Judaísmo e Cristianismo – Parte 57: As divisões do texto da Bíblia Hebraica

Terminamos pela tradição escrita, com algumas indicações importantes concernentes às diferentes divisões da Bíblia[1]

A Torah é dividida em cinco partes, e é subdivida de duas maneiras:

  1. Em 669 alíneas ou parágrafos, podendo estes serem abertos ou fechados
  2. Em 54 seções chamadas cada uma de paracha “seção separada” (nas comunidades sefaradis) ou sidra “ordenamento, programação”, lida a cada Shabat (sábado) durante o ofício público. Cada paracha do Shabat é composto de no mínimo 7 parágrafos contendo cada um número mínimo de versículos (três ao menos) lidos pelo ministro que preside ao ofício.

De todas as divisões, somente a divisão em cinco volumes e os 669 parágrafos podem ser considerados como autênticos e remontam a Moisés mesmo. Somente eles são permanentes, invariáveis e universalmente adotados e interessam diretamente à exegese; os outros textos tem um interesse puramente litúrgico.

Quanto aos capítulos, seja a Torah seja o restante da Bíblia, mesmo sendo adotados da mesma forma pelo conjunto dos editores, hebraizantes  e rabinos até, não são de origem judaica, mas provavelmente feita a sua divisão por São Jerônimo. Em todo caso, esse recorte apareceu pela primeira vez no Século XIII, nas Concordâncias do cardeal Hugo de Saint Cher, a primeira obra do gênero que foi composta pela Bíblia.

Portanto, um ciclo de leituras da Torah é previsto pela literatura rabínica. Outras indicações falavam que na Babilônia havia um ciclo anual de leituras, enquanto que na Terra de Israel havia um ciclo de leituras a cada três anos, Em alguns momentos havia ciclos diferentes, não homogêneos, variando de um lugar para outro.

Em Israel essas porções de trechos da Torah eram chamadas de Seder, enquanto na Babilônia conhecidos como Parashá. Este conhecido ciclo da Babilônia dividiu a Torah (o Pentateuco) em 54 perícopes (pequenos trechos de unidades bíblicas)[2]. Dentro de cada Parasha ocorreu depois a indicação da Leitura dos Profetas, chamada Haftará, ou Conclusão. Essa Haftará era a leitura dos livros proféticos e recitados na Sinagoga após a leitura da Torah durante o ofício da Manhã, no Shabat, nos Dias Festivos e mesmo nos ofícios vespertinos em Dias de Jejum. Algumas passagens do Talmud dão a entender que essas leituras dos livros dos Profetas já eram lidas bem antes da destruição do Segundo Templo. Outros especialistas da História da Liturgia afirmam que o início da leitura da Haftará ocorreu por causa das perseguições anti-judaicas decretadas por Antíoco Epífanes em 165 a. J. C. que proibiu o estudo e a leitura pública da Torah. Os Sábios de Israel decidiram então “substituir” cada seção conhecida da Torah por uma passagem dos Profetas (Neviim) cujo tema estava relacionado ao do trecho da Torah agora proibido[3].


[1]As publicações desta série sobre o Judaísmo e Cristianismo são extraídas do site Judaísmo & Cristianismo, de  Pe. Fernando Gross, preservando suas referências bibliográficas a afins.
[2]Strack, H.L e Stemberger. Introduction au Talmud et au Midrash. Paris, 1986: Cerf. p. 282.
[3]Gross, Fernando. O Ciclo de leituras da Torah na Sinagoga. São Paulo: Distribuidora Loyola, 2014, p.35.

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