Medellín em gotas – parte 6: Vocação original da América Latina – um estudo de Frei Marcos Sassatelli, OP

A Introdução às Conclusões de Medellín – em sua última parte – leva-nos a tomar consciência da “vocação original” da América Latina e do Caribe.


Afirma: “Nesta transformação (que é libertação, que é salvação), por trás da qual se anuncia o desejo de passar do conjunto de condições menos humanas para a totalidade de condições plenamente humanas e de integrar toda a escala de valores temporais na visão global da fé cristã, tomamos consciência da ‘vocação original’ da América Latina: ‘vocação de unir em uma síntese nova e genial o antigo e o moderno, o espiritual e o temporal, o que outros nos legaram e nossa própria originalidade’”.


Quanta clareza e quanta profundidade encontramos nesta afirmação! E hoje? Será que nós – como Igreja – temos realmente consciência desta “vocação original” e a vivemos?


Por experiência própria, os bispos constatam: “Nesta Assembleia do Episcopado Latino-americano renovou-se o mistério de Pentecostes. Em torno de Maria como Mãe da Igreja, que com seu patrocínio assistiu a este continente desde sua primeira evangelização, imploramos as luzes do Espírito Santo e perseverando na oração, alimentamo-nos do pão da Palavra e da Eucaristia. Esta Palavra foi intensamente meditada”.


Tendo presente a realidade em que vivemos atualmente, podemos dizer que em nossas Assembleias e em nossos Encontros de Igreja renova-se – na presença de Maria, nossa Mãe – o mistério de Pentecostes?


Reparem o que dizem os participantes da Assembleia: “Nossa reflexão orientou-se para a busca de formas de presença mais intensa e renovada da Igreja na atual transformação da América Latina”. Hoje, temos essa preocupação? Em nossa ação evangelizadora, buscamos “formas de presença mais intensa e renovada na atual transformação da América Latina”? Não somos, muitas vezes, uma Igreja acomodada e alienada, que está por fora (e faz questão de estar por fora) dos desafios que a atual transformação da América Latina e do Caribe nos apresenta?


Os bispos apontam pistas concretas – que continuam plenamente atuais – para um plano de ação evangelizadora. Afirmam: “Três grandes setores, sobre os quais recai nossa solicitude pastoral, foram abordados em sua relação com o processo de transformação do continente. Em primeiro lugar, o setor da promoção do ser humano e dos povos do continente para os valores da justiça, da paz, da educação e do amor conjugal. Em seguida, nossa reflexão se dirigiu para os povos deste continente e suas lideranças (no lugar da palavra “elites” – que se presta a interpretações ambíguas – uso a palavra “lideranças”), que por estarem num processo de profunda mutação de suas condições de vida e de seus valores, requerem uma adaptada evangelização e educação na fé, através da catequese e da Liturgia”.


Reparem o que os bispos, em sua solicitude pastoral, colocam em primeiro lugar: “o setor da promoção do ser humano e dos povos do continente para os valores da justiça, da paz, da educação e do amor conjugal”. Fazemos o mesmo hoje?


Finalmente – dizem os bispos – “abordamos os problemas relativos aos membros da Igreja. E preciso intensificar sua unidade e ação pastoral através de estruturas visíveis, também adaptadas às novas condições do continente”. E terminam declarando: “As conclusões seguintes são o fruto do trabalho realizado nesta Conferência”.


Em síntese, até o presente – dentro do tema geral “Medellín em gotas” – nas primeiras três gotas destacamos, com algumas reflexões: o “Contexto histórico”, o “Método adotado” e o “Modelo eclesiológico”, que situam social e teologicamente a II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho; nas outras três gotas, o “Centro da atenção da Igreja”, o “Verdadeiro desenvolvimento” e a “Vocação original da América Latina” (incluindo também o Caribe), que são os pontos principais da Introdução aos documentos.


A partir de agora, nas próximas gotas (que, se Deus quiser, serão muitas) destacaremos, sempre com algumas reflexões, os pontos principais (ideias-chave) – que continuam atuais – dos 16 documentos da Conferência: Justiça, Paz, Família e Demografia, Educação, Juventude, Pastoral das massas, Pastoral das lideranças, Catequese, Liturgia, Movimentos leigos, Sacerdotes, Religiosos/as, Formação do Clero, Pobreza da Igreja, Colegialidade, Meios de comunicação social.

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Blog do Frei Marcos

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