Os Ministérios como Protagonismo da Ação Evangelizadora e da História da Igreja

Por Hermes Fernandes

Em oportuna conversa fraterna com formandos em teologia, pomo-nos a pensar sobre o problema da Ação Evangelizadora na Igreja e os muitos conflitos presentes no que se refere à liberdade de pensamento e ação criativa. Atualmente, temos quem afirme sincero apego à autoridade hierárquica. Em paradoxo, quem negue toda e qualquer legitimidade de uma hierarquia constituída. Ambos os postulados se fazem errados, quando vistos como extremos.

No que se refere à hierarquia, há quem peque por entender a existência de funções e posições pedagógicas como exercício de poder. Falar a partir do Magistério da Igreja não significa dotar-se de palavra totalitária. Os ministérios ordenados não resumem em si o poder. Ao contrário, remetem-se ao serviço à Igreja de Jesus. Este mesmo – o Cristo – afirma que veio para servir (cf. Mc 10, 45). Quanto mais aquele que, por aproximação, continua a Ação Evangelizadora pelo mister apostólico. Neste sentido, aos bispos, padres e diáconos – ministros ordenados – cabe a responsabilidade de animar a Igreja no viver da fé, conforme os valores do Evangelho, preservando a real fidelidade a estes valores e, consequentemente, ao Magistério. A isto não se atribui exercício de autoridade e, sim, assumir posição pedagógica.

Aos Leigos e Leigas – ministros não ordenados – prima-se, desde o Concílio Vaticano II, o incentivo para que assumam real participação na Ação Evangelizadora. Tal participação, reflete-se até mesmo na Liturgia Pós-conciliar, na qual, leigos e leigas, não assistem aos ofícios litúrgicos e, sim, são Assembleia Celebrante. Neste sentido, o binômio protagonismo leigo se tornou termo recorrente, encerrando em si, o ideal de uma Igreja ministerial e sinodal. Entendemos o protagonismo de forma análoga à arte. Quando se está a produzir uma obra cinematográfica, há um conjunto de atores, essenciais à trama que se encena, aos quais, chamamos protagonistas. São os personagens principais de um filme. Os leigos e leigas são – da mesma forma – personagens principais (fundamentais) na Ação Evangelizadora. No cinema, os atores se fazem de grande importância ao dar vida ao roteiro que se conta. Entretanto, estes atores têm sempre um roteiro e uma direção a dar norte, orientação, ao intento. Imagine um filme em que os atores não tenham um roteiro ou mesmo uma direção? Onde cada qual, segundo seu pensamento, encena aquilo que lhe vem a mente? Seria o caos!

Podemos usar desta analogia, a arte cinematográfica, para entender a real necessidade de uma hierarquia e do Magistério na Igreja. Se todos pudessem conduzir a Ação Evangelizadora conforme sua inspiração, sem diretrizes a serem seguidas, cairíamos no caos. Na anarquia. Isso não é liberdade! É desmerecer os ministérios, constituídos pelo próprio Senhor, e mantidos pela ação direta do Espírito Santo.

Neste sentido, a hierarquia na Igreja não é exercício de poder totalitário. É serviço, para o qual, se é devidamente preparado conforme os critérios exaustivamente pensados desde o início da Igreja e repensados e atualizados pelo discernimento ao longo dos séculos. Quer ministros ordenados, quer não ordenados, todos são de igual importância. Outrossim, devem estar sempre conscientes de suas atribuições e sempre confiar na Ação direta do Espírito Santo de Deus. Não podemos cultivar em nosso meio pedagogias de poder. Os Ministros Ordenados são revestidos de posição pedagógica, sob a qual, devem atuar com amor e zelo na promoção da fé e presidência da celebração dos sacramentos. Os ministros não ordenados são, de fato, protagonistas da Ação Evangelizadora da Igreja. Porém, assim como os ministros ordenados, devem seguir um roteiro e se deixar conduzir por ele e pela ação pedagógica que lhe é conferida.

Não há uma luta de classes na Igreja. O que temos são ministérios devidamente constituídos e que devem ser respeitados de forma sinodal e fraterna. Para bem viver e entender isso, não podemos nos esquecer de onde tudo partiu, como tudo começou: no amor. Amor de Cruz. “…Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

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