O Espírito Santo na dimensão sociotransformadora no projeto do Reino de Deus, ungindo e enviando Jesus como profeta (Lc 4,24) e Messias (Lc 9,20), para anunciar a Boa Nova aos Pobres

Por Edilson de Carvalho*

O Espírito Santo na dimensão sociotransformadora no projeto do Reino de Deus, ungindo e enviando Jesus como profeta (Lc 4,24) e Messias (Lc 9,20), para anunciar a Boa Nova aos Pobres

PERÍCOPE LUCAS 4,14-30

RESUMO
O objetivo deste trabalho é buscar compreender na ótica do Evangelho segundo Lucas, os eventos que são narrados na perícope (Lc 4,14-30), onde o próprio Jesus faz o anúncio público de sua missão. A ação do Espírito Santo que o guia, ungindo e enviando para anunciar a boa nova, e o compromisso da realização do ano da graça do Senhor, tendo como destinatários primários, os pobres. Selecionamos para nosso artigo, 6 (seis) palavras que julgamos importantes. São elas; “Espírito do Senhor”, “me conferiu a unção”, “anunciar”, “a boa nova”, “aos pobres” e “o ano da graça do Senhor”.

1. INTRODUÇÃO


Não é pretensão deste artigo encerrar o tema, mas trazer luz a alguns pontos acerca desta perícope. Cada um dos evangelhos tem destinatários distintos, foram escritos dentro da realidade e das principais dúvidas e necessidades de cada comunidade. Com ambientação do ponto de vista da comunidade Lucana, acentua-se Jesus Cristo como Profeta e como Messias, o portador da última e eterna aliança. Em sua terra onde tinha sido criado, escolhe para proclamar e iniciar sua missão, em um dia de sábado em uma sinagoga. Nesta perícope, Lucas desenvolve com muitos detalhes, diferente dos Evangelistas Mateus que descreve apenas 5 versículos e Marcos apenas 2 versículos. Nenhum dos dois evangelistas se preocuparam em detalhar, talvez não seriam importantes para suas comunidades como para a comunidade de Lucas, que a descreve artisticamente e com muita maestria.

No Evangelho Segundo Lucas, é Jesus que escolhe o capítulo do livro do profeta Isaias que irá ler. Lucas aponta cada momento do anúncio da missão de Jesus, o projeto do plano salvífico de Deus, a fim de cumprir as promessas e instaurar o Reino de Deus (Lc 4,21). Lucas nos mostra claramente os sinais a respeito de; com quem, como e para quem será este anúncio da Boa Nova. O Jesus Lucano, necessariamente aproxima-se da miséria, da pobreza, do sofrimento e das doenças, da exclusão social, da política e da religião de sua época. Com amor, misericórdia, justiça e direito, caminhando da periferia da Galileia até o centro do poder que é Jerusalém. Jesus confirma os profetas Elias e Elizeu de que o Reino de Deus não é só para um povo, mas para todos os povos (Lc 4,26-27). Mostra com quem o plano de Deus tem mais preocupação; os pobres, os cativos, os cegos, e os oprimidos (Lc 4,18).

Antes de continuarmos, precisamos ir ao Primeiro Testamento, para conhecermos qual texto o evangelista Lucas narra Jesus fazendo a leitura, (Is 61,1-2), combinando com (Is 58,6d), (Novo comentário bíblico São Jerônimo, pág. 245, parágrafo 59.), mas Jesus não o lê por completo, parando antes do versículo, “e um dia de vingança de nosso Deus”, enrola o livro e entrega ao servente. O recorte que utilizaremos para aprofundarmos a perícope é (Lc 4,18-19), onde o evangelista coloca o próprio Jesus em primeira pessoa narrando a leitura;


“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me conferiu a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres. Enviou-me para proclamar aos cativos a libertação e aos cegos, a recuperação da vista, para despedir os oprimidos em liberdade, 19para proclamar um ano de acolhimento” (Lc 4,18-19. BÍBLIA de Jerusalém, Nova Edição, Revista e Ampliada, São Paulo: Paulus, 2019).


Destacamos a atenção especial de Lucas com a palavra “Espírito”. Ele a utiliza 25 vezes, excluindo quanto das referências aos espíritos maus, imundos e afins. Enquanto Marcos cita 7 vezes, Mateus cita 12 vezes e João cita 16 vezes. A palavra Espírito Santo, Lucas usa 13 vezes, Marcos 4 vezes, Mateus 5 vezes e João 2 vezes. (Fonte BÍBLIA De Jerusalém – Op. Cit.)

