“Rabbuni, que eu veja!” – Reflexão do 30º Domingo do Tempo Comum

Por Seny Felix*

O cenário social que temos de Jericó pode ser visto em Marcos 10,42. Coloco o texto aqui para que possamos enxergar o contexto social da época: “Chamando-os, Jesus lhes disse: ‘Sabeis que aquele que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam”” (Mc 10,42). Jericó é um lugar de passagem para aqueles que vinham das baixadas da Galileia, à caminho de Jerusalém e viviam um contexto de dominação e tirania.

Temos como personagens desta passagem: Jesus, seus discípulos, uma grande multidão e um mendigo cego, chamado Bartimeu. A narrativa é rápida: Na primeira frase diz que estava chegando a Jericó e, em seguida, passa rapidamente  à narrativa  que estavam saindo de Jericó (Mc 10,46). Era realmente um local de passagem e passagem rápida.

Em meio a essa tão apressada passagem temos Bartimeu, filho de um tal Timeu. É cego e por isso mesmo posto â margem da sociedade, mendigando.

Ouvindo que era Jesus Nazareno que passava pelo caminho, fez mais do que estender a mão de sua mendicância, se põe a gritar (Mc 10,47). Gritos de súplicas e pedido de compaixão. Foi repreendido pela multidão para que se calasse. E diante das repreensões, gritava ainda mais forte (Mc 10,48): “Filho de Davi, Jesus, tem compaixão de mim!” (Mc 10,47) e “Filho de Davi, tem compaixão de mim!” (Mc 10,48).

Jesus não fica indiferente aos gritos. Para e diz: Chamai-o (Mc 10,49). Alguém que o chama recomenda: Coragem! E diz para ir ao encontro de Jesus. Bartimeu se agita com o chamado, dá um salto, seu manto vai para longe e encaminha-se para perto de Jesus.

Jesus recebe Bartimeu com uma pergunta: “Que queres que eu te faça?” (Mc 10,51). Será que Jesus não teria percebido que ele era cego? Se percebeu por que não foi ao encontro dele ao invés de chamá-lo? Não temos estas respostas, mas sabemos que Jesus deu atenção aos seus gritos à beira da estrada. Diante da pergunta de Jesus, Bartimeu responde-lhe: “Rabbuni, que eu possa ver novamente” (Mc 10,51).

Antes de seguir com a narrativa, na frase de Bartimeu recebemos um outro dado dele: nem sempre foi cego, pois disse que eu possa ver novamente. Por motivos desconhecidos, ele deixou de ver. Quantas vezes nós estamos cegos, incapazes de perceber a presença de Jesus em meio à multidão, ao tumulto e as angústias de nossa vida? Conseguimos perceber Jesus que passa? Bartimeu estava cego, mas atento ao que acontecia ao seu redor. E nós?

Voltemos à narrativa: que ouvirá o cego-mendigo-marginalizado socialmente? Poucas palavras saem da boca de Jesus. Poucas, porém suficientes: “Vai”, diz-lhe Jesus, “a tua fé te salvou” (Mc 10,52). E, de imediato, “voltou a ver e seguia Jesus no caminho”.

Se antes, Bartimeu estava “sentado à beira do caminho” (Mc 10,46); agora segue “no caminho” (Mc 10,52). Jesus ao curá-lo não só lhe devolve a visão, mas o reintegra socialmente. E Bartimeu passa a andar, seguindo a Jesus  “no caminho”. Assim, também nós precisamos estar atentos a Jesus que passa em nossa vida,  e – ignorando a multidão que protesta para que nos calemos – devemos ser ousados a clamar o socorro ao nosso querido “Rabbuni”.

Referência Bíblica utilizada:  

Bíblia de Jerusalém, Nova Edição, revista e ampliada, Editora Paulus, 1ª Edição – 2002.

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*Seny Felix – Catequista, Especialista em Ensino Religioso, Licenciada em Sociologia.

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