Corpus Christi: Sacramento da missão 

Por Dom Luiz Antonio Cipolini
Bispo de Marília (SP)

     A Solenidade de Corpus Christi nos convida a renovar nossa fé na presença real de Jesus na Eucaristia, mas também nosso compromisso com a unidade e nossa missão de ser presença de Cristo, como discípulos missionários na Igreja e na sociedade. 

     Fazer a experiência do encontro com Cristo na Eucaristia é essencial, como afirma o Papa Francisco: “a Eucaristia é o coração palpitante da Igreja, é a única matéria nesta terra que tem verdadeiramente sabor de eternidade”. A Eucaristia é o memorial perene da Paixão de Cristo, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os sinais que Cristo realizou. É ainda singular conforto que Cristo deixou para os que se entristecem com sua ausência. Nossa união com Cristo e entre nós acontece através da Eucaristia. 

     Vale a pena recordar o Documento de Aparecida (2007), quando os bispos afirmam: “A Eucaristia, participação de todos no mesmo Pão de Vida e no mesmo Cálice de salvação, nos faz membros do mesmo corpo (1Cor 10,17). Ela é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, sua expressão mais perfeita e o alimento da vida em comunhão” (DAp 158). No entanto, A Eucaristia não se esgota com a participação no Corpo e Sangue do Senhor. Ela impele-nos à solidariedade para com o próximo. 

     Portanto, a Eucaristia também é Sacramento da missão, pois o próprio Jesus, diante de uma multidão de famintos, pede a seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9,13). A situação do mundo inteiro, agravada pela pandemia do Coronavírus, é de carência de alimentação. E essa alimentação não é útil unicamente para satisfazer a fome física. Existem outros tipos de fome: de amor, de imortalidade, de vida, de carinho, de cuidados, de perdão e de misericórdia. 

     Os discípulos missionários, fiéis a Cristo, precisam levar em conta aquelas pessoas e aqueles grupos que vivem às margens da sociedade, a fim de que sejam também colaboradores de Deus, sujeitos da evangelização.  

     Na Ceia Eucarística, apesar de vivermos em meio a sofrimentos e cruzes, antecipamos a festa que no céu nunca se acaba. Dom Hélder Câmara expressou bem essa realidade quando afirmou: “Quanto mais sombria é a noite, mais bela é a Aurora que ela carrega no seio”. A vida eucarística dos discípulos missionários só é plena com a saída de si, com pão em todas as mesas, com a missão. 

     Feliz e abençoado dia de Corpus Christi, na unidade e na missão! 

Colaborou: CNBB

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