Essa presença marcante do Espírito Santo em Lucas é de suma importância, é o Espírito Santo que na perícope (Lc 4,14), “paira sobre” Jesus e vai consagrá-lo pela unção para cumprir sua missão (Lc 4,18).

Nosso objetivo será trazer luz a está intenção de Lucas trabalhar o Espírito Santo como força renovadora do resgate da dignidade do pobre, o resgate das leis, e firmar uma última e eterna aliança com o povo de Deus. Buscar identificar nos documentos do nosso Sagrado Magistério, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, outros livros e autores, propostas para uma luz atualizada em nosso mundo, onde o projeto do Reino de Deus evidência com universalidade, dignidade e integralidade da salvação da pessoa humana e da casa comum.


“tal doutrina possui uma profunda unidade, que provém da fé em uma salvação integral, da Esperança em uma justiça plena, da Caridade que torna todos os homens verdadeiramente irmãos em Cristo.”
(PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja. São Paulo, SP: Paulinas, 2011. Pág. 3).

2. ANÁLISE DO TEXTO


a – Contexto literário


Os evangelhos sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas, apresentam semelhanças no anúncio da boa nova, trazida por Jesus Cristo. Mas também, traz grandes diferenças. A pregação oral dos apóstolos estava centrada no “querigma”, da morte redentora e da ressureição de Jesus Cristo. Se dirigiam aos Judeus, onde a necessidade de se provar, graças ao testemunho a respeito da ressureição e que de fato Jesus é o Messias prometido.

A tendência mais atual é a de duas fontes, aceita pela maioria de católicos e protestantes. A primeira fonte é Mc, porém Mt e Lc tem diversos versículos desconhecidos em Mc o que indica acesso a uma segunda fonte, que se costuma chamar de Q, termo alemão “Quelle”, fonte. Lucas que é nossa peça deste artigo, seria datado entre 80 a 90, posterior à destruição do Templo (Lc 19,42-44 e 21,20-24). O cuidado de Lucas com fontes oculares (Lc 1,1-2), é certo que os livros não foram escritos para serem históricos, mas teológicos e servirem de apoio aos missionários, defender a fé dos adversários (2Tm 3,16), garantidos pelo Espírito (Lc 24,48-49 e cf. At 18). “KONINGS, Johan. Sinopse dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da Fonte Q. Belo Horizonte, MG: Edições Loyola, v. 1, 2016. 360 p.”.

Em Lucas, Jesus percorre um caminho da periferia da Galileia até Jerusalém, centro de todo poder religioso, econômico e político judaico da época. Para Lucas, este caminha que Jesus faz da periferia até o centro, simboliza todas as cidades do mundo, onde Jesus irá iniciar sua missão rumo a última Páscoa. Com sua morte como cordeiro e seu sangue derramado, sela a definitivamente o compromisso da aliança de Deus com seu povo.

A obra em seu prólogo se anuncia o assunto, o método e a finalidade. Lucas irá nos apresentar os acontecimentos de forma ordenada e nos mostra dados historiógrafos (a cronologia 3,102), Bíblia de Tradução Ecumênica TEB – Nova Edição, 3 ed. São Paulo: Edições Loyola Jesuítas, 1994. 2496 p.) Lucas escreve esta caminhada do anúncio do nascimento de Cristo à sua ressureição dos anos 1aC à 30dC.

b – A intenção teológica de Lucas na parte da pericope objeto deste artigo


Parte IV – O ministério de Jesus na Galileia (4,14-9,50)

Lucas inicia o versículo 14, com Jesus na Galileia, da importância ao batismo que recebeu de João Batista, o Espírito Santo criativo de Deus. Sua comunidade entende o batismo de Jesus, como cumprimento da promessa de Deus (L 3,15-22). Na Galileia que simboliza os pagãos (Lc 13,29) é a periferia dos pobres, pequenos agricultores, pescadores, povo que estava sendo subjugado, suas terras tomadas, tanto pelo Império, como pelo Templo (Lc 13,22-30 e Lc 12,6, Lc 13,1-5).

