Jesus e a espiritualidade do caminho

Leia a reflexão sobre Lucas 6,39-45, texto de Marcos Aurélio

Hoje vamos refletir sobre o trecho do Evangelho de Lucas, Capítulo 6,39-45, ocasião em que Jesus faz a pedagogia da comparação, da árvore infrutífera e de um cego que inutilmente guia outro cego, Jesus ensina a seus discípulos e discípulas a prática da espiritualidade libertadora, sem as algemas da hipocrisia religiosa, propõe um novo caminho de liberdade.

A denúncia de Jesus quanto a prática da hipocrisia religiosa do seu tempo foi um dos principais temas do ensino de Jesus junto aos seus discípulos e discípulas. Em várias ocasiões, quando Jesus ajuntava o povo para ensinar sobre as boas novas de libertação, o assunto da hipocrisia dos religiosos estava em pauta. Jesus era sincero, amoroso e objetivo quando questionava a espiritualidade dos Fariseus, escribas e de outros grupos religiosos que existiam na região da Judeia, essa corajosa atitude de Jesus causava ódio aos seus opositores, que sempre, de maneira astuta procuravam motivos para lhe imputar crimes contra Deus e a religião.

A hipocrisia é amiga da falsidade. É percebida em uma espiritualidade fundada no rigor da lei, impregnada de legalismo, que impõe às pessoas regras obscuras, muitas delas impossíveis de cumprir. Por esta razão, Jesus observa que são cegos guiando outros cegos aos precipícios, sepulcro caiado, por fora, é admirável a sua beleza, contudo por dentro, exala o mau cheiro da podridão. É uma espiritualidade falsa, apenas de aparência, não se concretiza na vida, mas em meros discursos vazios, está dentro de nós! Como podemos perceber na fala de Jesus: O que contamina o homem não é o que entra, mas o que sai do seu coração, pois nele habita os mais perversos sentimentos.

A hipocrisia religiosa é contrária ao amor. Ora, é possível obedecer as muitas práticas de nosso seguimento religioso, oração, dízimo, culto,   etc.. contudo ser vazio de compaixão. A parábola do bom Samaritano se resume a esse ensino. Certa vez Jesus questionou a espiritualidade dos Fariseus, que se achavam cumpridores fiéis da lei de Deus. Entregavam o dízimo e ofertas da colheita, mas desprezavam o mais importante: a justiça, a misericórdia e a fé, três pilares de relevância na caminhada de libertação com os pobres.

A contradição entre o discurso e a prática é a forte marca de uma espiritualidade legalista-hipócrita. É um discurso acusador, que não enxerga e deficiência e fragilidade de si mesmo. O discurso é bonito, contudo logo perde sua veracidade em uma prática contrária. Jesus optou por não trilhar por esse caminho, por isso, certa vez na sinagoga muitos ficaram maravilhados com seu ensino, pois não ensinava como os Fariseus. Jesus falava de amor, compaixão, partilha e serviço, o que viveu na vida, na prática diária, Não se aliou aos opressores, optou por caminhar com o povo em um caminho de libertação, foi sua oposição a esse sistema que o levou a prisão, tortura e morte como preso político.

Hoje, o seguimento de Jesus não pode ser diferente. Todos e todas são chamados para viver a espiritualidade do caminho, da partilha, da esperança, da fé. A maioria dos cristãos no decorrer da história da igreja foram ensinados a obedecer as leis, a viver sob regras legalista, pouco foi ensinado sobre uma espiritualidade libertadora, sem algemas, livre do velho julgo da lei. É preciso desconstruir, urge recomeçar por um novo caminho, não o da verdade absoluta, do exclusivismo, mas da liberdade, pois não há esse absolutismo no caminho de Jesus, ninguém é dono da verdade, os que se acham detentores da lei e da verdade de Deus, se perderão em seu próprio caminho contraditório.

A Espiritualidade do caminho é cheia de alegria e esperança. Em tempos sombrios em que vivemos hoje, se faz urgente a prática da partilha, do acolhimento e da compaixão, não somente de palavras, mas de uma prática concreta, libertos de toda hipocrisia.

In CEBi

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