Reze e Trabalhe! Anuncie o Evangelho com a Própria Vida até o Fim! | Reflexão sobre Mateus 10,34-11,1 à luz da Vida e Testemunho de São Bento

Por Hermes Fernandes

Hoje, 11 de julho, lembramos uma das figuras mais emblemáticas da Igreja: São Bento. Nascido na cidade de Núrsia, Itália, São Bento vive entre os anos 480 e 547, durante a Alta Idade Média. Em 529, funda o Mosteiro Monte Cassino, referencial da Ordem Beneditina. Em 534, começa a redigir a Regra de São Bento, um dos mais importantes e utilizados regulamentos da vida monástica, razão pela qual, São Bento é considerado o patriarca do monarquismo ocidental.

A Regra Beneditina prega o serviço a Deus por meio da vida em comunidade, da estabilidade e da harmonia entre a espiritualidade e a ação no mundo, em favor dos homens. Esse carisma se expressa no binômio Ora et Labora (Reze e Trabalhe). O capitulo 48 determina que os monges, e todos aqueles que desejam seguir Jesus ao exemplo de São Bento, dediquem-se à Lectio Divina, que consiste na prática da leitura orante das Sagradas Escrituras e dos Santos Padres. A evangelização da Europa também teve forte participação dos monges beneditinos na Idade Média. Muitas vezes, a importância desta forma de viver e seguir Jesus foi para além dos claustros.

Com todos esses elementos, os mosteiros beneditinos tornam-se verdadeiros centros culturais na Idade Média, restaurando a valorização do saber e sendo significativamente responsáveis pela preservação e transmissão do imenso legado cultural do mundo greco-romano e de toda a cultura antiga, oriental e ocidental, em uma época em que o patrimônio humanístico se dispersava.

A vida de São Bento é narrada por São Gregório no livro dos Diálogos. Descreve-o como um homem que recebeu o dom da sabedoria, desde sua mais tenra idade, e que viveu o Espírito de todos os justos. Mas São Gregório insiste sobre um carisma que lhe era peculiar: o discernimento.

Conforme o estilo de escrita da época, São Bento viveu toda sua vida em busca de um sincero encontro com Deus, através dos irmãos que o cercavam e da vida de oração e trabalho. Por isso, ele também nos é paradigma de perseverança, equilíbrio e humildade. Estes que são importantes pré-requisitos para seguir a Cristo, sem nada antepor ao seu amor.

Para bem celebrar esse dia, a Liturgia nos oferece o Evangelho de Mateus 10,34-11,1. Em continuidade às orientações de Jesus aos seus discípulos que são enviados em missão, as palavras dele hoje somam em nosso coração ao testemunho de São Bento. Aquele que deseja seguir Jesus deve ter a ousadia e perseverança necessárias à radicalidade do Evangelho.

Nunca nos esqueçamos que a ação missionária exige do apóstolo, e dos discípulos e discípulas de hoje, muita coragem e perseverança. As dificuldades e perseguições surgirão a partir de seus próprios familiares. As propostas do Reino de Deus são contrárias aos projetos de morte que são impetrados no mundo. Muitas vezes, os opositores de Jesus podem ser aqueles que estão próximos a nós. Até mesmo, em nossas casas. A fidelidade ao Reino, em algumas circunstâncias, exigirá rupturas. Quem preferir não desagradar seu pai ou sua mãe, assim recusando-se a proclamar as exigências do Reino, torna-se indigno do ministério recebido. O Reino de Deus infere de nós fidelidade.

Que possamos, ao exemplo de São Bento, declararmo-nos seguidores de Jesus até às últimas consequências. Sob a diversidade de carismas e dons, a Igreja de Jesus deve continuar – ainda hoje – anunciando o Reino de Deus e sua justiça, mesmo que – para isso – o preço seja a própria vida.

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