Natividade de São João Batista | Sob a inspiração de Lc 1,57-66.80

Por Hermes Fernandes

Neste 23 de junho, celebramos a Natividade de São João Batista. Chamado Batista, isto é, o batizador, é filho de Zacarias e de Isabel, ambos de estirpe sacerdotal. Sabemos pelas palavras do anjo Gabriel, que João foi concebido quando o casal já estava em idade avançada. Conforme a cronologia sugerida pelo anjo (este é o sexto mês para Isabel), o nascimento do precursor foi fixado pela Igreja latina três meses após a Anunciação e seis meses antes do Natal. Já previsto na Escritura como o precursor do Messias, João embarca em si o caráter forte de Elias. Sua missão de fato será semelhante, “no espírito e no poder”, àquela do profeta Elias, enviado para preparar “um povo bem disposto” ao advento do Messias.

Na teologia Lucana, João Batista encerra em si a era dos profetas. O Tempo da promessa. Na história da Redenção, o Precursor está entre as personalidades mais singulares: é, como dissemos acima, o último profeta e o primeiro apóstolo, enquanto precede o Messias e lhe dá testemunho. “É mais que profeta. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o caminho diante de ti”.

O nascimento de João Batista, previsto pelo Anjo (cf. Lc 1,20), e o término do tempo da gravidez de Isabel, marca o fim do tempo da espera pela Salvação. Com isso, o povo da localidade se alegra, ecoando sua presença quando de sua apresentação e circuncisão. Por isso, amigos e familiares se encontravam no momento descrito hoje no Evangelho (cf. Lc 1,58). A circuncisão era feita oito dias depois do nascimento (cf. Gn 17,12); nessa ocasião, dava-se o nome à criança e fazia-se uma festa com os parentes e vizinhos. Uma alegria só! A insistência no nome do menino, descrita maestralmente por Lucas, vem frisar o tempo da graça e misericórdia que se inicia, pois João significa “Javé tem Piedade”. De fato, João será o arauto de Jesus, que traz a graça de Deus para libertar os pobres e marginalizados (ver Lc 4,14-21). Diante deste mistério e graça, imediatamente Zacarias fica livre da mudez e surdez, e começa a louvar a Deus, com o cântico que a literatura Lucana lhe atribui, presente em Lc 1,67-79.

A história da infância de João termina no versículo 80 do Evangelho da Liturgia de hoje. Neste versículo, percebemos que o evangelista bebe das fontes do Primeiro Testamento, fazendo um paralelo com o primeiro livro de Samuel, dizendo que João Batista crescia física e espiritualmente (cf. 1Sm 2,23). Ainda podemos perceber que esse paralelo vai além, chegando a Jesus, que também é descrito por Lucas como “o menino que crescia com força e sabedoria” (cf. Lc 2,40 e 2,52). Com isso, podemos verificar, mais uma vez, a intenção da Teologia Lucana de traçar um paralelo entre o Primeiro e o Segundo Testamento, o Tempo da Promessa e a realização dela. O marco divisor destes dois momentos da História da Salvação é João Batista.

Ainda hoje os biblistas dedicam a João Batista profundo estudo. E a Igreja celebra por duas vezes sua vida e testemunho. Natividade e Martírio. Isso atesta o grande interesse que em todas as épocas suscitou este austero profeta, definido pelo próprio Cristo como “o maior entre os nascidos de mulher”.

Que sejamos cristãos e cristãs ao exemplo de João. Assim como ele preparou a missão de Jesus, que possamos aplainar os caminhos do Reino de Deus. Instaurando-o, aqui e agora.

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