O caminho que Ensina, o Pão que Liberta, a Cruz que Perdoa

Por Edilson de Carvalho

Antes de começarmos esta reflexão, precisamos entender quem são os Tiagos que aparecem nas Escrituras, como apóstolos de Cristo.

No evangelho de Mateus, podemos encontrar o nome dos 12 apóstolos, na passagem 10,2; “Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, também chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, o filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes”.

Mateus nos indica que o primeiro Tiago Maior que é filho de Zebedeu e o segundo Tiago o Menor é filho de Alfeu, nenhum dos dois, portanto, são irmãos de Jesus Cristo, porque o pai de Jesus Cristo se chama José. Pelo menos, enquanto referência histórica, pois – pelo Mistério da Encarnação – sabemos que Jesus é fruto da Ação direta do Espírito Santo e, assim, José era um göel, o protetor de Jesus, não seu pai biológico.

Cléofas, no hebraico antigo também é chamado de Alfeu, é irmão de José pai de Jesus Cristo, sendo então Cléofas, tio de Jesus Cristo. Conforme o historiador Hegesipo, nos deixou em seus escritos.

Podemos afirmar seguramente que os dois discípulos de Emaús são: Cléofas e Maria, tios de Jesus.

Em Mc 15,40, Lc 24,10 e João 19,25, sabemos quem é a esposa de Cléofas, Maria, cunhada de Maria, a Mãe de Jesus.

Diante do esclarecido, vamos ao nosso texto, que é nossa opinião ser a mais bela e importante perícope evangélica. Cheia de amor, esperança: prova maior do próprio amor de Deus!

A primeira aparição de Jesus Cristo ressuscitado.  

O caminho de Emaús (Lc 24,13-35)

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.

Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o e conheceram. Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam. Com o rosto triste, um deles chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?

Precisamos destacar algumas observações a respeito desta perícope que vai contribuir com nossa reflexão;

 – A aproximação de Jesus, – Estavam cegos, – Que ides conversando pelo Caminho? – Rosto triste, – os acontecimentos dos últimos dias.

Jesus se aproxima e caminha com eles. Para o evangelista Lucas, é importante o caminhar. É neste método que Jesus anuncia a Boa Notícia, e aqui, no Caminho para Emaús, ele fez sua primeira aparição. Escolheu seus familiares, isto é, seus tios. Importante a atenção especial que Jesus dá à família, cumprindo a promessa da presença de Deus conosco.

Fato de grande estranheza para nós, é que os tios não reconhecem o próprio sobrinho. Podemos entender a presença do próprio Deus ressuscitado, caminhando, acolhendo sua comunidade que perdeu a esperança.

Voltemos à perícope: Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”.

A tristeza se abateu sobre os discípulos de Jesus, eles esperavam uma entrada triunfante em Jerusalém, como as que estamos acostumados a assistir em filmes de guerra, um rei poderoso, que destrói o inimigo sem piedade alguma, com os anjos lhe apoiando, enfim:  é esta a imagem que os oprimidos e marginalizados pelos impérios da época esperavam  seu messias.

Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele.

Durante a caminhada, Jesus recorda os profetas, fala das Escrituras bíblicas que narram como seria a chegada do Messias. Mas não entenderam, pois acreditavam piamente em um messias guerreiro, que libertaria a todos de forma sangrenta e avassaladora. E mais: de qual liberdade se tratava a ação desse Messias?

Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e à noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.

Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

Rostos tristes com os acontecimentos a respeito do assassinato de Jesus Cristo, crucificado na cruz. Símbolo de humilhação maior. Apenas os maiores malfeitores tinham este fim. Para seus discípulos, foi algo inaceitável. Como pode o Messias, ungido por Deus e enviado pelo Espírito Santo, ter morrido e desta forma?

Durante o caminhada, a Sagrada Escritura faz arder seus corações, alimentando o espírito dos discípulos. E na partilha da mesa eucarística, no sangue derramado na cruz o Pão partilhado, que estão os sinais de cura. Neste instante, o Deus conosco se revela a quem quer voltar a abrir os olhos. Assim, os discípulos estavam cegos e abrem os olhos. É na partilha do Pão que os sinais de morte, desesperança, desânimo, transformam-se em sinais de vida e esperança (Lc 24,13-35).

Com os olhos abertos, voltam à Jerusalém para avisar aos outros. Avisar à comunidade cristã de tudo o que aconteceu. Estão alegres, maravilhados, glorificando a Deus. Assim é o ser “cristão”. É reunir a comunidade que participa da partilha do Pão, caminha com a sua comunidade nas estradas da vida, acolhendo, anunciando a Boa Notícia, a notícia que cura, que liberta, que ampara, que traz a esperança para quem está nas periferias em busca do Deus que se revelou.

Deus está conosco, construir seu Reino na pedagogia do caminho de Emaús, é nossa responsabilidade dar continuidade a este Projeto. Sendo sinal de misericórdia, como nosso Pai é misericordioso (Lc 6,36).

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