Conhecendo a Igreja – Parte 4: Os Jesuítas

Somos a Companhia de Jesus, também conhecida como Ordem dos Jesuítas, fundada pelo basco Inácio de Loyola e aprovada oficialmente pelo Papa Paulo III, em 27 de setembro de 1540. Nesses mais de 470 anos de história, sempre nos destacamos pelo forte trabalho missionário, indo às fronteiras das dificuldades sociais.

Os primeiros jesuítas desembarcaram no Brasil, liderados por Manuel da Nóbrega, em 1549 – apenas nove anos após a Companhia de Jesus ser aprovada pelo Papa Paulo III. Vindos com Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil Colônia, os religiosos foram pioneiros no trabalho de educação dos descendentes de portugueses e nativos. Entre os jesuítas ilustres que atuaram aqui, estão os padres José de Anchieta e Antônio Vieira.

Com marcante influência histórica e social no país, a Companhia de Jesus esteve à frente da fundação de escolas, igrejas e cidades. Os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, por exemplo, foram os responsáveis pela criação do Colégio de São Paulo de Piratininga (hoje Pateo do Collegio), que deu origem à cidade de São Paulo. Hoje, são mais de 500 jesuítas atuando em todos os estados brasileiros, nas áreas Educação, Social, Espiritualidade, Serviço da Fé, Juventude e Vocacional, entre outras.

Santo Inácio de Loyola

O fundador da Companhia de Jesus nasceu no Castelo de Loyola, em Azpeitia, região basca ao norte da Espanha, em 1491. Filho de família cristã da nobreza rural, o caçula de 13 irmãos e irmãs foi batizado como Iñigo. Mais tarde, entretanto, mudaria seu nome, passando a assinar Inácio.

Em 1506, quando tinha aproximadamente 15 anos, Inácio colocou-se a serviço de Juan Velázquez de Cuéllar, ministro do Tesouro Real durante o reinado de Fernando de Aragão. Aos cuidados de seu protetor, recebeu esmerada formação, aprimorou sua cultura e tornou-se exímio cavaleiro, mostrando inclinação pelas aventuras militares. E, como descreveu em sua autobiografia, até os 26 anos de idade, “tinha sido um homem entregue às vaidades do mundo”. Essa história começou a mudar de rumo em 1517, quando Juan Velázquez caiu em desgraça e Inácio passou a servir ao duque de Nájera e vice-rei de Navarra, Antônio Manrique, participando de vários combates militares.

Em 20 de maio de 1521, ao tentar, sem sucesso, proteger Pamplona (capital de Navarra) dos invasores franceses, Inácio foi ferido por uma bala de canhão que, além de partir sua perna direita, deixou lesões na esquerda. O grave ferimento foi fundamental para a mudança radical que aconteceria em sua vida.

Durante o período de convalescência no Castelo de Loyola, como não havia livros de Cavalarias ─ seus preferidos ─, Inácio dedicou-se à leitura de Vida de Cristo, escrita por Ludolfo da Saxônia, e de uma coletânea Vida dos Santos. Foi após o contato com os livros religiosos que ele percebeu, com atenção e paciência, que as ambições mundanas lhe causavam alegrias efêmeras, meros prazeres, ao passo que a entrega a Jesus Cristo lhe enchia o coração de alegria duradoura. Essa consolação foi, para Inácio, um sinal de Deus.


TENDO RECEBIDO BASTANTE LUZ DESSA LEITURA, COMEÇOU A PENSAR COM MAIS SERIEDADE EM SUA VIDA PASSADA E EM QUANTA NECESSIDADE TINHA DE SE PENITENCIAR POR CAUSA DELA…

Já recuperado e com o forte desejo de mudanças em sua vida, Inácio decidiu partir rumo a Jerusalém. Saindo de Loyola, seguiu em peregrinação para Montserrat. No caminho, doou suas roupas de fidalgo a um pobre, passando a usar trajes rústicos. A espada foi deixada no altar da Igreja de Nossa Senhora de Montserrat, após uma noite de oração.

Em Manresa, Inácio abrigou-se em uma cova. Vivendo como eremita e mendigo, passou pelas mais duras necessidades. Mas seu objetivo era maior: queria ter tranquilidade para fazer anotações em um caderno que, mais tarde, iriam se transformar no livro dos Exercícios Espirituais (EE), considerado até hoje um de seus mais importantes legados. Após essa experiência, Inácio seguiu em sua longa peregrinação até Jerusalém, onde permaneceu por um tempo. De volta à Europa, sofreu perseguições e incompreensões que lhe fizeram perceber a necessidade de estudar para melhor ajudar os outros.

A cidade escolhida para dedicar-se aos estudos de Filosofia e Teologia foi Paris (França), onde conseguiu agrupar colegas a quem passou a chamar de companheiros ou amigos no Senhor. Esse foi o primeiro esboço do que seria a Companhia de Jesus.