Da Galileia é onde Deus escolhe para seu primogênito nascer, de uma menina pobre (Lc 1,26ss), em uma cidade chamada Nazaré, e de onde Jesus convoca os seus apóstolos, (Lc 9, 1-6). Toda isto acontece na Galileia e ao seu redor, a intenção de Lucas é demonstrar a opção do plano salvífico primeiro aos da periferia, os excluídos (Lc 4,16-30), mas que também é para todos os povos (Lc 4,43). É na Galileia que os discípulos ainda não compreendem a missão de Jesus (Lc 9,43-45), e só
irão compreendê-la em Jerusalém, após a morte e ressureição de Jesus, onde irão proclamar a boa nova a todas as nações (Lc 24,44-49). É claro a intenção de Lucas percorrer o caminho da Galileia até Jerusalém (Lc 23 5-6).

3. ANÁLISE TEOLÓGICA


Profeta e Messias


Vamos contextualizar a afirmação que Jesus é profeta e Messias.


a) Profeta
Profeta, é alguém escolhido por Deus, que fala diante dos outros, fala em nome de Deus, fala de uma revelação divina (MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. pág. 677 e 678), com o poder do Espírito Santo. (Nm 11,24-30).

O profeta denuncia as injustiças, faltas cometidas pelos reis e governantes, dos ricos que exploram os pobres e os religiosos que enganam, e para o povo. As denúncias proféticas são por questões sociais, econômicas ou religiosas. Pois Deus, ama e cuida dos órfãos, das viúvas e do estrangeiro (Dt 10,18).

O profeta anuncia, em seu livro José Luis Sicre Días, Introdução ao Profetismo Bíblico, nos fala que o profeta recebe a revelação oculta de Deus e a transmite de forma que seja compreendida, o que deve ser feito ou transformado, no presente ou nas ameaças do futuro. Mas nem sempre o profeta é bem-vindo, ou compreendido.

O que diziam a respeito de Jesus:


Lc 7,16 – E todos ficaram com muito medo e glorificavam da Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo”

Lc 9,8 – e outros: “É Elias que reapareceu”; e outros ainda: “É um dos profetas que ressuscitou”.

Lc 24,19 – “Quais?”, disse-lhes ele. Responderam: “O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo.


b) Messias
“Ungido’, é usado no primeiro testamento para indicar o rei de Israel e o sacerdote” MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. pág. 553). Na bíblia de Jerusalém, (Lc 2,25b-26),

“ele esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele”. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor. O comentário bíblico de rodapé da Jerusalém, afirma que “O Cristo Senhor é aquele que o Senhor ungiu (Ex. 30,22+), isto é, consagrou para missão de salvação: assim, por exemplo, o rei de Israel, príncipe escolhido por Iahweh; enfim, a título eminente, o Messias, que há de instaurar o Reino de Deus.”

O Messias no segundo testamento é aquele que vem consolar Israel, ungido pelo poder do Espírito Santo, com a missão de salvação, que veio resgatar a relação de Deus com a humanidade na integralidade, livres do pecado e a instauração do Reino de Deus entre nós.


4. AS 6 (SEIS) PALAVRAS QUE JULGAMOS IMPORTANTES NO ESTUDO DESTA PERÍCOPE


4.1 – “Espírito do Senhor”,
O que dá vida aos homens, (Gn 2,7), O que dá o dom da profecia, (Lc, 1,15, Lc 1,17), O que guia, (Lc 1,17), O que concebe o Messias, (Lc 1,35), O que prepara o caminho (Lc 2,25), O que revela o plano da salvação a todos (Lc, 2,260-32), O que entrona o Messias, o Rei (Lc 3,22), O que completa, que torna absoluto (Lc 4,1), O que envia o Messias (Lc 4,18), O que dá o testemunho (At, 1,8) O Espírito Santo, é tema caro para o evangelista Lucas.

Podemos entender nas passagens que indicamos, que o Espírito Santo, se manifesta de várias formas, desde o momento da criação, até o testemunho em Cristo. A Palavra Espírito Santo, vai aparecer em Lucas 13 vezes. Ele esteve com Jesus, desde o início, no seu anúncio de nascimento, na missão profética do Ungido confirmando Jesus como o Cristo, acompanha Jesus da periferia até o
centro religioso e na sua crucificação. Importante que após o Espírito Santo pairar sobre Jesus, vai aparecer novamente em uma oração que Jesus faz em agradecimento a Deus, que quis se revelar somente aos pobres e oprimidos e convoca a todos a levar este anúncio (Lc, 10;21ss). Em (Lc 11,13), o Espírito Santo é para todos aos que pedirem e não só privilégio de alguns. Não tenhamos medo de testemunhar Cristo, pois ele veio com o poder do Espírito Santo na busca da verdade, na justiça e nos direitos, onde o poder o perseguirá, mas não terá força (Lc 12,10). Jesus nos orienta a respeito do Espírito Santo que ficará em seu lugar (Lc 12,12). Até o final do evangelho segundo Lucas, o Espírito Santo terá pouquíssimas citações, entendemos que agora ele está junto de Jesus e presente em nós e conosco a partir e nosso batismo.

