Carta aos sacerdotes: “Casa” hospitaleira, de portas abertas, o verdadeiro rosto da Igreja

“O objetivo do Sínodo não é produzir documentos, mas fazer germinar sonhos, suscitar profecias e visões, fazer florescer uma aurora de esperança, estimular confiança, enfaixar feridas, fomentar relações, aprender uns dos outros, iluminar as mentes, aquecer os corações, recuperar as forças”, diz a carta da Congregação para o Clero

A Congregação para o Clero enviou uma Carta aos Sacerdotes do mundo inteiro, para aprofundar um tema que interessa a todos: “A Igreja de Deus é convocada em Sínodo“.

Assim começa o documento preparatório para o Sínodo 2021-2023. Durante estes dois anos, todo o Povo de Deus é convidado a refletir sobre o tema: “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e Missão”. Trata-se de uma novidade que pode suscitar entusiasmo, mas também perplexidade.

No primeiro Milênio, a expressão “caminhar juntos para praticar a sinodalidade”, era o modo usual da ação da Igreja. O Concilio Vaticano II trouxe à luz esta dimensão da vida eclesial, tanto que São João Crisóstomo afirmou: “Igreja e Sínodo são sinônimos”.

Hoje, nosso mundo precisa urgentemente de fraternidade e quer encontrar Jesus. Mas, como? Escutando o Espírito, junto com o Povo de Deus, renovando nossa fé e buscando novos caminhos e linguagens, para levar o Evangelho aos nossos irmãos e irmãs.

O processo sinodal, que o Papa Francisco nos propõe, tem precisamente este objetivo: “Colocar-nos a caminho, juntos, na escuta recíproca e na partilha de ideias e projetos, para mostrar o verdadeiro rosto da Igreja: uma “Casa” hospitaleira, de portas abertas, onde mora o Senhor e animada por relações fraternas”.

Porém, para não cairmos nos riscos apontados pelo Papa Francisco, como o formalismo e o intelectualismo, é importante abrir o coração e escutar o que o Espirito sugere às suas respectivas Igrejas.

Isso poderia causar temores: os sacerdotes, em muitas partes do mundo, arcam com um grande ônus pastoral. Aos invés de multiplicar suas atividades, devem encarar suas comunidades com um olhar de contemplação, participação e partilha.

A atual fase diocesana do processo sinodal visa, de fato, “colher a riqueza das experiências da sinodalidade vivida”: aprender, valorizar e ajudar-se mutuamente. Eis o estilo sinodal específico do modo de viver e agir da Igreja, Povo de Deus”.

Outro aspecto, que poderia causar temor, é a demasiada ênfase que se pode dar ao sacerdócio comum dos batizados e ao sensos fidei do Povo de Deus. Por isso, deve-se descobrir a igualdade fundamental de todos os batizados, encorajando os fiéis a participar ativamente do caminho e da missão da Igreja e compartilhar da responsabilidade da evangelização. Assim, poderá vir à tona, de modo novo, o carisma peculiar dos ministros ordenados de servir, santificar e animar o Povo de Deus.

Neste sentido, a Congregação para o Clero, pede uma tripla contribuição dos sacerdotes para o atual processo sinodal: “Fazer o possível para que o caminho seja baseado na escuta e na vivência da Palavra de Deus e não se transforme em ideologia”; Fazer com que este caminho seja caracterizado pela mutua escuta e aceitação, mediante um profundo diálogo e não individualismo”; “Cuidar para que o caminho não leve à introspecção, mas ao encontro de todos: comprometendo-se com as feridas da humanidade, sendo uma Igreja que caminha, escuta e se põe ao serviço dos pobres e periferias do mundo. Em suma, uma Igreja em saída”.

Em sua ultima Encíclica “Fratelli Tutti”, o Papa Francisco pede para nos comprometer-nos com nossos irmãos e irmãs de outras Igrejas, de outras religiões e todas as pessoas de boa vontade: fraternidade universal e amor sem exclusões.

A Congregação para o Clero conclui sua Carta aos Sacerdotes desejando que, a partir destas prioridades, poderão encontrar meios e iniciativas concretas, porque a sinodalidade é “o chamado de Deus para a Igreja do terceiro Milênio”, apesar das inúmeras dificuldades.

Por fim, a Congregação propõe aos Sacerdotes uma espécie de “vade-mécum”, desejando a todos um alegre frutífero caminho sinodal: “A capacidade de imaginar um futuro diferente para a Igreja, segundo a sua Missão, mediante a escuta, o diálogo e o discernimento comunitário, para que todos possam participar e contribuir”.

“O objetivo do Sínodo não é produzir documentos, mas fazer germinar sonhos, suscitar profecias e visões, fazer florescer uma aurora de esperança, estimular confiança, enfaixar feridas, fomentar relações,  aprender uns dos outros, iluminar as mentes, aquecer os corações, recuperar as forças”.

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Vatican News

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