Catequese mistagógica de discernimento juvenil

Por João dos Santos Barbosa Neto

A vocação à vida cristã é um chamado para encontrar-se com uma Pessoa, fazer experiência e aprofundar os conhecimentos. A catequese mistagógica fomenta a integração desses eixos (vivência experiencial e conteúdos doutrinários) que constituem a base fundamental de uma autêntica vida cristã, permitindo, assim, a formação integral da pessoa inserida conscientemente no mistério do qual participa.

Introdução

Atualmente, a base fundamental para a formação da identidade dos jovens (a família, a cultura, a religião, as interações com os conterrâneos…) se encontra em crise, o que consequentemente os expõe ao risco de viver uma vida vazia de sentido e de valores profundos. Isso ocorre porque, na sociedade, as situações se modificam antes que o agir do ser humano se transforme em hábito, e desse modo nem mesmo a sociedade é capaz de conservar sua própria forma e permanecer em determinado caminho por muito tempo (BAUMAN, 2009, p. 7).

O atual contexto apresenta grande confusão de princípios, de sentido e de valores; os jovens percebem que esta sociedade carece de certezas essenciais, e isso causa neles profunda ânsia por valores e o receio de serem deixados sozinhos. Assim, é indispensável acolhê-los e prepará-los para um encontro com o Senhor, a fim de que possam entrar em intimidade com ele, fazendo uma experiência restauradora, que dá à vida novo rumo decisivo (CV 129).

Os jovens cristãos estão abertos à espiritualidade e são chamados a fazer uma síntese entre o que creem e o que vivem. A fé (aquilo que se crê) não pode ser qualquer coisa aérea, mas é encarnada, toca a vivência da pessoa; a virtude (aquilo que se vive) não é um habitus, mas exige um esforço pessoal em vista de determinado tipo de atitude.

Nessa situação vital, é necessário um bom discernimento, isto é, um “processo pelo qual a pessoa chega a fazer, em diálogo com o Senhor e escutando a voz do Espírito, as escolhas fundamentais a partir daquela sobre seu estado de vida” (SALA, 2017a, p. 11, tradução nossa). Assim, os jovens poderão realizar-se plenamente, amadurecendo suas convicções cristãs em um  “caminho de liberdade que faz aflorar a realidade única de cada pessoa, aquela realidade que é tão sua, tão pessoal, que só Deus a conhece” (CV 295).

1. Educação para o agir livre e virtuoso

O processo educativo possui relevante e significativo valor na formação do sentido de uma vida plena que se revela por meio do encontro com Cristo. É necessário partir da própria pessoa para depois ativar os meios educativos que podem alcançar essas expectativas, a fim de que as experiências de fé e de amor cristão sejam acolhidas, vivenciadas e transmitidas de uma geração a outra, educando a pessoa com base em sua liberdade e capacidade de amar.

O educador deverá se aproximar do educando e, fazendo-se companheiro de caminhada, interpretar o projeto de Deus, ajudando-o em seu amadurecimento no caminho da Verdade. Ele deve procurar suscitar no educando o “desejo de ser si mesmo, procurando dentro de si o projeto inscrito no mistério da vida, descobrindo o dom de amor inserido no coração de cada um, dom que é projeto e chamado” (BIGNARDI, 2011, p. 45, tradução nossa).

A pessoa responde a esse chamado sublime de ser ela mesma assumindo com responsabilidade as próprias escolhas. Isso implica valorizar sua força de vontade interior para tomar decisões, de modo que, depois de cada escolha, a vida já não seja a mesma.

O fato de não conseguir tomar decisão pode ser revelador de certa imaturidade, uma vez que a pessoa “não consegue alcançar o sentido de segurança de decisão, pois não vê a si mesma como um ponto de referência de suas próprias ações” (CIONCHI, 1999, p. 109, tradução nossa). Portanto, torna-se urgente que ela aprenda a discernir, percorrendo o caminho da vida sem extinguir o Espírito Santo presente nela, e optar pelo belo, bom e verdadeiro em um mundo que relativiza e apresenta como válidas e boas todas as possibilidades (FRANCISCO, 2017).

