Vida Chata | Casos da Vida

Por Solange Maria do Carmo

Marieta era uma dessas chatas de carteira. Cuidava da mãe já velha e de um sobrinho ainda criança, abandonado pela mãe. Mas Marieta era o terror da família. Gritava com a mãe doente. Sacudia o garoto. Xingava e reclamava o tempo todo. Quando o dia amanhecia, já pulava da cama azeda e destilava seu veneno. E assim era o tempo todo.

No trabalho, era difícil suportá-la. Quando chegava ao escritório, todos faziam cara feia. Para ela, nada servia. Reclamava de tudo e de todos; por qualquer coisa ficava de mal e brigava sem desculpas. Era fingida e crítica ao extremo, causando, com seus comentários maldosos, rivalidade e inimizade entre todo mundo.

Por tudo isso, Marieta era uma pessoa detestada. Em sua casa, sua mãe e seu sobri­nho ficavam tristes de vê-la tão agressiva e cruel. No trabalho, os companheiros se afasta­vam e a isolavam para evitar encrencas. Ela não tinha amigos. Era infeliz.

Um dia, porém, conta Marieta, “fui convidada para participar de um grupo de pesso­as que se reuniam uma vez por semana para refletir a Palavra de Deus. Achei péssima ideia. Mas, como estava precisando fazer alguma coisa, decidi ir à primeira reunião. Pensei que as pessoas do grupo fossem me detestar, tamanha era a minha chatice. Me sentia a pes­soa mais estranha desse mundo. Para minha surpresa, no entanto, fui muito bem acolhida. Quando vi, estava entre pessoas simpáticas que me acolhiam e compreendiam, apesar do que eu era. Gostei e comecei a participar toda semana. Com o passar do tempo, a Palavra de Deus começou a produzir uma mudança no meu jeito de ser e de encarar a vida. Comecei a perder aquela raiva que trazia guardada dentro de mim. Libertei-me dos sentimentos de mágoa e de inveja e comecei a me sentir uma pessoa normal. Hoje vivo bem com a minha família. Consigo dar carinho para o meu sobrinho que, mesmo com suas trapalhadas, é um garoto adorável. E me sinto amiga de todas as pessoas, inclusive no meu trabalho. Minha vida deixou de ser chata, graças à luz da Palavra de Deus que me mostrou coisas importantes que eu nunca havia percebido. Até hoje frequento o grupo de reflexão. Toda semana”.

A autora:

Solange Maria do Carmo é teóloga-leiga. Sua trajetória pastoral tem início nos anos 80, quando engajou-se em movimentos de juventude e, logo em seguida, descobriu a força da Palavra de Deus com grupos de reflexão bíblica na Universidade Federal de Viçosa, onde cursou engenharia agrícola. Durante dezesseis anos, ela serviu a Igreja como missionária leiga, engajada numa comunidade de vida que prestava serviços de evangelização e catequese nas dioceses onde morou (Mariana – 10 anos – e Paracatu – 6 anos). Sua trajetória catequética remonta o ano de 1991, quando juntamente com o Pe. Orione (diocese de Mariana), empreendeu um projeto de evangelização na cidade de Viçosa, na Paróquia Santa Rita de Cássia, onde residiam. Nasceu desta parceria um sonho de evangelizar crianças e adultos, proporcionando a todos a experiência cristã de Deus, por meio de encontros catequéticos semanais dos mais diversos tipos.

Colaborou: Fique Firme

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