Em 15 de agosto de 1534, na capela de Montmartre, em Paris, Inácio e seis companheiros – Francisco Xavier, Pedro Fabro, Afonso Bobadilha, Diogo Laínez, Afonso Salmeirão e Simão Rodrigues – fizeram votos de dedicarem-se ao bem dos homens, imitando Cristo, peregrinar a Jerusalém e, caso não fosse possível, apresentar-se ao Papa, com o objetivo de colocarem-se à disposição do Pontífice. Um ano depois, os votos foram renovados por eles e mais três outros companheiros – Cláudio Jaio, João Codure, Pascásio Broet.

Por meio da bula Regimini militantis Ecclesiae, a Companhia de Jesus (em latim, Societas IesuS. J.) foi aprovada oficialmente pelo Papa Paulo III, em 27 de setembro de 1540. No ano seguinte, 1541, Inácio foi eleito o primeiro Superior Geral da Ordem, passando a viver em Roma (Itália). Dedicou-se à função preparando e enviando os jesuítas ao mundo todo, servindo à Igreja e escrevendo as Constituições da Companhia de Jesus. Em 31 de julho de 1556, muito debilitado, Inácio morre em Roma. Sua canonização aconteceu em 12 de março de 1622, pelo Papa Gregório XV.

Os Jesuítas

Foi na capela de Montmartre, em Paris (França), em 15 de agosto de 1534, que Inácio e seis companheiros – Francisco Xavier, Pedro Fabro, Afonso Bobadilha, Diogo Laínez, Afonso Salmeirão e Simão Rodrigues – fizeram votos de dedicarem-se ao bem dos homens, imitando Cristo, peregrinar a Jerusalém e, caso não fosse possível, apresentar-se ao Papa, com o objetivo de colocarem-se à disposição do Pontífice. Um ano depois, os votos foram renovados por eles e mais três outros companheiros – Cláudio Jaio, João Codure, Pascásio Broet.

Passados seis anos, por meio da bula Regimini militantis Ecclesiae, a Companhia de Jesus foi aprovada oficialmente pelo Papa Paulo III, em 27 de setembro de 1540. No ano seguinte, 1541, Inácio foi eleito o primeiro Superior Geral da Ordem, passando a viver em Roma (Itália).

Desde o início de sua existência, a Companhia de Jesus sempre se caracterizou pela intensa atividade missionária e apostólica, como se pode observar nas palavras deixadas por Santo Inácio: “Para a Maior Glória de Deus”, tradução de “Ad Majorem Dei Gloriam”.

Missão dos Jesuítas

Estabelecer relações justas com Deus

Segundo o Decreto 3, da 35ª Congregação Geral (2008), é esse o primeiro nível em que os jesuítas, como servidores de Cristo, são convidados a trabalhar.

Como ajudar as pessoas de hoje em sua luta para encontrar sentido para suas vidas numa cultura dominante caracterizada pelo subjetivismo, pelo relativismo moral, pelo hedonismo e pelo materialismo prático?

Como ampliar, em todos os nossos ministérios, um espaço de diálogo e reflexão contínuos sobre a relação entre fé e razão, cultura e moral, fé e sociedade?

Como ajudar as pessoas, em um mundo de muitas religiões e culturas, a desenvolver uma vida cristã harmoniosa?

Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio representam hoje notável ajuda para muitos de nossos contemporâneos.

Estabelecer relações justas com os outros

Segundo o Decreto 3, da 35ª Congregação Geral (2008), é esse o segundo nível em que os jesuítas, como servidores de Cristo, são convidados a trabalhar.

Embora, em nosso mundo globalizado, muita gente pobre tenha saído da pobreza, o desnível entre ricos e pobres tem aumentado, tanto dentro dos países como no plano internacional.

Interesses transnacionais, à margem das leis nacionais e, com frequência, favorecidos pela corrupção, saqueiam os recursos naturais dos pobres.

A violência, a guerra e o tráfico de armas têm sido fomentados por grupos econômicos muito poderosos.

Como podemos olhar o mundo da perspectiva dos pobres e marginalizados, aprendendo com eles, agindo com eles e a seu favor?

Como podemos estender pontes entre ricos e pobres, estabelecendo vínculos no terreno da incidência política para a colaboração entre aqueles que têm o poder e os que encontram dificuldades para fazerem ouvir seus interesses?

Estabelecer relações justas com a criação

Segundo o Decreto 3, da 35ª Congregação Geral (2008), é esse o terceiro nível em que os jesuítas, como servidores de Cristo, são convidados a trabalhar.

O cuidado com o Meio Ambiente afeta a qualidade da nossa relação com Deus, com os outros seres humanos e com a própria criação.

A maneira de acesso às fontes de energia e a outros recursos naturais e sua exploração está aumentando rapidamente os danos ao solo, à água e ao meio ambiente em seu conjunto.

Como promover estudos e práticas orientadas a enfrentar as causas da pobreza e a melhorar o meio ambiente?

Como inserir incidência política e pesquisa a serviço dos pobres e dos que trabalham na proteção do meio ambiente?

Como convidar todo o mundo a apreciar mais profundamente a nossa aliança com a criação e a agir, consequentemente, com sua própria responsabilidade política e profissional e com seu próprio estilo de vida?

