Judaísmo e Cristianismo – Parte 67: As Festas de Peregrinação

Por Philippe Haddad [*]
Tradução de Pe. Fernando Gross

Os três pés. A Torah fala de três festas como três momentos privilegiados do ano agrícola onde as tribos deviam subir ao Templo de Jerusalém. Pessach (Páscoa) relembra a saída do Egito; Shavuot (Pentecostes), a revelação do Sinai e por fim Sucot (Cabanas), lembrando a proteção divina durante a travessia no deserto. Essa última se concluía com Shemini Atseret (oitavo dia de conclusão) considerado como o fim do ano agrícola e religioso.

A tradição fala de shalosh regalim “os três pés” para indicar que durante essas grandes solenidades as tribos de Israel peregrinavam até Jerusalém para cumprir no Templo, os ritos adequados e reconstituir a unidade do povo como no momento da saída do Egito.

O termo consagrado para designar a festa é hag. Pode-se aproximar do árabe hageg “peregrino”. A hag lembra um deslocamento e um encontro com Deus no lugar escolhido por Ele. Esse termo designa unicamente essas três solenidades. As festas de Ano Novo e as festas de instituição rabínica não exigiam essa movimentação e foram abusivamente chamadas também por esse termo.

A subida até Jerusalém era feita durante essas festas pelos homens[1] de todas as tribos. Os Hebreus não conheciam outros lugares de culto além do Santuário. Essa subida respondia a várias finalidades. Ela reconstituía a unidade da nação como na saída do Egito. Ela favorecia igualmente o nomadismo dos agricultores sedentários, o que era um modo de educar para a consciência da fragilidade da vida e de vacinar as tribos contra o isolamento ou a xenofobia. Nessa caminhada se escutava o discurso de Abraão que anunciou aos heteus: “Sou estrangeiro e hóspede no vosso meio” (Gn 23,4). “Estrangeiro” primeiro, “hóspede” depois. É por isso que o patriarca se definia como ser de passagem, que ali poderia se instalar. Finalmente essa subida para o lugar alto da espiritualidade demonstrava a elevação dos fiéis até Deus. Ao deslocamento do corpo correspondiam as aspirações da alma.


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[*] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross. In: www.judaismoecristianismo.org
[1] Na verdade, somente os homens maiores de treze anos tinham o dever religioso de subir ao Templo. A Torah não queria impor às mulheres e às crianças longos deslocamentos. Somente uma cerimônia, que acontecia a cada sete anos, obrigava homens, mulheres e crianças a se apresentarem em Jerusalém, durante a festa de Sukot.

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