Diante da liberdade da pessoa, o educador desempenhará o papel de um mestre que a conduz a tornar-se ela mesma no respeito daquilo que é, acompanhando, acolhendo, sustentando e propondo quando julgar necessário. O objetivo é fazer emergir uma pessoa madura, com adequada “capacidade de compreensão do próprio ser em seus diversos aspectos e características” (CIONCHI, 1999, p. 107, tradução nossa).

O progressivo amadurecimento da pessoa a conduz à essência da própria personalidade, promovendo “a unidade e integralidade do homem, isto é, a correspondência efetiva e concreta entre uma intenção interior e uma vida exterior” (CASOLE, 2011, p. 113, tradução nossa). Portanto, mesmo que a personalidade esteja em contínuo desenvolvimento no profundo do ser da pessoa, esta se demonstrará madura quando alcançar uma vivência em que responda responsavelmente por cada escolha que fizer.

Todavia, faz-se necessário um processo educativo, a fim de que a pessoa adquira gradualmente maior conhecimento da fé assumida. Essa consciência potencializará sua capacidade de tomar as decisões fundamentais, em vista de “ordenar a paixão e guiar a conduta segundo a razão e a fé” (CIC 1804).

A pessoa plasmada pelo encontro transformador com Cristo vive uma vida verdadeira e virtuosa, na medida em que se esforça, dando o melhor de si, para praticar e escolher o bem.  Esse processo procura integrar no ser humano o ser cristão e seu agir virtuoso, evidenciando, assim, a virtude como atos e princípios vitais que estabilizam e sustentam a relação com Deus (COLZANI, 2007, p. 559).

A virtude forma o sujeito moral em seu próprio agir interior, a partir de sua experiência em se tornar uma pessoa boa, capacitando-a no cumprimento do bem que por si só individua, escolhe, determina e, por fim, pratica (CARLOTTI, 2016, p. 237). Agindo assim, o ser humano paulatinamente molda a própria personalidade na de Cristo, que se torna referência e fundamento de uma vida virtuosa e origem de nova existência.

Por isso, não se trata tanto de ensinar a virtude, mas de semeá-la, orientando a pessoa para hábitos que a façam interiorizar o bem, e não somente aplicar princípios de forma mecânica (MANTEGAZZA, 2019, p. 10). A pessoa poderá, então, realizar suas escolhas não por conveniência, mas por um critério de valor que ela reconhece como verdadeiro e como portador de felicidade.

A virtude é, então, a “disposição positiva no confronto do bem, uma conaturalidade que o faz aparecer como o bem mais verdadeiro” (GATTI, 2004, p. 4, tradução nossa) que a pessoa deseja realizar.  Assim, a progressiva perseverança na vida virtuosa concede à pessoa maior compreensão da liberdade, do autocontrole, da consciência do bem e do domínio da vontade em seus atos (CIC 1731-1734).

2. A catequese mistagógica amadurece atitudes de engajamento

Além da boa vontade da pessoa fascinada por Cristo em segui-lo, a Igreja julga necessário propor uma ação para “amadurecer a fé inicial e educar o verdadeiro discípulo de Cristo mediante um conhecimento mais profundo e sistemático da pessoa e da mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo” (CT 19).  Essa ação responde ao nome de catequese, que tem por objetivo “acompanhar aqueles que acolheram o chamado do Senhor a tornarem-se dia após dia discípulos seus” (BIGNARDI, 2011, p. 88).

O itinerário desse acompanhamento cobre todas as dimensões da pessoa e não há uma validade precisa, pois ela deve, com o passar do tempo, consolidar as próprias convicções e harmonizar as atitudes pessoais com as de Cristo. A Igreja ratifica essa ideia quando afirma que a catequese  deve “promover o surgimento e o desenvolvimento da vida de fé durante toda a vida do ser humano, até o desdobramento total da verdade revelada e sua inserção na vida humana” (DCG 30).

Desse modo, o acompanhamento e a instrução realizados pelo catequista são destinados ao “crescimento pessoal, livre, interiorizado, a serviço de um válido projeto existencial, aberto aos valores e capaz de discernimento crítico” (ALBERICH, 1992, p. 100, tradução nossa). O ato de ensinar possui o risco de enfatizar demasiadamente a dimensão intelectual da pessoa, podendo, assim, não tocar seu coração e, consequentemente, não fazê-la sentir-se totalmente envolvida e inserida no plano amoroso de Deus.

