Judaísmo e Cristianismo – Parte 41: O Caso Dreyfus e o Sionismo

41 – O Caso Dreyfus e o Sionismo

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

A Emancipação, porém, não tinha marcado o fim do ódio racial. Pelo contrário, no final do século XIX e o início do século XX, houve um forte aumento da radicalização do discurso antissemita moderno. Discursos fundamentados não mais sobre a religião (mesmo citando antigos clichês cristãos), mas em cima de uma falsa ciência que negava a legalidade das raças, e sobre os perigos que representavam os judeus para a economia mundial. O caso Dreyfus, que aconteceu na França entre 1894 e 1906 marcou o início da expansão dessas idéias. Mas esse fato teve consequências maiores para todo o povo judeu.

De fato, no momento quando Alfred Dreyfus, capitão do exército francês, totalmente assimilado à cultura do seu país e patriota fiel, foi humilhado publicamente diante de uma multidão enlouquecida que gritava: “Morte aos judeus!”, um jornalista austríaco de passagem ficou chocado desse espetáculo deprimente. Theodor Herzl [2] (1860-1904) era um judeu também assimilado, que concluiu que a única solução possível para o problema dos judeus frente ao antissemitismo era o retorno à independência nacional. Se a França, o país dos Direitos Humanos, produziu tamanha desforra de raiva e de hostilidade, era preciso mesmo encontrar uma terra para reunir os exilados dos quatro cantos da terra. No momento em que os Estados aspiravam encontrar a sua independência nacional. Herzl transformou o Sionismo religioso e a esperança messiânica num movimento político[3].

Em 1917 graças à ação de Theodor Herzl, Lord Balfour, o Ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, autorizou a criação de um abrigo nacional judaico na Palestina. O projeto encontrou três oposições: a dos ortodoxos que consideraram ser uma ação contra a majestade divina – pois somente o Messias poderia salvar o seu povo –, a dos judeus liberais e dos consistórios que nisso viram uma traição contra a Europa emancipadora dos israelitas, e a outra oposição que veio do mundo árabe hostil. Apesar das oposições, a máquina sionista foi acionada. Em 1918 83000 judeus viviam na Palestina no meio de 664 000 árabes.


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[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross. In: www.judaismoecristianismo.org
[2] Binyamin Zeev Theodor Herzl foi um advogado, autor de novelas, dramaturgo, jornalista, fundador da Organização Sionista Mundial. Cf. Wigoder, Geoffrey. Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme.  Paris: Cerf, 2008, p. 464-467.
[3] Cf. Haddad, Philippe. Pour expliquer le judaïsme a mes amis. Paris: Editions in Press, 2013. p. 85.

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