Judaísmo e Cristianismo – Parte 33: O Retorno ao Fanatismo

33 – O Retorno do Fanatismo

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

Foi durante esses anos de escuridão, que o maior pensador do Judaísmo, Maimônides, Moshe Ben Maimon chamado Rambam (1135-1204) realizou um trabalho escrito inesquecível. Ele compôs entre outras obras uma importante síntese do Talmud, o Mischné Torah, “Repetição da Torah” e o Guia dos Perplexos, que se aproximando do aristotelismo tentou purificar a religião de todo traço de idolatria e de superstição. Ganhou espaço na Espanha e na França, mas novamente por causa do fanatismo foi denunciada a sua obra aos Dominicanos e sua obra jogada nas chamas em 1233 em Montpellier. Essa reação contra Maimônides foi um dos motores da expansão da Cabala, literatura mística que, por reação ao racionalismo, optou por outra interpretação da história judaica no plano esotérico.

Reconquista foi o nome dado ao movimento cristão que decidiu colocar a Península Ibérica sob a autoridade da Igreja. Essa lenta progressão durou de 1085 a 1248, com a tomada de Sevilha, dando novamente aos judeus seus antigos privilégios, concedido pelos reis católicos, que tinham interesses econômicos em proteger essa população. Era a chamada “aliança real” que caracterizou a época pré-moderna: a comunidade judaica pagava seus impostos diretamente ao rei e este lhe garantia proteção e liberdade de culto. Novamente ondas de intolerância cresciam, quando Dominicanos e Franciscanos fanáticos expressaram seu desejo de converter os judeus. Sob a falsa acusação de assassinato ritual (acusava-se os judeus de fabricar o pão ázimo com o sangue de uma criança cristã) e por causa de disputas teológicas, tudo isso aumentou ainda mais o ciúme da burguesia espanhola invejosa da opulência dos judeus. Essa degradação das relações acabou por terminar na criação do pogrom de Sevilha em 1391. Logo o país se tornou num lugar de massacres e de conversões forçadas (em torno de 100.000 entre 1391 e 1412).

Essas conversões ocorreram da parte de judeus mais pela vontade de sobreviver do que por uma adesão sincera, Esses novos convertidos continuavam a praticar secretamente a religião de seus pais. E a Igreja discutindo essa questão desses fiéis “infiéis”, logo os renomeou de “marranos“, os “porcos”. Isabel, a católica, aconselhada por homens de fé sem escrúpulos, decidiu pela expulsão dos judeus em 1492. Entre 100.000 e 150.000 judeus tiveram que deixar esse antigo paraíso terrestre para ir a outros países acolhedores: Portugal, Itália, Holanda, o Império Otomano e a África do Norte. Novamente sem pátria, os judeus sefaradis para lá foram levando seus livros de orações e de estudo, suas receitas de cozinha e suas canções de Andaluzia.[2]

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[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross. In: www.judaismoecristianismo.org

[2] Cf. Haddad, Philippe. Idem. p. 72.

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