Judaísmo e Cristianismo – Parte 44: O Universalismo Hebraico

44 – O Universalismo Hebraico

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

A Bíblia explica que o homem foi criado por Deus. Esse ser humano “macho e fêmea” foi honrado com a outorga da tselem Elohim “a imagem divina”, que é constituída pelas capacidades espirituais que permitem o exercício da liberdade para controlar sua natureza animal. A humanidade inteira descende de um casal único. Adão e Eva, para que ninguém possa dizer: “meu pai é superior ao seu pai”. Todas as pessoas possuem, portanto, essa “imagem divina”, quaisquer que sejam as crenças que tenham e qualquer que seja a sua cultura. A queda do Paraíso ou o pecado da geração do Dilúvio, nada alterou dessa realidade (Cf. Livro do Gênesis – Gn 9,6). Se a ruptura aconteceu, essa se deu com a natureza, não com Deus.

Após o Dilúvio, a humanidade recebeu pelo seu intercessor Noé sete leis (leis noéticas que citaremos mais adiante) que constituem a religião “católica” (universal) de Israel, e que constituem a moral fundamental de toda sociedade.

A religião de Israel é uma religião universalista e não universal, isto quer dizer, que ela aceita a diferença religiosa, até mesmo sob o ponto de vista dogmático. Não se trata se uma tolerância passiva, nem de uma condescendência desrespeitadora, mas de uma crença fundamental de que cada povo possui seu próprio brilhantismo e que ele participa a sua maneira do projeto divino. Quando os profetas repreendiam severamente a idolatria, eles não consideravam a sua espiritualidade, mas, sobretudo a sua imoralidade. Se a moral for preservada, o valor imenso da pessoa humana estará garantido, pois nem a religião e nem a política podem conduzir ao fanatismo e produzir injustiça. Todas as pessoas são julgadas com bondade, como foram os habitantes de grande cidade de Nínive no Livro do Profeta Jonas, que se arrependeram e deixaram de fazer o mal, sem se converterem ao judaísmo.

Certamente, se uma pessoa não judia expressa o seu desejo de se reunir ao projeto sacerdotal de Israel (como foram Jetro ou Rute), ela será recebida com todas as honras, após ter ouvido os avisos habituais sobre suas futuras responsabilidades. O problema religioso que tem origem nesse universalismo hebraico é, sobretudo, um problema de educação. Trata-se de fato de desenvolver todos os recursos espirituais e morais presentes em cada criança, para que se torne um adulto responsável diante de Deus e de seu próximo. O problema da Bíblia não trata sobre o problema de Deus, nem o problema do homem que são ambos tão evidentes, mas trata da questão sobre o mundo vindouro, que está por vir, não mundo divino, mas autenticamente humano.

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[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross. In: www.judaismoecristianismo.org

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