Eu acredito em Pe. Fábio…

Por Hermes Fernandes

É sabido que muito dos padres que estão na mídia se identificam com a Renovação Carismática Católica. Por isso, têm a aprovação majoritária dos que se identificam com esse carisma. Em contrapartida, são criticados pelos que não se identificam com este movimento eclesial. Lamentavelmente, ainda há quem pense a Igreja enquanto castas, grupos, partidos. Não percebem que a reflexão de São Paulo em sua Carta aos Romanos sobre a importância de cada membro do corpo, pode se referir à importância dos muitos carismas na Igreja (cf. Rm 12,4-5). Todos somos corpo de Cristo, Igreja de Jesus. Por isso, indiferente do perfil que tenha cada um de nossos cristãos/ãs católicos/as, somos todos Igreja, Povo de Deus a caminho. Precisamos combater em nossos corações essa birra infantil que temos para com o diferente. Este pode ser um membro diferente do Corpo de Cristo, mas é parte da totalidade. A mão é diferente do olho, mas o ofício da primeira se faz quase impossível sem o segundo.

A Igreja de Jesus precisa entender a importância de todos, sobretudo, daqueles que vão onde não queremos ir. São, como não pretendemos ser. Fazem o que não nos dispomos a fazer. O ser Igreja é ministério. A palavra ministério tem proximidade com serviço. O trabalho é resposta a um desafio. Você precisa saber o que deseja fazer e pôr-se ao trabalho. O que não faz, deixe que façam. Respeite quem faça. Viva e deixe viver.

Pensando em tudo isso, veio-me o desejo de escrever este texto. Há muitos textos, vídeos, posts que atacam alguns dos padres cantores. Há quem fale absurdos, há quem fale algo pertinente. Entre estes criticados, está o Pe. Fábio de Melo. Atacam-no taxando como vaidoso, midiático demais, produto da Igreja show business. Que deveria estar mais nas comunidades e menos diante das câmeras. Discordo! A pessoa deve servir segundo seus dons, pelo bem do Reino de Deus!

Não conheço Pe. Fábio em proximidade. Nunca estive pessoalmente com ele. Infelizmente, claro! Vejo-o como a grande maioria do Povo de Deus o vê: pelas mídias. Neste sentido, minhas palavras são por desejo de justiça e não por solidariedade afetiva. Claro, Pe. Fábio é meu irmão! Na fé. No ministério. Porém, minha palavra é fruto do desejo por justiça. Mesmo que eu não o tenha visto em uma paróquia, trabalhado com ele animando pastoralmente uma comunidade, já presenciei o quanto Pe. Fábio foi instrumento de Deus.

Em nosso caminhar, temos contato com muitas pessoas. Algumas em bons momentos na vida, partilhando este gozo conosco. Outras, em momentos de muito sofrimento. Foi nestes muitos encontros que conheci uma senhora, a quem chamarei aqui de Salete. Claro, nome fictício. Esta amiga é adicta. Reconhece-se dependente do Crack. Esta droga que destrói muitas vidas em nossa sociedade. Há seis anos, Salete está abstemia. Longe desta perigosa dependência. Em uma conversa com ela, animando juntos grupos que tentam ajudar aqueles/as que ainda estão perdidos/as, escravizados/as por esse sofrimento; fiz grandes elogios ao seu esforço. Sua coragem, a qual, possibilitou libertar-se. Ela me contou a história de sua luta para vencer a dependência química. O que partilho com você, caro leitor.

Salete me contou que já havia morado nas ruas. Ou melhor, esteve em situação de rua. Sua dependência de uso do crack chegou a tamanha violência que perdeu o contato com a família, sua disposição em manter um trabalho, seu sonho por futuro. A vida de Salete se tornou uma angustiante busca pela substância. Negando-lhe a capacidade de sonhar, de viver em família e em comunidade. Escrava do desejo pelo próximo trago. Até o dia em que uma ambulância do SAMU veio lhe resgatar e levar ao Pronto Socorro. Estava prestes a morrer. Derrotada pela droga. Foi um susto! Agora, naquele leito do pronto atendimento ambulatorial, ninguém a lhe visitar. Nenhuma família a ser avisada de que sua parente estava em internação hospitalar. Salete não perdera só a saúde. Perdera tudo. Estava sozinha.

Durante seu tempo de recuperação hospitalar, a assistência social lhe ofereceu a oportunidade de buscar ajuda em uma casa de reabilitação, uma comunidade terapêutica. Lá, teve oportunidade de tomar consciência de sua história. Era uma entidade católica. Por isso, teve acesso a vários livros e vídeos cristãos. Durante os nove meses que esteve lá, todos os dias, usava de seu tempo livre para assistir algumas pregações de um padre que tinha palavras que tocavam seu coração. Como se ele conhecesse a dor de Salete. Este padre não ia à comunidade terapêutica onde ela estava. Assistia suas pregações e ouvia suas palavras pelo YouTube, ou vídeos em DVD.

O tempo foi passando. Salete decidiu trazer para sua vida as pregações que ela ouvia. Buscou aprofundar sua fé. Fez preparação para o Crisma, também para a primeira de suas – agora – diárias comunhões eucarísticas. Salete tornou-se uma Cristã Católica preparada e comprometida.

Hoje, esta que viveu pelas ruas sendo destruída pelas drogas, trabalha em uma comunidade terapêutica. Está no quarto período do Curso de Serviço Social. É leiga engajada e em comunhão com sua diocese, dedicando-se aos jovens e às pessoas em situação de rua. Se perguntarmos para Salete como tudo começou, ela – com o sorriso da certeza – nos responde: Deus me falou. Não só me chamou à liberdade, me intimou a ser agente de libertação! Nas palavras daquele padre estava a Palavra de Deus!

Este padre se chama Fábio de Melo.

Mesmo que alguém seja diferente do que somos, que acredite em algo diferente do que cremos; não significa que não seja nosso irmão e que ele, com seus passos diferentes, não esteja no mesmo caminho que galgamos. Todos somos chamados ao serviço a Deus. Serviços diferentes, em uma mesma obra. Salete teve sua vida reconstruída. Alguém teve grande importância nesta reconstrução, mesmo sem saber. Alguém que anunciava a Palavra Certa, na Hora Certa. Mesmo sem perceber, salvou e fez salvar. Salete descobriu a liberdade e a dinâmica libertadora de Deus pelas palavras de Pe. Fábio de Melo.

Eu acredito nisso. Acredito e amo Pe. Fábio de Melo!

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