4.2 – “me conferiu a unção”,
No primeiro testamento a unção ritualística era para Reis, Sacerdotes, Profetas e objetos, se utilizava óleo para unção. O próprio Espírito Santo unge Jesus Cristo como o último Rei, o último Sacerdote, o escolhido para resgatar o povo de Deus e juntos reconstruir a nova Jerusalém, a Jerusalém celeste.


– Unção de objetos (Ex, 40,9- 16, Lv 8,10-12, Unção de um Rei (1Sm 16,12-13, 1Rs 19,15-16), Unção de um profeta (1Rs 19,17).

4.3 – “anunciar”,
Para Lucas é motivo de alegria, de algo extraordinário que está prestes a acontecer, uma manifestação de Deus, um comunicado para todos e para todo o mundo, que traz paz, misericórdia, cura e esperança.


Anúncio do anjo Gabriel sobre João Batista (Lc 1,19), João Batista anunciava ao povo a Boa Nova (Lc 3,18), anúncio para todos e para o mundo a respeito do Reino de Deus (Lc 4,43) e (Lc 9,60), O anúncio da ressureição de Cristo pelas mulheres (Lc 24,9), anúncio feito pelas mulheres aos discípulos (Lc 24:25).


4.4 – “a Boa Nova”,


“Evangelho, anunciar a Boa Nova, (Is 40,9; 41,27; 52,7) designar a salvação de Sião e 61,1 a salvação como o conforto dos aflitos e a libertação dos cativos. A Boa Nova do reino inclui uma chamada ao arrependimento (Mt 4,17; Mc 1,15). Jesus aplica a si próprio a tarefa do portador das boas novas de Is 61,1 (Lc 4,18) e declara que o ato de trazer boas novas aos pobres é um sinal messiânico (Mt 11,5). O evangelho da vinda do reino é anunciado pelos discípulos enviados por Jesus (Lc 9,1-6).”
(MCKENZIE, John L., Dicionário
bíblico, pág. 292).


A Boa Nova é o anúncio de uma nova forma de vida, com amor ao próximo, cura de todos os males, libertação dos presos, o verdadeiro sentido das leis que até então só escravizava o povo. Jesus comunica a Boa Nova para todos, da periferia até o centro, passando em todos os vilarejos, cidades e para pessoas que não são judeus.


4.5 – “aos pobres” e 4.6 – “o ano da graça do Senhor”


Inevitavelmente não há como escrever sobre “os pobres e o ano da graça do Senhor” separadamente, um depende do outro e estão interligadas no plano salvífico de Deus. O ano da graça do Senhor é essencialmente destinado aos pobres que em Lucas não é pobre espiritual, mas pobre de posses, renda, abandonados pelas famílias e pelo sistema da época.

“Já não se trata simplesmente do fenómeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são «explorados», mas resíduos, «sobras». (Papa Francisco, Evangelli Gaudium, nr. 53).

Jesus é um profeta, mas a própria profecia se realiza N´ele. (Lc 4,21). O envio para anunciar a misericórdia de Deus aos pobres, o acolhimento de Deus aos presos e aos cegos a recuperação da vista, o ano da graça de Deus, o amor infinito de Deus para com seus filhos é peça central. Percorremos em Lucas um caminho que inicia na periferia da Galileia em Nazaré e termina no centro que é Jerusalém. Torna-se necessário para nos tornarmos dignos da aliança com Deus, perfazer este caminho com Jesus e com os excluídos, marginalizados, nas periferias humanas que tanto Papa Francisco exorta. O convite ao arrependimento, a partilha e a oração é feito a todos e todas em integralidade humana e geográfica.

Nos é revelado a cada passo deste caminho que percorremos no evangelho de Lucas a face misericordiosa de Deus, os primeiros convidados são os marginalizados, a “predileção de Jesus são as vítimas de um poder que cria situações de exclusão e opressão, (Perondi, Ildo e Catenassi Z. Fabrizio, Misericórdia, Compaixão e Amor: O rosto de Deus no Evangelho de Lucas, pág. 22)”.

