Judaísmo e Cristianismo – Parte 32: O Judaísmo na Espanha (Sefaradi)

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

A  idade de ouro – Com a conquista muçulmana da Península Ibérica em 711, começou uma era de prosperidade para as comunidades judias. Como os cristãos, os judeus se beneficiaram do estatuto do Al Corão chamado os “dhimmi” (protegidos), porque estavam ligados ao Livro. Essa época abençoada foi chamada em seguida: “a idade de ouro espanhola”. A metade oriental do Império Bizantino, juntamente com a Pérsia, o Norte da África, e a parte Sul da Península Ibérica estiveram nas mãos dos califados muçulmanos.[2]

Na Espanha (Sefarade em hebraico) os judeus se desenvolveram em todos os campos. Presentes também se fizeram na corte, como o influente Hasdai Ibn Shaprut (em torno de 915-970), mas igualmente também na Economia, na Administração, no Comércio, nas Artes e nas Ciências. Quando a unidade muçulmana de Al Andalus se divide numa serei de pequenos reunos, os judeus souberam se utilizar no melhor dos seus interesses nessa nova situação. “Poetas, doutores e eruditos combinaram o conhecimento secular com o religioso, de uma maneira que nunca foi alcançada até então”.[3]

Entre os homens desse encontro Judaico-Muçulmano, citamos os grandes poetas: Samuel Ibn Nagreia (993-1056); Moïse Ibn Ezra (1055-1135); o talmudista  Isaac Elfassi (1013-1103), chefe da Academia de Lucena, os poetas filósofos Juda Halevi (1075-1141), entre outros e o exegeta Abraão Ibn Ezra (1089-1164) que foi louvado na obra de Spinoza.

Como aconteceu em Alexandria, como aconteceu na Babilônia, como mais tarde ocorreu na Europa Ocidental, ou nos Estados Unidos, os judeus se recusavam em perecer. Essa foi e permanece uma constante do caráter judaico na diáspora. Essa teimosia em persistir foi um dos carros chefes da batalha do antissemitismo, de ontem e de sempre, um ciúme face ao estrangeiro que chega. Mas os judeus não tiveram escolha, eram a minoria que tinha que lutar, e transmitir às novas gerações os meios materiais e intelectuais para continuar na sua identidade. O instinto de sobrevivência devia sobressair ao instinto de morte. Esperar era um dever, viver um mandamento.

Vários fatores contribuíram para o florescimento dessa idade de ouro espanhola e do gênio judaico: tolerância frente à crença dos outros, educação secular e religiosa, respeito dos particularismos e abertura ao universal. Infelizmente a invasão dos Almoadas, muçulmanos fanáticos vindos do Marrocos em 1146, pôs um fim nessa vida florescente. Os judeus tiveram que deixar o sul para ir até ao norte cristão ou tiveram que ir para outros países ou tiveram que se converter.

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[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross. In: www.judaismoecristianismo.org
[2] Bacon, Josephine. Atlas ilustrado da Civilização Judaica. Portugal: Dinalivro, 2003, p. 60.
[3] Bacon, Josephine. Op. cit, p. 60.

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