A pessoa sabe que Deus a ama; no entanto, corriqueiramente, não consegue sentir esse amor nem em sua vida pessoal, nem em seu cotidiano. A fé torna-se uma filosofia de vida, uma ideia ou uma linha de chegada do bem-estar, já não um elemento de transformação de vida, capaz de gerar esperança.

Sendo assim, é urgente alcançar a centralidade da pessoa, tocar-lhe o coração, para acessar seu ser. É necessário que, depois do ensino doutrinal, a pessoa seja introduzida no mistério celebrado, o que envolve “a purificação, a oração contemplativa, a união nupcial e a transformação amorosa em Deus” (PESENTI, 1998, p. 822, tradução nossa).

O catequista é chamado a agir não somente como anunciador, mas também como mestre de vida que, depois de haver apresentado o Senhor, seja capaz de promover o encontro pessoal entre o catequizando e Jesus Cristo. Nesse encontro, os horizontes da pessoa se abrem ao sentido de plenitude e totalidade, e ela não falará de Deus, mas a Deus, com o qual se sente em comunhão e diálogo.

A catequese, então, se tornará mistagógica, isto é, escola de vida e de espiritualidade, pois será centrada na compreensão espiritual do mistério celebrado, com enfoque na liturgia, e terá como fim uma vivência coerente e unitária da fé. O catequista desenvolverá o papel de acompanhante mistagógico: levará “os fiéis pela mão, conduzirá a uma experiência concreta do rito e, através do rito, os colocará em contato com Cristo” (CACUCCI, 2008, p. 9, tradução nossa).

É fundamental iniciar a pessoa na leitura contínua da Palavra, pois favorecerá a graça da unidade mediante o elo e a interdependência entre a vida, o mistério celebrado e a história da salvação. Por isso, é importante dar espaço à Escritura no encontro catequético, apresentá-la no contexto da história da salvação e, desse modo, redescobri-la na liturgia, nas fórmulas sacramentais e na homilia, a fim de que a pessoa possa entrar em comunhão consciente com tudo aquilo que é celebrado (CACUCCI, 2000, p. 31-32).

A intimidade com a Palavra fornece “aos fiéis um encontro com Jesus Cristo que se dá na realidade da própria pessoa humana, capaz de penetrar as dimensões mais profundas da vida” (BARBOSA NETO, 2016, p. 51). Assim, a pessoa enche-se de esperança, lê as situações de sua vida em perspectiva bíblica e, em clima de oração, acolhe os sinais da ação contínua e providencial de Deus em sua história.

A liturgia merece uma atenção especial do catequista, por ser lugar privilegiado de encontro com Deus “por meio de ações e palavras sob os sinais visíveis que a sagrada liturgia utiliza, escolhidos por Cristo ou pela Igreja, significando realidades divinas invisíveis” (VALOR, 2016, p. 392, tradução nossa). Nesse percurso, o catequista auxilia o catequizando a aprofundar os mistérios celebrados, explicando os ritos, os sinais e os símbolos das celebrações litúrgicas, de modo a facultar-lhe fazer experiência, participando de forma ativa e consciente da liturgia.

A progressiva experiência de comunhão com Cristo provoca uma ação unitária e totalizante de todas as dimensões da pessoa, gerando uma vida nova, aberta a Deus, empenhada em viver esse dom em um caminho concreto em direção ao Senhor (COLZANI, 2007, p. 560). Nutrido pelo pão eucarístico e fortalecido pela Palavra, o cristão testemunha essa vida nova de comunhão com o Senhor, assumindo a Boa-nova do Reino como critério para tomar suas decisões.

3. O discernimento como estilo de vida

A gradual compreensão do mistério torna a pessoa mais responsável na formação da própria personalidade, construindo-se segundo a intimidade da sua relação com Cristo e com base nas escolhas fundamentais realizadas. Desse modo, procura afirmar os valores, unir indagações e respostas, liberar desejos e sentimentos, determinando, a cada momento, a autenticidade da própria vida e das próprias convicções.

A pessoa em comunhão com Cristo encontra nele o sentido da própria existência, como fundamento sólido para construir e orientar a própria vida. Todavia, a perda de identidade, relacionada a uma representação errônea, e a perda de uma presença social enraizada na realidade provocam confusão na pessoa e impedem o processo de distinção entre aquilo que é coerente com o sentido de vida proposto por Cristo e aquilo que não o é.

