“Cuidado com os falsos profetas” | Reflexão sobre Mt 7,15-20

Por Hermes Fernandes

O Evangelho desta quarta feira da XII Semana do Tempo Comum se inicia com uma advertência de Jesus: “Cuidado com os falsos profetas” (v. 15). Uma advertência ao povo sobre líderes religiosos que buscam enganar, explorar e, até mesmo, oprimir. Doutores de mentira que seduzem o povo com falsas aparências de piedade; enquanto – no íntimo – buscam fins interesseiros (cf. Mt 24,4+; Ez 22,28; Jr 23,9-14). Já no Primeiro Testamento, os falsos profetas se faziam um verdadeiro pesadelo para os profetas verdadeiros. Também as primeiras comunidades cristãs, no Segundo Testamento, passaram maus bocados com impostores e interesseiros que, com pensamentos obscuros, buscavam se infiltrar nessas comunidades para próprio benefício. O Evangelista João, em sua Primeira Carta, chama a estes de Anticristos, tamanha a periculosidade de suas ações (cf. 1Jo,2). É preciso ter olhos e ouvidos atentos, não deixando de lado um bom discernimento, para identificar esses falsos profetas. Diante dessa preocupação, Jesus nos oferece pistas para reconhecê-los. Estes lobos ferozes, como o próprio Messias disse, poderão ser reconhecidos por seus frutos, isto é, o resultado de suas obras.

Jesus sempre usava de analogias comuns ao cotidiano do povo. Para advertir aos seus ouvintes sobre os falsos profetas, adentra no universo da agricultura para se fazer entender. Em uma alegoria comum ao contexto dos trabalhadores de seu tempo, ilustra: “Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má, produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons. Toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e jogada no fogo. Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis” (cf. Mt 7,16b-20).

As críticas de Jesus aos falsos líderes religiosos, não se trata de ortodoxia na doutrina. Não é uma questão de doutrina correta ou errada. Vai além! Trata-se de ortopráxis. Ter uma conduta coerente com a pregação que se faz. Os Fariseus e Doutores da Lei, por exemplo, foram criticados por Jesus em razão de falar uma coisa e fazer outra. Por impor um cargo pesado nos ombros dos pobres e humildes, enquanto eles mesmos não eram capazes de mover um só dedo (cf. Mt 23,4).

Em nossos dias, devemos tomar para nossa prudência essa advertência de nosso Senhor. Não são poucos os que assumem o lugar de liderança nas Igrejas e, assim como os Fariseus e Doutores da Lei, fazem de suas posições mecanismos de enganação e exploração de nosso povo. Oprimem, exploram, enganam. São verdadeiros lobos vorazes, a explorar os pobres. Há, também, quem flerte com os poderosos, fazendo da religião comparsa de projetos de morte.

Que nós, seguidores e seguidoras de Jesus, façamos uma opção pelo Projeto dele. Sua proposta se opõe aos projetos de morte. Jesus anuncia a Vida Plena. Seus seguidores e seguidoras serão reconhecidos e reconhecidas por seus frutos. Nós, cristãos e cristãs, daremos frutos conforme o Evangelho. Com isso, seremos testemunhas da Verdade, sal e luz, na construção de um mundo melhor. Que sejamos profetas e profetizas ao exemplo de Jesus, o Bom Pastor!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: