O profeta Ezequiel

Por Nilo Luza

Ezequiel, filho de Buzi e sacerdote de Jerusalém, foi levado para o exílio na Babilônia, em 597 a.C. Exerceu sua atividade profética junto aos exilados por volta de 593 a 571 a.C. Profetizou antes e depois da destruição de Jerusalém (586 a.C.).

Por volta de 593 a.C., Ezequiel recebe o chamado de Deus a ser profeta, sentinela da casa de Israel. É avisado que encontrará dificuldade e resistência à sua pregação, pois a “casa de Israel” tem cabeça dura e coração de pedra.

Ezequiel é uma pessoa aberta a mudanças: de sacerdote passa a profeta; da atuação no meio da elite do templo passa a atuar junto aos deportados; do Deus da instituição do templo reconhece o Deus dos deportados. Ele sabe conciliar a missão profética e o espirito sacerdotal. Além disso, rompe com a ideia de que Deus esteja ligado ao santuário.

Podemos dizer que há dois momentos na vida do profeta: primeiro (1-24): antes da queda de Jerusalém, quando Ezequiel recebeu a vocação profética (593 a.C.) até a ruína da Jerusalém (586 a.C.) é a fase da denúncia e oráculos de condenação das autoridades. Segundo (25-48): após a queda de Jerusalém (586 a.C.) até o fim de sua missão (571 a.C.). É a fase do anúncio de esperança, da animação, e oráculos de libertação aos deportados.

O profeta procura conscientizar os exilados a não se rebelar contra os babilônios, pois isso seria um massacre. Quando acontece a destruição de Jerusalém e a segunda deportação, Ezequiel exorta os exilados, “o resto de Israel”, a se prevenirem contra a idolatria e lhes mostra o “caminho da conversão”: volta para Deus e para a comunidade restaurada em Jerusalém. Podemos dividir o livro de Ezequiel em quatro partes:

1) Oráculos de julgamento contra Jerusalém (1-24): Depois de apresentar a vocação, Ezequiel, sentinela do povo, anuncia, com gestos simbólicos, o cerco e a destruição de Jerusalém. O profeta não deve temer pelos seus adversários. O autor narra aos exilados o castigo dos “lugares altos”, santuários onde se adora os ídolos e se pratica a injustiça e a violência. Tudo será devastado pelos invasores e ninguém poderá ajudar: nem o sacerdote, nem os anciãos, nem o rei. Por causa das abominações, a glória de Javé se afasta do templo e da cidade. Por meio de gestos simbólicos e alegorias, o profeta anuncia o juízo sobre Israel, contra os falsos profetas e denuncia a idolatria. Fala sobre a responsabilidade pessoal, Deus recompensa conforme a conduta de cada um. A parábola da vinha, considera os habitantes de Jerusalém como vinha infiel e inútil. A seguir o autor apresenta a história do casamento, Jerusalém é vista como esposa infiel a Javé.

2) Oráculos contra as nações estrangeiras (25-32): Nestes capítulos são anunciados oráculos contra as nações inimigas e vizinhas de Israel. São nações que contribuíram com a queda de Jerusalém ou se alegraram com sua queda.

3) Anúncios de salvação para o povo de Israel (33-39): A função do profeta é ser sentinela para a casa de Israel, para que mude de comportamento e viva. Além disso, procura animar o povo exilado e alimentar a esperança do retorno. O profeta denuncia os falsos pastores de Israel, que são pastores de si mesmos. Deus é visto como verdadeiro pastor de Israel, pois ele procura reunir, cuidar e conduzir suas ovelhas. No capítulo 37 temos a famosa alegoria dos ossos secos, que simbolizam a situação de Israel no exílio, é um episódio carregado de esperança. Quando já não há esperança de vida, o espírito de Deus sopra, recria e restaura o povo. O espírito de Deus reanima a esperança e faz reviver. A palavra de Javé vence a morte.

4) Visão da nova Jerusalém e do povo restaurado (40-48): A última parte do livro descreve minuciosamente a visão utópica da nova realidade de Jerusalém e do seu templo, por ocasião da volta do exílio. Depois de se afastar, a glória de Javé retorna à cidade santa, onde habitará para sempre no meio dos filhos de Israel. Do altar nascem as águas abundantes, geradoras de vida. O templo é visto como fonte da bênção de Deus.

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Paulus

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Nilo Luza nasceu em 1947, no Estado do Rio Grande do Sul. Ele é religioso da Congregação dos Padres e Irmãos Paulinos. É graduado em Filosofia e Teologia. Desenvolve sua missão paulina na redação do Semanário Litúrgico Catequético O Domingo e de Liturgia Diária.

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