A Comunicação no Documento de Aparecida

O documento de Aparecida , do princípio ao fim , frisa a importância da transversalidade da comunicação como algo essencial à vida da Igreja, tornando-se mesmo uma das chaves de interpretação do texto, na linha de um “caminho para a comunhão”.

Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça – Diocese de Nova Friburgo (RJ)

Há um grande espaço reservado à reflexão e planejamento no que se refere à comunicação pastoral no documento de Aparecida.

Já no discurso inaugural da  V Conferência do CELAM ,o Papa Bento XVI  afirmava: “não se deve limitar somente às homilias, conferências, cursos de Bíblia e Teologia, mas deve recorrer também aos meios de comunicação : imprensa, rádio e televisão, sites de internet, foros e tantos outros sistemas para comunicar eficazmente a mensagem de Cristo a um grande número de pessoas”. E acrescenta: “Faz-se necessária também uma catequese social da Igreja, sendo muito útil o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, pois deve recordar que a evangelização foi unida sempre à promoção humana e à autêntica libertação cristã” ( DAp Discurso inaugural).

O documento de Aparecida , do princípio ao fim , frisa a importância da transversalidade da comunicação como algo essencial à vida da Igreja, tornando-se mesmo uma das chaves de interpretação do texto, na linha de um “caminho para a comunhão”, como nos apresenta São João Paulo II. Neste sentido da comunhão pessoal, sublinha Aparecida: “Os meios de comunicação  em geral, não substituem as relações pessoais , nem a vida comunitária local. Os meios podem, sem dúvida, reforçar e estimular o intercâmbio de experiências e informações” (DAp 489). 

Acentua-se a comunicação, como um processo de relações, seguindo a natureza social do homem, gerando comunhão e se expressando numa comunidade e a construindo pela interação cultural. É o que o Papa Francisco enfatiza em seu Magistério como “a cultura do encontro” contra uma prevalente comunicação despersonalizada e despersonalizante, que desumaniza, impessoal ,com a instrumentalização das pessoas, com exibicionismos, deturpações e sensacionalismos , em detrimento da verdade, do rosto real humano da realidade Nesta perspectiva,, declara também o Departamento de Comunicação Social do CELAM, ” a  Igreja está transversalizada pelo ato comunicacional. As formas – a palavra, a comunicação dos bens – é um processo de ação. Põe-se em comum os bens , os pensamentos, as tristezas ou as alegrias” ( DECOS-CELAM , 2006).

Confirma-se no documento de Aparecida a comunicação como realidade imprescindível no processo de evangelização, fundamental na ação pastoral, como já ressalta o documento de Puebla : “evangelizar é comunicar” .A  Pastoral da Comunicação ,neste quadro, é a ação da própria Igreja que se faz comunhão, com a colaboração de todos, os ministérios, dons e carismas, pondo-se a serviço dos outros, no resgate e promoção da dignidade humana, na libertação integral da pessoa , na construção de estruturas sociais justas na missão de perpetuar a salvação de Cristo, Esta comunhão é base o discipulado que “comunica os valores evangélicos de maneira positiva e precisa” (DAp 497). 

O documento de Aparecida trata desta pastoral nos números 484-490,,enfatizando : a cultura midiática, com o desafio de conhecer as novas linguagens, tecnologias, para a missão(DAp 484) ; o primeiro anúncio, o QUERIGMA, devendo-se usar os meios de comunicação  para falar às multidões,devem ser “postos a serviço do Evangelho” (DAp 485) ; o compromisso de acompanhamento dos Bispos aos comunicadores;-  deve haver o conhecimento de uma nova cultura da comunicação, a formação profissional dos comunicadores atenção especial a diretores, programadores, escritores e locutores, fotógrafos, etc.; criação de meios de comunicação na Igreja e presença nos meios existentes; educação na formação crítica com proteção às crianças, jovens, os vulneráveis, implementação de uma pastoral da comunicação mais efetiva (DAp 486); a internet , “maravilhosa invenção da técnica”, mas que é meio e não fim, da qual a Igreja se aproxima com realismo e confiança, utilizando seu potencial para proclamar o Evangelho (DAp 487-488);  o dever dos pais de alertar aos filhos sobre o uso da internet ;as relações interpessoais – os meios de comunicação que não substituem as relações pessoais nem a vida comunitária, mas devem propiciar espaços de comunhão( DAp 489);  a exclusão digital a ser superada, criando-se redes e salas que promovam a inclusão , aproveitando os recursos disponíveis.

Para a formação desta Pastoral, deverá ser desenvolvida uma espiritualidade de comunhão, primeiramente com Cristo e  , a partir de Cristo, num processo de conversão, uma comunhão e diálogo com os irmãos, com o mundo. Fundamenta o documento: “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” (DAp 244). Esta comunhão se evidencia na vida de comunidade, na celebração do domingo, dia do Senhor (DAp 252), num discipulado, acolhendo a Palavra de Deus, formado na escola do amor ( DAp 278), comunicadores  de Jesus a pregar o Evangelho, mensageiros da paz, peregrinos da caridade e heróis da fé, capazes de dar a vida por seus irmãos.

De forma geral, podemos compreender que a comunicação pastoral é uma dimensão que se fundamenta na comunhão discipular que leva à missão, na vivência eclesial do batismo , da Palavra, dos sacramentos, com a centralidade da Eucaristia, numa “conversão pastoral”, no seguimento de Cristo , numa “Igreja em saída”, como ressalta o Papa Francisco, na esteira da mensagem de Aparecida, da qual esteve na mente da redação: “sair ao encontro das pessoas , das famílias, das comunidades e dos povos, para comunicar-lhes e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que encheu nossa vida de sentido , de verdade e amor, de alegria e esperança” ( DAp 548). Assim, a comunicação da Igreja não pode ser dissociada da dimensão missionária, numa linguagem inculturada:

“A missão deve ser conhecida, avaliada e em certo sentido assumido pela Igreja, com uma linguagem compreendida por nossos contemporâneos. Somente assim a fé cristã poderá aparecer como realidade pertinente e significativa de salvação. Porém, essa mesma fé deverá gerar modelos culturais alternativos para a sociedade atual “(DAp  480).

In: Vatican News

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