Ide pelo mundo e Evangelizai | Reflexão sobre Mt 10,7-15

Por Hermes Fernandes

Nesta Quinta Feira da 14ª Semana do Tempo Comum, a Liturgia nos oferece o Evangelho de Mt 10,7-15.

A perícope evangélica de hoje é continuação da que tivemos ontem na Liturgia. A propósito, o mesmo versículo em que o anúncio do Evangelho termina ontem, é o que dá início ao discurso de Jesus, no Evangelho proclamado hoje. “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” (Mt 10,7). Esta seção do Evangelho de Mateus compreende as orientações de Jesus dadas aos seus discípulos para a missão.

Os versículos 9 e 10 apresentam a exortação de Jesus à disponibilidade e simplicidade necessárias para a ação evangelizadora. “Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito a seu sustento” (Mt 10,9-10). Aqui, mais do que uma exortação à pobreza evangélica, temos toda uma praticidade nos conselhos de Jesus. Quando em missão, qualquer forma de apego pode prejudicar a verdadeira disposição para a vida missionária. Os discípulos e discípulas que se dispõem à missão, precisam de desprendimento para bem viver o chamado. Como anunciar Jesus, em todos os lugares do mundo, com o coração dividido entre o chamado de Jesus e o desejo por acúmulo de bens? O apego ao ouro e à prata, realmente, poderia prejudicar os discípulos do primeiro momento e prejudica – de fato – a nós hoje. Não são poucos os escândalos nas Igrejas em razão daqueles que se dizem ao serviço do Reino, mas – como lobo vorazes – devoram carteiras e coincidências do Povo de Deus, seduzidos pela ambição e usura. Neste sentido, “porque o operário tem direito a seu sustento” (v. 10) vem nos significar que, ao missionário e missionária, só a estrutura de subsistência advinda da própria missão é o suficiente. O seguidor e seguidora de Jesus deve tomar cuidado para não se deixar levar pelos apelos do consumismo em suas vidas. Acúmulo de riquezas é contratestemunho para aqueles que se dispõem a anunciar Jesus e seu Reino.

Dos versículos 11 a 13, Jesus apresenta alguns conselhos sobre a cortesia e fraternidade necessárias para bem viver em comunidade. “Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz” (Mt 10,11-13). Transparência e ética, cortesia mútua e relações profundas; é o que propõem os conselhos de Jesus nesta seção do texto evangélico.

Os versículos finais do Evangelho de hoje, 14 e 15, podem parecer algo como que maldições proferidas por Jesus. “Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo” (Mt 10,14-15). Entretanto, podemos ler estas palavras a partir de um discernimento lógico. O anúncio do Reino de Deus nos propõe uma mudança de paradigmas nas relações, como dissemos em nossa reflexão de ontem. Onde o amor seja mais forte que o ódio, a tristeza seja derrotada pela alegria, o desespero dê lugar à esperança, a Verdade supere toda mentira, a Vida vença a morte, assim como o Cristo a derrotou pela ressurreição. As periferias humanas serão convertidas em Casa de Deus, onde a dignidade, a inclusão e relações fraternas sejam vias sanativas pelo fim de toda pobreza, marginalização e exclusão. Neste sentido, aquilo que podemos entender como maldições de Jesus, em verdade, nada mais é do que a constatação de que, fora dos valores do Reino de Deus, viveremos sempre sob as forças que destroem, marginalizam e matam. Por isso, optar pelos valores do Reino de Deus é escolher a vida, a justiça, o amor e a paz.

Entendamos que o envio feito aos discípulos no contexto da narrativa do Evangelho, se estende a nós hoje. Precisamos evangelizar com renovado ardor missionário. No seguimento de Jesus Cristo e em comunhão fraterna com toda a Igreja, devemos viver e anunciar a Boa Nova do Evangelho com alegria, jeito humilde e paixão: acolhendo o Reino de Deus e contribuindo em sua construção já aqui na Terra, na esperança do Reino Definitivo.

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