reino – respostas às dores e aos problemas vividos por Jeremias e por nós. O tesouro escondido no campo e a pérola encontrada, são os valores que o Reino de Deus nos oferece. O Evangelho é uma mensagem de mudança de vida e de mentalidade, com a qual podemos reconstruir nossas vidas e nossa sociedade a partir dos paradigmas do sonho de Deus para nós. O amor proposto pela mensagem de Jesus e as relações a partir da justiça e da fraternidade, podem ser soluções para muitos dos nossos desafios. Em dias de abandono dos pequeninos, marginalização da solidariedade, entre outros valores antievangélicos; devemos apostar nossa esperança nas pedagogias do Reino. Dedicar todas as nossas expectativas nele. Sem medo e com a ousadia dos personagens das Parábolas do Reino, devemos colocar todos os nossos esforços na proposta de Jesus, na construção do Reino de Deus.

Sigamos firmes e esperançosos na caminhada e na luta por um mundo melhor. Vamos construir uma nova realidade. Pedra por pedra. Dia após dia. Tendo como norte as propostas de Jesus, sigamos com ousadia e desprendimento, escolhendo e arriscando tudo pelo Reino de Deus.

2 comentários em “Tesouros, Pérolas, Vocação: O Seguimento de Jesus requer Compromisso e Ousadia! | Reflexão sobre Jr 15,10.16-21 e Mt 13,44-46

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