Não é nada fácil tomar decisões e orientar as próprias ações em situações de incerteza e diante de impulsos interiores contrastantes, por isso é necessário que a pessoa se volte a Jesus Cristo, encontre-o como Pessoa, para depois poder fazer sua opção fundamental (HERNÁNDEZ, 2017, p. 9). Desse modo, torna-se urgente ativar modalidades que ajudem a pessoa a reconhecer, nas situações de decisão, as opções que correspondam ao estilo de vida proposto por Cristo.

Importante modalidade para a tomada de decisão é o discernimento, atitude pela qual a pessoa ativa filtros que a levam a optar por escolhas condizentes com determinado estilo de vida. O discernimento fortalece no cristão a habilidade de “intuir o que vem de Deus e o que vem do maligno, esclarecer as diferenças sutis entre o bem e o mal, aprofundar a raiz e a origem do que se apresenta diante de nós e, finalmente, escolher com coragem o que é reconhecido como justo e santo” (SALA, 2017b, p. 2, tradução nossa).

O discernimento colabora no contínuo “vir a ser” pessoal, pois desenvolve “a capacidade do ser humano de colocar-se em uma atitude de busca diante das coisas da vida, portanto, a capacidade de saber valorizar as coisas, as pessoas, as situações e, enfim, de saber escolher o resultado do próprio discernimento” (MAZZINGHI, 2015, p. 65, tradução nossa). Essa atitude o torna mais consciente de si mesmo e, por conseguinte, mais livre e autônomo para orientar e conduzir a própria vida em vista da realização do sentido vital.

Isso pode ocorrer mediante a aptidão da pessoa em fazer a própria escolha em conformidade com as orientações profundas que a identificam e a unificam como cristã. Tais motivações profundas são iluminadas pela luz da relação estabelecida com Jesus Cristo, que permite à pessoa real experiência do amor de Deus, na qual redescobre a própria vida como dom que ninguém pode tirar (HERNÁNDEZ, 2017, p. 14).

Ela amadurece na busca pela vontade de Deus em sua vida, desenvolvendo maior consciência do sentido interior das coisas, a sabedoria de entender e a capacidade de fazer coincidir a forma com o conteúdo da escolha naquilo que é o bem em cada situação (BIANCHI, 2011, p. 11). Assim, a pessoa abre-se a uma meta alta de comunhão com o Senhor, na qual, sustentada pelo Espírito Santo, se empenha diariamente em realizar ações virtuosas a fim de que, paulatinamente, se tornem comportamentos e atitudes ordinárias de seu estilo de vida (MANTEGAZZA, 2019, p. 12).

O processo de discernimento terá como fim uma vida de integridade, isto é, uma vida mais autêntica e coerente, na qual a pessoa, atenta aos sinais da presença de Deus, torna-se capaz de reconhecer a voz dele na vida cotidiana. Para colaborar com esse objetivo, o papa Francisco sugere três importantes passos que qualificam o processo de discernimento: reconhecer, interpretar e escolher (EG 51).

Reconhecer refere-se à capacidade de nominar, sem julgar, todos os acontecimentos e emoções (paixão, tristeza, esperança, medo, alegria etc.) experimentados. Aqui o objetivo fundamental é escutar a Palavra do Senhor para abrir-se, pôr-se em relação com ele, fazendo-a ressoar em todas as dimensões da vida e, assim, reconhecer e identificar a presença de Deus (BIANCHI, 2011, p. 11).

A interpretação é o exercício de colher a origem e o sentido dos desejos e das emoções, em um confronto honesto, à luz da Palavra, considerando também as exigências morais da vida. Da escuta profunda da Palavra nasce a fé, a qual produz o conhecimento que permite à pessoa viver em contínua comunhão com Deus e compreender a realidade à luz dessa relação (BIANCHI, 2011, p. 12).

No fim, a pessoa é chamada a decidir, escolhendo livremente cada coisa e, assim, a operar, de modo consciente, na coerência e na autenticidade do estilo de vida assumido. Isso é possível porque, “uma vez reconhecido e interpretado o mundo dos desejos e das paixões, o ato de decidir se torna um exercício de autêntica liberdade humana e de responsabilidade pessoal” (SINODO DEI  VESCOVI, 2017, p. 47, tradução nossa).

