Reflexões Litúrgicas – Parte 42: Catequese e Liturgia: Duas faces do mesmo mistério (III)

Por Pe. Vanildo de Paiva

O Diretório Nacional de Catequese e a interação Catequese-Liturgia 

O documento 84 da CNBB, Diretório Nacional de Catequese, dedicou vários números ao tema da Catequese e Liturgia, sempre reafirmando a mútua dependência dessas duas dimensões da ação pastoral da Igreja. Considera, primeiramente,  a Liturgia como fonte da catequese, e cita a proclamação da Palavra, a homilia, as orações, os ritos sacramentais, a vivência do ano litúrgico e as festas como momentos de educação e crescimento na fé (cf. DNC 118). Sem titubear, afirma que “os autênticos itinerários catequéticos são aqueles que incluem em seu processo o momento celebrativo como componente essencial da experiência religiosa cristã” (idem). 

Logo a seguir, o Diretório insiste na catequese litúrgica, dizendo que “é tarefa fundamental da catequese iniciar eficazmente os catecúmenos e catequizandos nos sinais litúrgicos e através deles introduzi-los no mistério pascal” (120). Assim sendo, aponta como missão da Catequese preparar o cristão aos sacramentos e o ajudar a vivenciá-los através das orações, gestos e sinais, silêncio, contemplação, presença de Maria e dos santos, escuta da Palavra, etc (cf.120).

Interação: um desafio a ser assumido 

É um grande desafio, para todos nós, resgatarmos a relação de interdependência entre a Catequese e a Liturgia. Não é possível permitir que se mantenham, em nossas comunidades, tensões graves entre as duas dimensões. Faz-se necessário e urgente o desenvolvimento de um processo de integração, colaboração mútua, diálogo franco e construtivo entre catequistas e agentes da pastoral litúrgica. Não se trata de uma relação opcional ou de considerar uma ou outra dimensão como apêndice, mas de se perceber o quanto uma se esvazia sem a outra. O Diretório Nacional da Catequese reforça essa idéia ao afirmar que “É tarefa da catequese introduzir no significado e participação ativa, interna e externa, consciente, plena e frutuosa dos mistérios (sacramentos), celebrações, sinais, símbolos, ritos, orações e outras formas litúrgicas. Além do mais, a liturgia, por sua própria natureza, possui uma dimensão catequética. A catequese deve ser realizada em harmonia com o ano litúrgico” (DNC 53b).

Celebrar a Catequese 

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É importante repensarmos nossa prática no que se refere ao modo como celebramos nos encontros catequéticos, como lidamos com a dimensão do simbólico, especialmente com os sinais litúrgicos…Realmente celebramos? ou somente inserimos orações como anexos pouco importantes em nossos encontros? 

Não é raro de se ver catequistas que garantem que rezam NA catequese porque “puxam” uma oração  ou um canto no início ou no final do encontro catequético, mas não são capazes de celebrar A catequese, o processo de crescimento na fé, o dia-a-dia da vida dos catequizandos. Ensinam orações, mas não os educam para a atitude orante e celebrativa. Falam da oração e da liturgia, mas desconhecem a missão iniciática da catequese, isto é, ainda não entenderam que a catequese precisa iniciar os catequizandos à riqueza da liturgia, nas suas mais variadas formas e meios de celebrar a vida e a fé. 

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Pe. Vanildo de Paiva: É autor de “Catequese e Liturgia: duas faces do mesmo Mistério” – Ed. Paulus
In: Catequese Hoje

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