Judaísmo e Cristianismo – Parte 40: A Emancipação

40 – A Emancipação

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

Em 1870 a maioria dos países da Europa Ocidental e Central tinham emancipado os seus cidadãos israelitas, mesmo se por vezes esse estatuto tenha sido mais teórico do que efetivo, Na América Latina cristã, a comunidade judaica se beneficiou desses privilégios na metade do século XIX, na Austrália desde o início do século XX. No Oriente Médio e na África do Norte, entre o final do século XIX e a metade do século XX, sob a influência da colonização, os judeus viram melhorar sua situação com a legislação sobre a sua igualdade de direitos.

Essa entrada progressiva dos Israelitas na sociedade abriu novos horizontes, impensáveis até então. Graças à Revolução Industrial eles tiveram acesso ao mundo das finanças, às profissões liberais; somente as carreiras militares e administrativas lhes foram sempre proibidas. E assim encorajados por essa abertura, eles participaram ativamente do desenvolvimento econômico da Europa. No século XIX, eles eram em torno de 7,5 milhões, dos quais 480 000 na Alemanha.

A consequência dessa emancipação constituiu uma grande  desordem social, histórica e psicológica para a comunidade judaica, a kahal, no sentido religioso do termo, pois não representava obstáculo algum para seus seguidores. A religião tinha se tornado assunto privado. A prática religiosa relaxou, a assimilação aumentou, alguns se converteram ao cristianismo, que era segundo a expressão do poeta Henrique Heine: “o bilhete de entrada na sociedade”.

Alguns judeus se tornaram mais patriotas do que os próprios franceses, tentando assim suprimir a imagem negativa do judeu veiculada pelo antissemitismo nos séculos precedentes. Alguns tentaram adaptar sua religião à moda do dia. Isso deu origem a uma reforma religiosa no século XIX que se traduziu pelo abandono do hebraico e da recitação das preces na língua local, pela supressão de textos que falassem do retorno à Sião – a Terra Prometida agora era a Europa – pela construção de sinagogas majestosas tendo como modelo as igrejas e pela introdução do órgão e dos coros litúrgicos.

Os mais ortodoxos viram com maus olhos esse relaxamento espiritual. Essa reação sempre foi uma constante no mundo ortodoxo, que se repete sempre no seu modo próprio de se vestir e sobre si mesmo, que não quer se assimilar.

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[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross. In: www.judaismoecristianismo.org

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