A Família Educadora de Nazaré e a nossa Família

Por Hermes Fernandes

Estamos caminhando para o fim da Quaresma. A Campanha da Fraternidade de 2022 nos convidou a refletir sobre a educação. Hoje pensava sobre a Família de Nazaré e a educação. Gostaria de partilhar este pensar com você, caro leitor, cara leitora.

Não conhecemos muito sobre a infância de Jesus. Mesmo sabendo que aquele menino era fruto da criatividade salvadora de Deus, coube a José e a Maria educá-lo. Nos valores humanos, nos valores judaicos. Não é atoa que os Evangelhos nos apresentam Jesus com afazeres religiosos e familiares comuns aos costumes de seu tempo. Quando completaram os dias da purificação, Jesus foi apresentado no templo, segundo a lei de Moisés (cf. Lc 2,22-35). Conforme nos relata ainda Lucas, Jesus seguia com seus pais nas peregrinações à Jerusalém todos os anos, cumprindo os costumes de uma família judaica (cf. Lc 2,41-52). Nesta mesma perícope evangélica, consta que Maria dá um puxãozinho de orelha em Jesus, por seu sumiço na caravana, deixando a eles, Maria e José, muito aflitos. Uma mãe educando seu filho, mesmo que este estivesse se ocupando das coisas do Pai. Mesmo sendo Jesus fruto do mistério da encarnação, nada fez com que aquela família se furtasse à responsabilidade de educar o Menino Jesus.

A identidade pedagógico-educativa da Família de Nazaré, sintetiza as linhas mestras de uma educação centrada na pessoa, segundo a concepção cristã do homem e da vida. Assim devem incorrer nossas famílias, continuadoras do Projeto de Jesus. Considere-se, portanto, irrenunciável o protagonismo dos pais na educação dos filhos, com quem a Igreja colabora em sua indelegável tarefa de formação, a fim de assegurar uma ação educadora interativa entre Igreja, sociedade e família. Esta concepção pretende promover uma educação completa, integral, que favoreça o desenvolvimento pleno dos pequeninos e se manifeste em todas as dimensões que caracterizam a unidade da pessoa e da ação educativa.


Não obstante as muitas dificuldades com que se confrontam as famílias de nossos tempos, devemos sempre ter como ponto de partida nossa relação de fidelidade com o batismo. Assim como nos apresentam muitos dos Documentos da Igreja, a família é o início da vivência dos valores religiosos e humanos. Em casa, devemos aprofundar nossa vocação à comunidade cristã. Aprofundar o sentido de nossa Iniciação à Vida em Cristo.

Entre tantas dificuldades que vivem nossas famílias, a falta de referência dos valores evangélicos é algo de irrefutável relevância. Enquanto muitos pais labutam em plantar sementes do evangelho no coração de seus filhos, não são poucos os que propõem valores contrários, influenciando crianças e jovens em sua formação, deturpando a visão de mundo que devem construir. É nesta equação com resultados nada alvissareiros, que se suscita uma aliança necessária entre as famílias, as comunidades de fé e as instituições de ensino. Enquanto o perigo das drogas, do desvio na formação do caráter, do valor dos princípios éticos ameaçados; urge um compromisso sério de todos pelo bem de nossas crianças e jovens. Não podemos esquecer a grande dificuldade em que vivemos de se assumir os custos de uma instrução adequada para que possam nossos jovens galgar seu lugar no mundo, enquanto realização profissional. O poder público se mostra – cada dia mais – descomprometido com a educação. Há até quem defenda que a instrução necessária para a profissionalização é algo próprio aos “bem nascidos”. Com isso, negam os direitos fundamentais defendidos por nossa Constituição Federal. Educação é um Direito e não um privilégio das elites.

Como podemos ver, não são poucos os desafios. A Campanha da Fraternidade nos impulsiona ao compromisso com a educação. Que não se apague essa chama de nosso coração. Que este não seja um tema abordado somente nesta Quaresma, mas que tomemos como desafio e compromisso permanente em nossas vidas. A educação pode transformar nossa sociedade e aprimorar nosso viver da fé. Que repitamos em nossos corações as reflexões da Campanha da Fraternidade e, alimentados por esse exercício espiritual, nos empenhemos por construir um mundo mais digno e humano para todos. Certamente, este caminho também depende da educação. Que a Família de Nazaré nos inspire, anime e abençoe!

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