“Bem-Aventurados os Pobres” | Reflexão do 6.º Domingo do Tempo Comum

A propósito de Lc 6,17.20-26

Por Adriana Oliveira

A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo, leva-nos a refletir sobre o protagonismo que Deus e as suas propostas têm na nossa existência.

Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!

Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados!

Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir!

Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem!

Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois, será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas.

O Evangelho proclama “felizes” esses que constroem sua vida à luz dos valores propostos por Deus e infelizes os que preferem o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência. Sugere que os preferidos de Deus são os que vivem na simplicidade, na humildade e na debilidade, mesmo que, à luz dos critérios do mundo, sejam desgraçados, marginais, incapazes de fazer ouvir a sua voz diante do trono dos poderosos que presidem aos destinos do mundo.

A proposta de Jesus apresenta uma nova compreensão da existência, bem distinta da que predomina no nosso mundo. A lógica do mundo proclama “felizes” os que têm dinheiro, mesmo quando esse dinheiro resulta da exploração dos mais pobres. Os que têm poder, mesmo que esse poder seja exercido com prepotência e arbitrariedade. Os que têm influência, mesmo quando essa influência é obtida às custas da corrupção e dos meios ilícitos. Mas a lógica de Deus exalta os pobres, os desfavorecidos: é a esses que Deus Se dirige com uma proposta libertadora e a quem convida a fazer parte da sua família. O anúncio libertador que Jesus traz é, portanto, uma Boa Nova que enche de alegria os corações amargurados, os marginalizados, os oprimidos. Com o “Reino” que Jesus propõe aos homens, anuncia-se um mundo novo, um mundo de irmãos, de onde a prepotência, o egoísmo, a exploração e a miséria serão definitivamente banidos e onde os pobres e marginalizados terão lugar como filhos iguais e amados de Deus.

Vinte e um séculos depois do nascimento de Jesus, que é feito da sua proposta? Ela mudou alguma coisa no nosso mundo? Às vezes, contemplando o mundo que nos rodeia, somos tentados a crer que a proposta de Jesus falhou; mas talvez seja mais correto colocar a questão nestes termos: nós, testemunhas de Jesus, teremos conseguido passar aos pobres e aos marginalizados esse projeto libertador? Estamos colocando em pratica os ensinamentos de Jesus?

Fazemos parte dos “felizes” que verão o Reino dos céus: ou somos aqueles que usufruímos dos pobres e marginalizados, para nos beneficiar das riquezas terrenas?

2 comentários em ““Bem-Aventurados os Pobres” | Reflexão do 6.º Domingo do Tempo Comum

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  1. Muito bom quando Leigos e Leigas ousam em ler, refletir e passar suas impressões sobre o Evangelho de forma dedicada e sincera. Esta foi minha impressão sobre este texto. A Sra. Adriana ousou fazer uma homilia sobre o texto sagrado da Liturgia de hoje. Sem achismos, sem instrumentalização. Atualizando o texto pela mensagem do autor do evangelho e não segundo nossas convicções.

    Parabéns, minha irmã! Que você possa florescer como o cedro do Líbano, crescendo como as palmeiras. Seja sal e luz para o povo de Deus que, sempre, está ávido pela Palavra de Deus!

    Saudações em Cristo,
    Pe. José Anchieta.

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