Igreja e História, Anacronismo e Contratestemunho

Por Hermes A. Fernandes



O anacronismo é um problema de aplicação histórica. São considerados anacrônicos os pensamentos e atitudes que tentam trazer para a atualidade aquilo que só se aplica em tempo pretérito. Infrutífero e utópico. Fora da realidade. Querer aplicar à atualidade aquilo que ficou no contexto do passado é o mesmo que desejar viajar de São Paulo a Brasília à cavalo, em tempos de rodovias e viagens aéreas. A humanidade evolui. Tecnologicamente, historicamente, humanamente. Se tudo evolui, a Igreja deve, tem que acompanhar.

Não são poucos os católicos e católicas que, com espírito de rebeldia, tentam aplicar conceitos cristãos e eclesiais próprios de tempos pretéritos. Criticam tudo que se aplica à uma Igreja sensível à contemporaneidade. Inculturação, teologia que se aplica às muitas demandas sociais, históricas, ambientais, pastoral condizente com nosso contexto. Querem uma Igreja sustentada pelo pensamento dos tempos de São Pio X (1835-1914). Claro que, naquele momento, esta Igreja teve sua necessidade de ser. Se naqueles tempos foi entendido um necessário fechamento, hoje o abrir-se é imperativo. O atual Papa, sob o onomástico do Poverello de Assis, tem em seu discernimento o chamado à uma Igreja pobre com os pobres. Aberta às dores e necessidades do humano. Construtora de Paz e dignidade. Plenificação da humanidade, imagem e semelhança do Pai. Nada mais justo. Mais coerente. Repleto do Espírito Santo.

Na era do Espírito Santo, é preciso deixar portas e janelas abertas para o flanar de suas asas. É brisa leve a dar hálito novo. Vida nova.

Os católicos e católicas que sempre estão a esbravejar contra os novos tempos da Igreja têm três alternativas:

Produzir uma máquina do Tempo. Voltar séculos atrás e vivenciar uma Igreja condizente com aquela época. Esta Igreja que tanto defendem, mas não existe mais.

Adequar-se aos novos tempos. Revestir-se da necessária humildade e reconhecer que somos ovelhas de um só rebanho e, como tais, devemos confiar nosso viver Eclesial aos pastores estabelecidos pelos ministérios instituídos pelo próprio agir do Espírito de Deus.

Reconhecer-se fora da Igreja. Deixar que ela caminhe como se sente inspirada, mas afastar-se dela. Não se pode ter uma Igreja que se quer. Há a Igreja de Jesus. Ou se sente feliz dentro dela, ou se reconhece fora dela. Melhor um êxodo eclesial sincero, do que uma pertença rebelde, sem sincera comunhão, tornando-se pedra de tropeço aos que, de Boa Vontade, querem seguir Jesus em comunhão.

Precisamos de novos tempos, sem velhos vícios.

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