Liturgia: A celebração como ato comunitário

Por Manoel Gomes

Certamente, muitos de nós temos boas recordações de momentos, vividos em família ou em comunidade, marcados por muita alegria, partilha de vida e companheirismo. De modo geral, esses momentos acontecem em torno de uma mesa farta onde, além da vida, partilha-se também o alimento.

Mas também na cotidianidade da vida a mesa ocupa um lugar muito relevante. É em torno dela que a família se reúne e cada um de seus membros pode sentir-se parte daquele todo forte e unido. Hoje, infelizmente, são cada vez mais comuns famílias que não se reúnem para refeições à mesa, são como estranhos dentro da mesma casa. Reflexos desse novo modo de ser já pode ser sentido de diversas maneiras em nossa sociedade.

Na celebração da fé cristã – por ser celebração da vida – a mesa ocupa também um lugar central. Toda celebração litúrgica é um momento marcadamente comunitário e o encontrar-se ao redor da mesa e partilhar o mesmo pão e o mesmo vinho é sinal dessa unidade de todos os membros da assembleia. Quando se vai participar de uma celebração litúrgica deve-se ir com a consciência de tomar parte em uma ação comum. Já não se trata de cada um ir pedir por suas intenções, mas celebrar, como um só corpo, o mistério de Cristo.

As Diretrizes Gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil apresentam exigências da celebração entendida como ato comunitário: “presença, acolhida das pessoas, cuidado e afeto pelos outros” (DGAE, 94).

Podemos nos perguntar até que ponto esses elementos estão presentes em nossas comunidades. Será que as pessoas que participam de nossas celebrações têm o mínimo de conhecimento mútuo? Muitas vezes as nossas igrejas se parecem com uma sala de cinema na qual cada um ocupa o seu lugar, sem nenhum envolvimento com os outros que estão na mesma sala. A acolhida nas nossas comunidades não deveria ser tarefa somente das equipes de acolhida, mas atitude compartilhada por todos os que as compõem.

A Eucaristia é o centro de toda a vida cristã. Como nos recordam as já citadas Diretrizes Gerais, “a comunidade eclesial tem na Eucaristia a sua mesa por excelência: memorial da Páscoa do Senhor, banquete fraterno, penhor da vida definitiva” (id.). Já foi dito que “a Eucaristia edifica a Igreja, e a Igreja faz a Eucaristia” (Ecclesia de Eucharistia, 26). É nessa relação que vamos sendo alimentado nessa mesa e nos tornando discípulos e missionários de Jesus.

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Paulus

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Manoel Gomes é religioso da Congregação dos Padres e Irmãos Paulinos, bacharel em teologia pela Faculdade de São Bento de São Paulo. É autor do livro “Como rezar a liturgia das horas” e co-autor da obra “Fala Jovem”, ambos publicados pela Paulus Editora.

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