População em Situação de Rua: Povo de Deus desabrigado

Por Hermes Fernandes

Recentemente, os noticiários nos apresentaram novos resultados sobre as estatísticas da população em situação de rua. São mais de 31 mil pessoas só na Capital do Estado de São Paulo. São homens, mulheres, crianças. Sob marquises, pontes, construções abandonadas, barracas. Os “sem-teto” buscam, onde podem, abrigo para si. Não são só vítimas de extrema pobreza. Sofrem marginalização, preconceito, desprezo de grande parte da sociedade.

Voluntários buscam amenizar a dura realidade dos moradores de rua de São  Paulo | National Geographic

Ainda mais: não satisfeitos com sua insensibilidade para com esses seres humanos, ainda objetam sobre eles certa injustiça moral. Não são raras as palavras de juízo de valor dirigidas a estes nossos irmãos e irmãs. Juízos, muitas vezes, caluniosos. Basta se deparar com uma pessoa em situação de rua que logo se ouve palavras de ódio: “são vagabundos, gente atoa”. Isso, quando não criminalizam a pobreza. Como se todo homem e mulher em situação de rua fossem criminosos. Não é raro ver policiais e guardas civis municipais dando o famoso “baculejo” nestas pessoas por razões de suspeita criminosa. “Sumiu algo em uma loja, foram eles”. “Algum transeunte teve seu celular furtado, foram eles.” Será? Isso quando não os sujeitam a toda sorte de ultrajes e truculências das forças coercivas por considerá-los suspeitos por sua situação social. O fato de estar em estado de extrema pobreza faz deles criminosos? Penso que não. Aliás, já vi sinais claros de riqueza moral nestes nossos irmãos e irmãs. Porém, como nos ensina o Evangelho de Jesus, os olhos veem e a boca diz, o que o coração tem em abundância (cf. Mt 12,34). E mais: o homem vê por imagens, Javé sonda o coração (cf. 1Sm 16,7).

Moradores de rua em São Paulo - 21/06/2019 - Cotidiano - Fotografia - Folha  de S.Paulo

As pessoas em situação de rua são seres humanos assim como todos nós. Precisam ser respeitadas em sua humanidade e defendidos seus direitos. Quem age de forma contrária a isso, fere os direitos fundamentais da pessoa humana, os direitos civis vigentes na Constituição Federal Brasileira e à Moral Cristã. Quem agride de forma moral ou física pessoas em situação de rua, é criminoso e incorre em grave pecado. Ademais, o abandono destes vulneráveis é sonegação de direitos e contraditório à vida cristã. Cristãos e cristãs insensíveis aos pequeninos de Jesus, desconhecem o ensinamento do Cristo e o Magistério da Igreja. Omissão diante do sofrimento dos empobrecidos é contradizente com a profissão de fé cristã. Contra o ser católico. A Igreja de Jesus tem, incondicionalmente, opção pelos empobrecidos.

Antes de ir ao Altar de Deus, vá ao Altar dos Pobres.

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