Conhecendo a Igreja: Vida Monástica Contemplativa

O Chamado Monástico

A vocação monástica é, antes de tudo, um chamado

Pois é o próprio Senhor que, procurando entre a multidão o seu operário, diz: “Qual é o homem que deseja a vida verdadeira e eterna? Vós, que tendes sede, vinde à água”.

A vocação monástica é uma resposta

Se ao ouvires esta palavra responderes: “Eu”, Deus te dirá: Se queres a verdadeira e eterna vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e segue-a. E meus olhos estarão sobre ti, e meus ouvidos junto às tuas preces. Serei teu guia continuamente, e tu serás como um jardim regado, uma fonte borbulhante cujas águas nunca faltam.

A vocação monástica é um caminho

Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, que esta voz do Senhor a convidar-nos? Eis que em seu amor infinito, o Senhor nos mostra o caminho da Vida.


Cingidos, pois, os rins com a fé e a observância das boas obras, guiados pelo Evangelho, trilhemos os caminhos daquele que nos chamou para o seu Reino. Caminhemos enquanto tivermos luz, para que as trevas da noite não nos surpreendam.

Liturgia

A vida monástica é uma vida mergulhada no mistério de Cristo, presente especialmente em sua Palavra e em seu sacrifício de louvor ao Pai, no qual se realiza a obra de santificação pelo Espírito Santo.

“Vindo ao mundo para comunicar aos homens a vida divina, o Verbo que procede do Pai como esplendor da sua glória, Sumo Sacerdote da Nova e Eterna Aliança, Cristo Jesus, ao assumir a natureza humana, introduz nesta terra de exílio o hino que eternamente se canta no Céu”. Desde então ressoa no coração de Cristo e da Igreja um único e perpétuo louvor divino, expresso de modo especial na celebração litúrgica em termos humanos de adoração, propiciação e intercessão.

O mosteiro é uma comunidade de discípulos reunidos pela palavra de Cristo. Seu propósito e seu fim se manifestam de modo especial na celebração litúrgica. Nela o sentido íntimo da vocação monástica e a comunhão entre os irmãos se fortalecem e crescem, como diz o Senhor: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt 18,20).

Lectio Divina

“Eu quero ouvir o que o Senhor irá falar”, “Fala Senhor que o teu Servo escuta”. Essa é a atitude básica para a Lectio Divina acontecer. O desejo de ouvir a Palavra do Senhor. Não é um ato isolado, uma prática ou um exercício que se pratica com a Bíblia, é antes de tudo, uma relação com alguém que fala e alguém que ouve.

Se é relação, é também uma conversa, onde se escuta a Deus. Porém não termina aí. Se Deus falou, Ele espera uma resposta. “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”, foi a resposta de Maria à Palavra do Senhor que lhe foi anunciada pelo Anjo. “Eis-me aqui, envia-me a mim”, resposta do Profeta Isaías a Deus.

A Lectio Divina é, portanto, um meio de se conhecer a vontade de Deus e um compromisso de se vivê-la. Ali se conhece a vontade de Deus, se pede a Ele a força para cumpri-la, se queixa quando a sua Palavra está demasiada pesada para se levar.

Esse compromisso de viver segundo a vontade do Senhor é o que dá sentido à Lectio Divina. Ela não termina quando se acaba o tempo da “conversa”. Ali é onde se conhece o que se deve fazer. Mas é também o fazer. A Lectio Divina que não tem um compromisso com a vida concreta é uma atividade morta. Assemelha-se àquela semente que caiu em terreno pedregoso da qual falou Jesus em sua parábola: morre sem criar raízes. Jesus e Maria são os maiores exemplos de quem levou a sério a Lectio Divina; de quem confiou na Palavra do Senhor e não vacilou nas adversidades. “Tudo está consumado”. Nessas últimas palavras de Jesus, a Lectio Divina atinge sua plena realização.

Trabalho

A vida monástica, desde os seus inícios, se estrutura ao redor do eixo oração e trabalho. A alternância balanceada entre estas duas atividades confere não somente um equilíbrio saudável na vida dos monges e monjas seguidores de S. Bento, mas – muito mais importantemente – manifesta a unidade profunda que existe na vida de oração de todo monge e monja. Pois oração e trabalho não devem ser realidades contrapostas; antes, devem ser duas maneiras distintas do ser humano realizar sua vocação ao louvor perene de Deus. S. Bento chama o Ofício Divino de opus Dei – o “trabalho” de Deus – enquanto que o trabalho sempre aparece na Regra intercalado por momentos de oração. Para a tradição monástica, a vocação do homem é ser uma oração viva. E ele realiza isto “orando sem cessar” (cf. 1 Ts 5,17) – seja na igreja, seja enquanto trabalha.

Comunidade

Nos primeiros tempos do monaquismo, havia monges que simplesmente adotavam uma vida errante no deserto, sem morada fixa. Outros viviam completamente sós, como eremitas. Com o passar do tempo, inspirando-se nos apóstolos e nos primeiros discípulos de Jerusalém, os monges deram início a uma forma de vida comunitária monástica. Desta maneira nasceu e se consolidou a vida cenobítica, na qual a comunidade residia num lugar ermo, ou pelo menos afastado da cidade, e na qual os irmãos viviam em um ambiente de silêncio e solidão. Esta combinação de vida eremítica e vida comum conciliou as vantagens da vida eremítica com as da vida social, permitindo ao monge desfrutar do silêncio e da liberdade contemplativa, e contava com o apoio e alento da caridade fraterna.

A comunidade não é compreendida como um local onde o monge busca unicamente a própria salvação, ou um tipo de contemplação individualista, mas é, acima de tudo, uma comunhão de irmãos reunidos por Cristo. Ela torna-se, assim, o lugar sagrado do encontro entre Deus e o homem. Nela, o monge abre-se a ação do Espírito, que o une intimamente a seus irmãos, e recebe a fortaleza necessária para continuar a luta solitária e interior à qual Cristo o chamou.

Os monges cistercienses dedicaram-se, desde as origens, a esta forma de vida contemplativa em comunidade, sem perder de vista a dimensão solitária, nem o fato de formarem um só corpo em Cristo ressuscitado.

A união fraterna na vida monástica não é um simples resultado da sociabilidade natural, mas é, sobretudo, um fruto do Espírito Santo, um carisma concedido por Cristo para a edificação de todo o seu Povo Santo.

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Colaborou: Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo

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