Em suma, um bom processo de discernimento dependerá da boa articulação do trinômio “reconhecer – interpretar – escolher”, assim sintetizado pelo Sínodo dos Bispos:

reconhecer significa “dar nome” à grande quantidade de emoções, desejos e sentimentos que habitam em cada um (com sucessos e derrotas). Na base deste trabalho de interpretação, torna-se possível operar uma escolha que não é somente fruto de pulsões ou de pressões sociais, mas também exercício de liberdade e responsabilidade (SINODO DEI  VESCOVI, 2018, p. 113, tradução nossa).

Desse modo, o jovem cristão progressivamente formará sua consciência e moldará sua vida à de Cristo, que é sinal de amor e de esperança, realizando-a com maior liberdade e fidelidade a Deus. Assim, seu empenho e as renúncias naturais para manter a coerência com o estilo de vida cristã não serão um fardo insuportável, mas um ato convicto, realizado por quem ama e sabe ser amado.

Considerações finais

Com base na fé recebida no batismo quando criança, como herança familiar, é necessário conduzir o jovem a uma experiência pessoal com Cristo. À medida que essa relação se aprofunda, aumenta o sentido de comunhão e de plenitude de vida.

Apesar de o jovem ser filho da atual cultura e portar todas as confusões e problemáticas nela presentes, ele é alguém que procura o amor e a verdade, e “sua realização é ligada à construção de um projeto vital e à busca de sentido que tal visão comporta” (MORAL, 2017, p. 158, tradução nossa). Portanto, educar o jovem nessa experiência religiosa significa envolvê-lo conscientemente na relação com uma Pessoa capaz de compreendê-lo e satisfazer suas aspirações fundamentais.

O processo educativo realizado na catequese poderá levar o jovem a uma melhor compreensão daquilo que se celebra e, depois, a uma sincera experiência religiosa, reforçando suas motivações para uma vivência coerente com a fé professada. Desenvolverá nele, por meio do confronto com a regra viva que é Jesus, uma atitude de escuta, de oração, de docilidade e de disponibilidade para tomar uma decisão.

A catequese mistagógica aparece como importante recurso a ser estimulado, pois promove a inserção gradual e profunda da pessoa no mistério de Cristo, celebrado e vivenciado na comunidade. Assim, com base na recuperação do sentido de crer, essa catequese age, integrando os âmbitos celebrativo e comunitário, fazendo crescer, em todas as etapas da vida, a disposição para o bem e possibilitando
à pessoa maior aproximação à Verdade.

Nesse processo formativo, o educador acompanha os jovens na interiorização dos sacramentos, na inserção consciente na vida cristã, desenvolvendo neles a conscientização ativa da caridade e do serviço na vida comunitária. O jovem é conduzido ao desenvolvimento interior e espiritual, adquirindo o hábito de ler e escutar a Palavra, reconhecendo-se membro do povo de Deus e pertencente à sua comunidade, na qual colabora, exercendo a própria ministerialidade.

Essa catequese amadurecerá no jovem sua capacidade de “reconhecer a obra de Deus na própria experiência diária”, o que ajuda “a crescer na virtude da prudência, articulando a orientação global da existência com as opções concretas, na consciência serena dos próprios dons e limites” (CV 282). A profunda intimidade com Cristo revela à pessoa as razões profundas e verdadeiras do seu ser, e desse modo ela poderá reconhecer e acolher as coisas boas que vêm de Deus, afastando-se das que são más. Tal caminho lhe permitirá crescer no bem, testemunhando um coração plasmado no amor de Deus, e amadurecer na vida cristã, em sintonia e comunhão com Jesus Cristo.

Referências bibliográficas

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João dos Santos Barbosa Neto

salesiano, licenciado em Filosofia (UCDB/MS), bacharel em Teologia (UPS/Itália), pós-graduado lato sensu em Counseling (Iates/PR), pós-graduado lato sensu em Psicopedagogia (UCDB/Portal Educação), mestre em Teologia Pastoral (UPS/Itália) e doutor em Teologia Pastoral (UPS/Itália). Professor da Università Pontificia Salesiana em Roma. E-mail: joaoneto@missaosalesiana.org.br

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