Visão e Valores dos Jesuítas

A Companhia de Jesus foi fundada na Europa, na metade do século XVI. Inácio de Loyola e seus nove companheiros eram um grupo internacional de sacerdotes formados em espiritualidade e em teologia. Depois de terem refletido em clima de oração, decidiram obedecer a um deles, considerando-o como seu Superior e, por unanimidade, elegeram Inácio. Logo depois, ofereceram-se ao Papa Paulo III, dispostos a aceitar serem enviados por ele aonde ele quisesse. Isso porque criam fortemente que o Santo Padre, sendo vigário de Jesus Cristo na terra, tinha maior visão do conjunto das necessidades da Igreja no mundo inteiro.

Todos eles viveram a profunda experiência dos Exercícios Espirituais, que Inácio havia escrito, e decidiram consagrar suas vidas a Jesus Cristo. Por essa razão, escolheram o nome de Companhia de Jesus para sua nova congregação.

Esse desejo de servir a Cristo por meio de seu representante, o Papa, concretiza-se no assim chamado Quarto Voto dos jesuítas. Esse voto consiste em estar dispostos a aceitar qualquer missão que venha do Papa.

Apesar de hoje as condições sociais e econômicas em várias partes do mundo serem bastante diferentes do que acontecia em tempos de Inácio, os jesuítas de todos os continentes estão recebendo sólida formação espiritual, inclusive vivendo um retiro de 30 dias no início e no final da formação, isto é, os Exercícios Espirituais de Inácio. Todos os jesuítas colocam-se à disposição para seguir a Jesus Cristo, na Igreja e no mundo de hoje.

Durante a 35ª Congregação Geral da Companhia de Jesus (janeiro – março/2008), o Papa Bento XVI confiou aos jesuítas a missão de levar o Evangelho às “fronteiras” da fé, da cultura e da sociedade civil. O Santo Padre expressou a sua confiança e a de toda a Igreja na capacidade que a Companhia de Jesus tem de levar a cabo essa missão.

Espiritualidade:
Imprimir as pegadas de Deus em toda a parte, sabendo que o Espírito de Cristo está ativo em todos os lugares e situações; em todas as atividades e mediações que procuram torná-Lo mais presente no mundo. A espiritualidade leva-nos a sujar os pés e as mãos nas favelas, nas regiões pobres, a gastar o corpo em vista dos demais. O ESPÍRITO a animá-la escreve-se em caixa alta e chama-se terceira pessoa da Trindade. Ela envolve-nos todos por dentro, move-nos o coração a lançar-se com coragem na entrega diária aos irmãos. Não há espiritualidade sem práxis cristã em que a pessoa inteira compromete-se com a transformação da realidade na linha da paz e da justiça.

Profundidade:
O olhar profundo atravessa a percepção dos cinco sentidos. Esses captam o exterior, as flores, as cores. A profundidade vai ao interior, à seiva, ao artista que gera a exterioridade. Nesse movimento, esbarramos no mundo do sentido maior que nos ilumina o pensar e nos motiva o agir. Em mergulho ainda mais fundo, tocamos a última fonte de toda realidade: o Sentido radical. Na fé cristã, chamando-o de Trindade. Atingimos a maior profundidade quando nos achegamos ao amor trinitário. Aí repousa o espírito.

Diálogo:
A palavra vai e volta. Ao ir, leva; ao voltar, traz. No encontro dialogal, os dois lados crescem. Se saírem como entraram, não dialogaram. Quando nos abrimos ao outro, habita-nos dupla experiência: a nossa identidade tem algo a dizer, enriquecendo o outro; e tem também limite a ser superado pela contribuição do outro. Em cada outro, na fé, experimentamos a presença do Outro divino. Todo diálogo fala de Deus, porque acreditamos no dom que Ele nos fez, derramou sobre o outro e transborda dos dois lados.

Ação:
Contemplativos na ação, amor que se manifesta em obras, ações, dedicação.

Fronteiras:
Imagem de distância, de desafio, de combate, de limite. A distância chama-nos para longe de onde estamos. Nada de ficar parado. O desafio arranca-nos da inércia espiritual, nada de acomodação. O combate chama-nos a enfrentar dificuldades, nada de medo e covardia. O limite permite-nos duas atitudes: humildade e ousadia. A humildade lembra-nos de que há fronteiras intransponíveis. Não somos onipotentes. A ousadia pede o contrário, que avancemos além delas. Fazemo-lo porque sabemos em quem confiamos (2Ti 1,12).

Desenvolvimento:
No sentido de ajudar o outro, crescer chama-se cuidado. Palavra carregada de sentido. Implica dois olhares. Volta-se para o outro a fim de lhe captar o coração, a vida, as alegrias, as dores. O outro percebe-se entendido, compreendido. Já se sente tocado. O segundo olhar destila amor. Perceber-se compreendido e amado atinge tão fundo a pessoa que ela se desembaraça das amarras e encontra em si forças para desenvolver-se. Verdadeiro nascimento. Tudo começa de novo, já agora sob o olhar da acolhida e do cuidado.

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Texto e Imagens: jesuitasbrasil.com.br

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