O que é Mistagogia

Mistagogia[1} é uma teologia dos primeiros tempos ao mesmo tempo que é um pedagogia, mais que uma metodologias, é um aprofundar nos mistérios de Deus, a palavra Mistagogia tem origem no grego é composta por ‘Mist’ vem de Mistério neste caso é conhecer algo que esta oculto e ‘agogia’  que significa ‘conduzir’, ‘guiar’. Então Mistagogia é condução ao mistério.

Para quem não conhece apalavra parece algo novo, mas Mistagógia é bem antiga desde do começo do cristianismo por volta do século III e IV.

A Mistagógia acontecia em um período especifico, no tempo pascoal, logo após o sacramento de iniciação os “neo-cristãos pessoas adultos recebe o batismo na vigília pascal e a crisma e dava inicio ao tempo da mistagogia, para explicar os sacramento e se aprofundar no mistério de Cristo.

Mistagógia também é conhecida como a sabedoria dos padres e a vida da comunidade eclesial, em sua dimensão espiritual. São Cirilo de Jerusalém um bispo da Igreja de Jerusalém, no ano de 350 e 386 deixou alguns resumos de sua catequese em vinte e três aulas, que se destinadas aos catecúmenos, as catequeses (kατηχήσεις), são melhor apreciadas quando divididas em duas partes: as primeiras dezoito são geralmente conhecidas como “Aulas Catequéticas”, “Orações Catequéticas ou “Homilias Catequéticas” e as cinco últimas, como “Catequeses Mistagógicas” (μυσταγωγικαί), chamadas assim por tratarem dos “mistérios” (μυστήρια), ou seja, os sacramentos do batismo, da confirmação e da eucaristia.

Assume-se geralmente que as “Aulas Catequéticas”, com base em evidências limitadas, teriam sido compostas ou ainda nos primeiros anos do episcopado de Cirilo (por volta de 350) ou em 348, quando Cirilo era ainda um sacerdote representando seu bispo, Máximo. Elas foram ministradas no Martyrion, a basílica construída pelo próprio Constantino. Elas trazem instruções sobre os principais tópicos da fé e da prática cristã de maneira mais popular do que científica, cheias de exemplos de caloroso amor e cuidados pastorais pelos catecúmenos, o público a quem elas se destinavam. Cada aula baseia-se num texto das Escrituras e há abundantes citações bíblicas por todo o texto. Nas “Aulas Catequéticas”, em linha com a exposição do Credo típico de Jerusalém na época, aparecem vigorosas polêmicas contra pagãos, judeus e erros heréticos. Elas são de grande importância para o entendimento do método de ensino e das práticas litúrgicas geralmente utilizados na época, provavelmente o mais completo registro sobrevivente.

Temas importantes nas aulas são o pecado original e o sacrifício de Jesus para redenção de nossos pecados. Elas tratam também do sepultamento e ressurreição três dias depois como prova da divindade de Jesus e da natureza amorosa do Pai. Cirilo defendia firmemente que Jesus morreu de conhecimento e vontade plena. Não apenas ele se ofereceu, mas durante todo o processo manteve sua fé e perdoou todos os que o traíram e participaram de sua execução (“que não pecou e nem mentiu aquele que, quando insultado, não insultou; quando sofreu, não ameaçou”). Este trecho demonstra sua crença no desprendimento de Jesus, especialmente durante seu ato final de amor. Esta aula também apresenta uma espécie de insight sobre o que Jesus poderia estar sentido durante sua execução, dos chicoteamentos e surras até a coroa de espinhos e daí aos pregos na cruz. Cirilo intercala a história com mensagens que Jesus proferiu durante sua vida que se relacionavam com este ato final. Cirilo, por exemplo, escreve “Eu entreguei minhas costas aos que me batiam e minhas bochechas, aos socos; e minha face não escondi da vergonha das cusparadas”, uma alusão clara ao ensinamento de Jesus sobre oferecer a outra face.

Tem havido considerável controvérsia sobre a data e a autoria das “Catequeses Mistagógicas”, que alguns estudiosos atribuem ao sucessor de Cirilo como bispo de Jerusalém, João II. Muitos estudiosos atualmente consideram que estas catequeses foram de fato escritas por Cirilo, mas nas décadas de 370 ou 380 e não imediatamente depois das “Aulas Catequéticas”.

De acordo com a peregrina hispânica Egéria, estas “Catequeses Mistagógicas” eram ministradas aos recém-batizados na Igreja da Anastasis durante a Semana da Páscoa.

de forma clara  que tem a missão de trazer resposta resposta pedagógica pela a busca de uma  para criar um diálogo entre as pessoas e Deus um aprofundamento entre mística e pedagogia . As ações evangelizadoras em suas experiências de iniciação, formação e orientação vem sendo matéria-prima de estudos, reflexão e avaliação.

Mais do que buscar novas metodologias que dialoguem com o nosso tempo, a mistagogia nos fala de uma fundamentação
antropológica e teológica que resgata sua essência e aponta caminhos pastorais.

A experiência mistagógica vivida nos séculos III e IV, especialmente com Cirilo de Jerusalém, torna–se fontal e orientadora de categorias que dialogam com as comunidades contemporâneas.

“A crise da fé nos reclama um novo caminho místico, uma espiritualidade integradora. Pede–nos urgência de uma revisão profunda dos processos de orientação religiosa, da vitalidade das comunidades e do modo concreto de viver a relação religião-mundo e fé-cultura. ” (Rosemary Fernandes da Costa)

A partir do processo de elaboração entre a teologia sistemática e o resgate dessa experiência fontal, apresentamos algumas contribuições que podem se tornar mais do que memória viva para nosso presente, mas sementes fecundas nos processos de evangelização atuais.

Aspectos que envolvem sua compreensão de mistagogia:

  • É fonte de abertura à dinâmica da Revelação;
  • É caminho, percurso, trajetória de adesão, crescimento, aperfeiçoamento;
  • É participação nos ritos e celebrações litúrgicas;
  • É a Palavra acolhida e que revoluciona a dinâmica pessoal e comunitária;
  • É contemplação orante do Mistério que se revela na história da humanidade;
  • É a penetração progressiva até o encontro definitivo com o Mistério de Deus;
  • É a Igreja sacramental e caminhante no mesmo processo mistagógico .

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[1] Rosemary Fernandes da Costa, In: http://www.redalyc.org/pdf/4497/449748251016.pdf

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