O Papa Francisco nos fala das periferias que precisam da luz do Evangelho (Evangelli Gaudium, capítulo 1, parágrafo 20); Ele divide estas periferias em dois grupos, periferias físicas e as periferias existenciais. À luz do evangelho de Lucas vamos identificar algumas destas periferias.

As mulheres (Lc 4,12; 7,13-14; 7,44-50; 8,2-3; 8,52-54), os humildes e pequeninos (Lc 10,21-22), crianças (Lc 9,46-48; 18,15-17) endemoniados (Lc 4,38; 4,40; 8,27-33), pecadores (Lc 5,8; 5,27; 7,37), doentes (Lc 5,13; 5,20; 6,10; 8,43-48; 9,39-42), famintos (Lc 6,20-22; 16,19-31), ricos (Lc 6,24- 26), legalistas (Lc 6,36-38), O Reino de Deus é para todos (Lc 7,1-10; 10,29-37; 17, 18-19).

5. APLICAÇÃO PASTORAL

Ao abrir a Sagrada Escritura e escolher (Is 60,1), Jesus nos indica o caminho pastoral a percorrer. No batismo, recebemos o Espírito Santo, este passa a nortear nossa vida cristã em nossas comunidades, para anunciarmos as Boas Notícias, o evangelho de Cristo Jesus, nas periferias existenciais, sociais e geográficas. “Frei Reginaldo diz-nos que estamos dando passos rumo a essa Igreja em saída, enfatizando o desafio de ser uma Igreja evangelizadora que possa realmente chegar às periferias geográficas, sociais e existenciais – como nos pede o Papa.” Disponível em , Acessado 08/09/2021.

Jesus não realiza a promessa do ano da graça, o ano jubilar sozinho, ele nos faz um convite para juntos continuarmos cumprindo esta promessa (Lc 6,12-16). Na face misericordiosa de Deus, na esperança e no resgate da vida e vida plena em abundância (Lc 6,20-23), resgatando a aliança com Deus. O documento de Aparecida, Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, destaca a Ação de graça a Deus, pag. 22. “O Deus da Aliança, rico em misericórdia, nos amou primeiro; imerecidamente amou a cada um de nós; por isso o bendizemos, animados pelo Espírito Santo, Espírito vivificador, alma e vida da Igreja. Ele, que foi derramado em nossos corações, geme e intercede por nós e com seus dons nos fortalece em nosso caminho de
discípulos e missionários.”

Este Espírito que esteve com Jesus desde o início, nos unge para profeticamente caminhar, anunciando a Boa Nova a todos que encontrarmos, nas periferias existenciais e sociais, mulheres, humildes e pequeninos, crianças, endemoniados, pecadores, doentes, famintos, ricos, legalistas, o Reino de Deus é urgente nestas periferias.


Reconhecermos que o Espírito Santo caminha conosco, implica a integralidade humana com seus vínculos sociais mais complexas e impenetráveis. * Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (sobre o anúncio do Evangelho no mundo Atual, EG 178).


O Papa Francisco, nos escreve na EG 179, que pequenos gestos individuais podem ocorrer uma “caridade por receita, uma série de ações destinadas apenas para a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus (cf Lc 4,43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo”.

Uma fé autêntica, não se esconde na religião, o cristão, incluindo os Pastores, se faz presente na vida de seu país, de seu estado, deu sua diocese de sua comunidade, preocupados com as instituições da sociedade civil, não podemos nos
omitir na luta pelo direito e pela justiça.

Papa Paulo VI: “Perante situações, assim tão diversificadas, torna-se-nos difícil tanto pronunciar uma palavra única como propor uma solução que tenha um valor universal. Mas isso não é ambição nossa, nem mesmo nossa missão. É às comunidades cristãs que cabe analisar, com objetividade a situação própria do seu país. EG 183/184.


O documento de Aparecida, nos ensina que nós, existimos pelo amor de Deus que nos criou, somos a sua imagem e semelhança e por isto, todos e todas terem vida com dignidade é para Deus sua maior alegria e a realização definitiva do seu Reino.


Ao enviar seu Filho para nos resgatar, Deus manifesta a sua face misericordiosa, nos revela o Deus vivo e nos compromete com sua Aliança a exigência fiel e evangélica na luta para que todo ser humano tenha sua dignidade resgatada e restabelecida em todas as dimensões.


