Dias melhores virão

Por Tânia da Silva Mayer[1]

Existem, mas são raras as pessoas que não esperam por dias melhores. Ainda que já tenhamos sido atravessados por tragédias socioambientais no início deste ano, desejamos que os caminhos se abram iluminados diante de todos. Mas a realidade só pode ser modificada desde dentro. Por isso, não há começo para o novo sem a conversão do coração e das práticas cotidianas. Então, os dias que estão por vir podem ser os melhores se cada pessoa estiver disposta a entregar o melhor de si para todos. E isso significa respeitar a si mesmo e à coletividade que integramos e formamos. Cada pessoa é parte de um todo. Nesse sentido, a busca pelo bem-estar pessoal é imbuída do compromisso com o bem comum, com o cuidado da casa comum.

Esse processo de conversão do coração e das práticas cotidianas é questão central para a acolhida da novidade do Reino de Deus. A pregação de Jesus orienta os ouvintes nesse sentido. É imprescindível passar por uma transformação verdadeira, que abrange o interior e a ação junto dos outros no mundo. Sem esse processo, o Reino vai se tornando uma realidade distante de ser encontrada. E a justiça e a paz, próprias de um tempo novo e de dias melhores, vão se afugentando uma da outra e nós todos delas. Desse modo, Jesus nos convoca a levar adiante o empreendimento da mudança para novos caminhos, novos hábitos e novos relacionamentos, livres dos vícios que geram sofrimento, tristeza e dor.

Mas, para que isso ocorra, muita gente pode considerar que seja preciso escolher um dia para que a mudança comece, o que é óbvio. Mas não se trata de elencar o dia “d”, como poderemos pensar. No fundo, trata-se de um processo a ser iniciado aqui e agora e perpetuamente cultivado até o fim de nossos dias. E esse processo não nos fará ser as pessoas melhores que podemos ser da noite para o dia ou num estalar de dedos. Seremos as pessoas melhores pouco a pouco, no desejo de sermos melhores num processo que exige o autoconhecimento e a abertura ao outro e a Deus e o empenho de esforços para preservação do planeta que abriga a nossa e tantas espécies vivas.

Não há mais tempo para adiar entre nós a chegada do tempo novo que todos desejamos. Cada dia da vida é a última oportunidade para construirmos outra realidade possível. E o avançar do tempo vai revelando a urgência de necessária mudança de rumos se quisermos viver hoje algo semelhante às realidades futuras anunciadas por Jesus. A esperança, se verdadeira, não pode esperar como que olhando o além pelas janelas de uma casa velha. A esperança não espera, ela opera dentro de suas possibilidades, a fim de somatizar as forças que podem tornar esse mundo mais justo e humano. Sejamos gente da esperança, construindo, de mãos dadas e com profecia os dias melhores que virão.

***

[1] Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte. Graduada em Letras pela UFMG.

Colaborou: Fique Firme

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