Hannah Arendt: sobre o mal banal

por  Alfredo Carneiro*

A filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975) ficou perplexa com o comportamento do carrasco nazista  Adolf Eichman durante o julgamento de Jerusalém. Eichman acreditava firmemente que não havia feito nada de errado — organizar a logística para matar milhares de judeus nas câmaras de gás — pois estava “apenas cumprindo ordens”.

 Arendt havia sido contratada pela revista The New Worker especificamente para acompanhar o famoso julgamento, e todos esperavam que ela rotulasse Eichman como um monstro, porém, ela chocou a todos ao afirmar que Eichman não era sequer antissemita, mas apenas um sujeito raso e medíocre que agia de forma irrefletida. Era alguém absolutamente normal; um mero burocrata.

Nascia assim o famoso conceito de “mal banal“, onde Arendt nos mostra como são possíveis as grandes tragédias de nosso tempo graças à massa de pessoas que vivem sem pensar, conformando-se com a violência e a injustiça, como se fossem coisas normais. O mal de nosso tempo, então, repousa naqueles que não se espantam diante do absurdo óbvio, já é compreendido como corriqueiro e normal.

Hannah Arendt foi também a mais famosa discípula de Heidegger, e interpretou vários acontecimentos de seu tempo de forma brilhante, como o lançamento da satélite soviético Sputnik ocorrido em 1957.

A pensadora entendeu a exploração espacial como um desejo humano de superar nossa condição terrena, mesclando assim ciência, filosofia e psicologia. Esta reflexão abre o prólogo de seu livro A Condição Humana.

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* Alfredo Carneiro – Graduado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília.
In netmundi.org

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