Neste entendimento a EG 186, “Deriva da nossa fé em Cristo, que Se fez pobre e sempre Se aproximou dos pobres e marginalizados, a preocupação pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo, propusemos estudar a perícope (Lc 4,14-30), e o que esse enredo nos revelou foram os excluídos do sistema de domínio geográfico, religioso e consequentemente gerou exclusões que atualmente o Papa Francisco nos apresenta como periferias.

Fomos conduzidos numa pedagogia de acolhimento e de amor (Lc 6,36). O caminho a ser percorrido
não é fácil (Lc 6,49), mas não estamos sozinhos, o Espírito Santo nos guiará (At 2,3). E finalmente o rosto do Deus vivo será revelado no encontro com do outro. Se torna presente em nosso meio, o Deus que se deixa revelar, pela compaixão no amor infinito de Pai que por gratuidade o Reino a Nova Jerusalém está em nosso meio (Lc 23,43).

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REFERÊNCIAS
BROWN, Raymond E.; FITZMYER, Joseph A. ; MURPHY, Roland E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e Artigos Sistemáticos. Tradução Celso Eronides Fernandes. 1 ed. São
Paulo,SP: Paulus, v. 2, 2018. 1784 p. Tradução de: The New Jerome Biblical Commentary.


DIAZ, JOSE LUIS SICRE. INTRODUÇAO AO PROFETISMO BIBLICO. Tradução Editora Vozes. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, f. 268, 2016. 536 p. Tradução de: Introducción al profetismo bíblico. KONINGS, Johan. Sinopse dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da Fonte Q. Belo Horizonte, MG: Edições Loyola, v. 1, 2016. 360 p.


Horsley, Richard A.; Hanson, John S. Bandidos, Profetas e Messias: Movimentos populares no tempo de Jesus. Tradução Edwino Aloysius Royer. 1 ed. São Paulo,SP: Paulus, v. 3, f. 136, 1995. 271 p. Tradução de: Bandits, Prophets, and Messiahs.


MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. Tradução John L. Mackenzie. 3 ed. São Paulo, SP: Paulus, f. 478, 956 p. Tradução de: Dictionary of the Bible.


PAGOLA, José Antonio. O caminho aberto por Jesus. 3 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. 392 p.


SCARDELAI, Donizete; ROSSI, Luz Alesandre Solano. Jesus o messias dos pobres: Por uma teologia do messianismo libertador e integral. 1 ed. São Paulo, SP: Paulus, v. 1, 456 p. (Textos Bíblicos.

SCALABRINI, Patrizio Rota. Livros Proféticos. Tradução Editora Vozes. 1 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, v. 1, 384 p. Tradução de: Sedotti dalla Parola – Introuzione ai libri profetici.

PERONDI, Ildo ; CATENASSI, Fabrizio Zandonadi. Misericórdia, Campaixão e Amor: O rosto de Deus no Evangelho de Lucas. Cadernos Teologia Pública, São Leopoldo, RS, v. 13, n. 118, 2016. Ano
XIII.


__________ . Carta Encíclica Fratelli tutti, Todos irmãos (sobre a fraternidade e a união social). São Paulo,SP: Loyola, 2020.

__________. Carta Encíclica Centesimus Annus (No centenário da Rerum Novarum). São Paulo,SP: Loyola, 1991.

__________. DOCUMENTO DE APARECIDA. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino -americano e do Caribe, 13 -31 de maio de 2007, 2ª edição. CNBB. São Paulo,SP. Paulinas. Paulus. 2007.

__________ . Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (sobre o a núncio do Evangelho no mundo Atual). 2ª.ed. São Paulo,SP: Paulus, 2013 .

___________ . PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja. São Paulo , SP: Paulinas, 2011

BÍBLIA . B ÍBLIA de Jerusalem. 13 ed. São Paulo, SP: Paulus, v. 1, 2002. 2208 p

Bíblia de Tradução Ecumênica TEB – Nova Edição, 3 ed. São Paulo: Edições Loyola Jesuítas , 1994. 2496 p

BÍBLIA. Nova Bíblia Pastoral. 33 ed. São Paulo: Paulus, 2018. 1552 p.

VIDA Pastoral, São Paulo, S P , set/out 2013. 64 p . Ano 54 – número 292. Frei Reginaldo, Evangelizar nas periferias geográficas, sociais e existenciais. VaticanNews. 27 fev. 2018, 13:39. Disponível em Acessado em: 08/09/2021 .

*Edilson de Carvalho Licenciado em Sociologia, pós – graduado em Sagrada Escritura.

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