A Vitória de Jesus

Dom Francisco Carlos Bach
Bispo da Diocese de Joinville (SC)

O cristianismo é uma religião que exalta a Vida, portanto é de vivos. Nestes dias recordamos que Cristo, enquanto Deus, jamais experimentou a morte, mas como homem sofreu a derrota entregando-se aos algozes, para nos remir do pecado. São Paulo nos diz: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa fé” (1 Cor 15,14).

Toda a liturgia do Tríduo Sagrado, mesmo na Sexta-feira Santa, ao recordar o Calvário, exprime a certeza da superação da derrota momentânea a ser alcançada na Ressurreição. Toda a celebração se concentra nesse seu cume. Há uma cerimônia de rara beleza que traduz, em seu simbolismo, toda essa verdade: a Vigília da Páscoa. Ela se inicia com a bênção do fogo que ilumina as trevas em que está mergulhado o templo. A luz é o Cristo que vence a escuridão em que viviam os homens e toda a criação.

Os judeus, em uma noite no Egito, esperavam a passagem do Senhor, pois os libertaria da escravidão do Faraó, como nos narra o Livro do Êxodo. A procissão com o Círio aceso traz à nossa memória o povo eleito caminhando para a Terra Prometida, iluminado e guiado por uma coluna de fogo. A segunda parte dessa Vigília revive, com as leituras bíblicas, toda a História da Salvação. A este mundo chega a luz de Cristo. Completa-se essa etapa da Vigília Pascal com o canto do Glória e a Proclamação da Ressurreição do Senhor. A terceira parte envolve a nossa participação, através do Batismo que nos integra no próprio Corpo Místico de Cristo.

Com o Domingo de Páscoa, encerra-se o Tríduo Sagrado. A Páscoa deve ser celebrada com toda a solenidade possível. Durante 50 dias essa alegria perdura e se completa com a solenidade de Pentecostes. Durante esse período, o Círio Pascal ocupa um lugar de honra nas cerimônias, é a Luz de Cristo que continua a iluminar e a guiar o ser humano.

O efeito característico do Domingo da Ressurreição e do período litúrgico que o segue é a alegria. Quem a confunde com o deleite dos sentidos e das paixões, jamais entende o júbilo dos cristãos, por viverem segundo os ensinamentos de Cristo e, de modo especial, quando se unem à sua vitória sobre o túmulo. Em sua Encíclica “Sollicitudo Rei Socialis”, João Paulo II lembra que a posse dos bens terrenos não traz consigo satisfação verdadeira. Não é o “ter” que corresponde às esperanças do coração humano, mas o “ser verdadeira criatura, feita à imagem do Senhor”. Sente-se verdadeira pessoa quem deixa transparecer esses traços divinos.

Celebremos a vitória de Jesus, a Páscoa do Senhor. Alimentemos com esta verdade nossa existência. Abramos o coração à alegria verdadeira e duradoura, a que vem do Senhor e a Ele nos conduz. Na alegria pela Ressurreição de Cristo, desejo a todos uma santa e feliz Páscoa, tempo de vida renovada, que o próprio Filho de Deus conquistou para nós por sua Paixão e Morte.

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CNBB

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