Não é guerra santa! É só guerra. Tão infame quanto outra qualquer!

Por Hermes Fernandes

Os últimos anos em que vivemos estão marcados pelo retrocesso. Quando imaginávamos que a humanidade havia caminhado rumo a um crescimento de valores, sentimo-nos voltando no tempo. Não em um sentido de refazer caminhos. Avaliar erros de nossa história e, positivamente, reconstruir acertando. Ao contrário, parece que a humanidade tende, no atual momento, a resgatar erros do passado, repetindo-os. Como se fôssemos tomados por um insano apetite de comer aquilo que antes vomitamos. Repugnante.

Na madrugada do último dia 26, a Mesquita Imam Ali, localizada na cidade de Ponta Grossa – PR; foi invadida e teve seus objetos sagrados destruídos por vandalismo e fogo. Para a dor dos religiosos da fé islâmica, até mesmo o Alcorão foi queimado. “Foi como se queimassem um muçulmano por dentro. Queimar o alcorão é uma ofensa muito grande”, disse Ali Mustapha Ataya, assessor jurídico da mesquita.

Como não houve furto dos equipamentos no local, a suspeita de crime de intolerância religiosa aumenta substancialmente. “Quem pratica qualquer religião precisa ter tolerância com as outras, e quem não pratica nenhuma precisa ter respeito. Estou recebendo a solidariedade da nossa comunidade indignada em todo o Brasil e até do Irã. Nunca vimos aqui no país um caso como esse na nossa comunidade, com a queima de objetos sagrados”, disse o sheik responsável, Mahmoud Shamsi.

A prefeita da cidade de Ponta Grossa, Elizabeth Silveira Schmidt (PSD), também defendeu a mesquita Imam Ali nas redes. “Ponta Grossa é e deve continuar sendo uma cidade plural e livre. Não iremos tolerar crimes de ódio e manifestações de intolerância. A invasão da Mesquita Iman Ali e a profanação do Santo Alcorão são inaceitáveis. Toda nossa solidariedade e apoio à comunidade muçulmana de Ponta Grossa”, afirmou.

A comunidade pontagrossense tem presenciado o crescimento de atos de intolerância religiosa nos últimos anos. Recentemente, viralizou na redes sociais vídeo de pastor destruindo oferendas de Religiões de Matriz Africana, sob o pretexto de ser esta uma guerra santa. Uma batalha contra os alferes de Satanás. Absurdo!

Desejamos manifestar nossa total solidariedade à Comunidade Islâmica de Ponta Grossa, em relação a estes atos de intolerância. Avaliamos o fato como um retrocesso aos Direitos conquistados ao longo da história. Liberdade Religiosa e de Culto deve, antes de tudo, ser entendida como respeito à humanidade. O ato de vandalismo cometido contra a Mesquita Imam Ali é sinal claro do retrocesso em que vivemos atualmente. Ninguém tem direito de agredir a fé do outro. Quaisquer níveis de agressão. Quanto mais neste caso, em que se atenta contra o direito à propriedade. Não foi um ato religioso. Quanto menos, sagrado. Foi crime! Não é guerra santa! É só guerra. Tão infame, quanto outra qualquer!

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