Judaísmo e Cristianismo – Parte 73: Criação e Julgamento

Durante o ofício da manhã de Rosh Hashana, a comunidade repetirá várias vezes: “Hoje a criação do mundo, hoje são julgadas todas as criaturas do mundo, seus filhos, seus servidores, somos como filhos, seja misericordioso como um pai é para com seus filhos, se nós somos como servidores, nossos olhos se dirigem a Ti até que alcancemos graça”. O signo no zodíaco no mês de Tishri é justamente o da balança, I Julgamento é aqui associado à Criação. A tradição judaica relaciona aqui um conceito teológico com um princípio ético. Como se o ato de fé que consistiria em entender que fomos criados se tornasse o ponto inicial da consciência moral. A Criação é o ato fundador da fé hebraica, se existe um começo, então existe um sentido. Para a tradição bíblica  o ser humano não é uma evidência, mas é um permanente vir a ser. O esforço moral consiste em merecer o ser. Sim, como o demonstrou de forma importantíssima Bergson[1], nossa maneira de ser é para durar, não se trata de combater o tédio, mas muito mais se trata de dispor nosso tempo para passar da gratuidade do viver ao mérito do viver.


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[1] Henri Bergson (1859-1941), foi um diplomata e filósofo francês.

In: judaismoecristianismo.org

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