Judaísmo e Cristianismo – Parte 30: A queda final

30 – A queda final

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

Houve uma ruptura muito grande na reconstrução religiosa em Yavné após a chegada do novo imperador Adriano (117-138). Quis ele impor o culto romano no conjunto das suas províncias. Construiu um templo em honra de Júpiter, no mesmo lugar onde algumas décadas antes tinha se erguido o Templo de Israel.

A revolta veio logo e, em 132, sob a liderança de Simão Bar Kokhba ou Bar Koziba “filho da estrela”, a guerra começou novamente contra o ocupante romano. E quando os Fariseus, que se mostravam tão conciliadores, aceitaram jugo do invasor, essa revolta também gera uma divisão em seu próprio interior. Rabi Akiba apoiou abertamente Simão, no qual via o Messias, o libertador da Palestina, o destruidor da ímpia Roma. Durante três anos, as tropas de Bar Kohba empurraram para longe o exército de Adriano, mas com a chegada de reforços vindos da Grã-Bretanha, a derrota veio ao encontro. Em 135. Betar (sudoeste de Jerusalém), a última cidade judia, caiu.

Adriano, compreendendo que os judeus colocavam a sua força na Torah, atacou com violência contra os mestres. Ele fechou Yavné, proibiu o estudo e a prática dos mandamentos. Aqueles que desobedeciam eram torturados e executados, o que aconteceu com Rabi Akiba que morreu esfolado vivo. Os rabinos sobreviventes reunidos em Lida decretaram que nesse contexto era lícito transgredir a Torah antes do que morrer, com exceção nos casos de assassinato, de idolatria e de incesto. Essa disposição permaneceu válida ao longo dos séculos.

A cidade de Jerusalém foi renomeada Aelia Capitolina e foi interditada aos judeus, menos no dia 09 do mês de Av, aniversário da destruição dos dois Templos, quando lhes era permitida a entrada para chorar perto do Muro (que iria se tornar aquele “das lamentações”). Foi nessa mesma época que os Romanos rebatizaram a Judéia com o nome de Palestina.

Essa nova derrota no plano político e militar gerou por um tempo tristeza e desencorajamento. Mas o trabalho profundo que tinha sido feito antes no coração dos espíritos, pelos doutores da Lei, não demorou a oferecer os seus frutos e os judeus retornam com ainda mais fervor ao estudo, após as proibições serem retiradas. Sem Estado, sem terra, sem independência, mergulhados numa miséria material enorme, os judeus tiveram que se mudar para outros países mais acolhedores. A Babilônia não tinha sido a terra da ressurreição após a catástrofe de 586 a.E.C.?

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[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross. In: www.judaismoecristianismo.org

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