Judaísmo e Cristianismo – Parte 10: A Realeza

O JUDAÍSMO – HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO

10 – A Realeza

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross


Após um curto reinado do primeiro rei, Saul, Davi foi ungido (Messias) por Samuel para exercer esse papel de unificador. A cerimônia da unção (cerimônia messiânica) era destinada ao rei e ao grande sacerdote, assim como também para os utensílios do Santuário, significavam, sobretudo aos olhos da comunidade, que essas pessoas e esses objetos tinham sido separados e tinham uma especial importância na sua função. Ele foi, portanto, o segundo e maior rei de Israel, fundador de uma dinastia que durou quatro séculos. Foi também chamado de “o doce cantor de Israel”. Tem ele dentro da tradição judaica a consideração da “paternidade” dos Salmos na Bíblia.

A REALEZA 2

“Davi (1012 -972) foi um chefe militar muito temido. Em poucos anos ele conseguiu reunir as tribos e dilatou o Reino de Israel da Fenícia para os limites da Arábia ao Oeste e de Oronte ao Norte ao Golfo de Akaba no Sul”.[2] Capturando as últimas fortalezas dos cananeus, ele conquistou por fim Jerusalém e a tornou capital do Reino e nela fez introduzir a Arca da Aliança (2 Livro de Samuel, capítulo 5 – 2Sm 5).

Ele afasta definitivamente do Reino todo traço de idolatria e estabelece fortemente o serviço ao Deus único. Para mostrar sua devoção, ele organiza o culto religioso com a Tribo de Levi. Sendo ele mesmo músico, ele compôs cantos muito belos, os Salmos, que expressavam a glória do Eterno Senhor, a proteção divina nas dificuldades ou seus impulsos de arrependimento. Mesmo que sob o plano humano ele tenha cometidos faltas condenáveis, como o ter enviado o soldado Urias na frente da batalha para poder se casar com Betsabeia (o abuso de poder não poupa ninguém), o reino davídico marcou a ascensão de Israel no plano econômico e social.

Com seu filho e sucessor do trono, Salomão, o povo conheceu um verdadeiro período de paz (1 Livro de Reis, capítulos 1 a 9 – 1Rs 1-9). A sabedoria desse rei foi tão grande que vinham muitos do Oriente e da África para o consultar. Salomão era um investigador das ciências, das culturas e da arte. Ele compôs numerosas obras literárias, religiosas, poéticas e filosóficas, como o Cântico dos Cânticos, o Eclesiastes, que foram depois introduzidos na Bíblia Hebraica, não sem a crítica de alguns por causa do seu caráter erótico ou pessimista.

Continuando a política de centralização de seu pai, Salomão decidiu erguer um santuário majestoso em Jerusalém, ele convoca Hiram, rei de Tiro (1Rs 5). Essa magnífica construção traduzia, porém a ambiguidade do reino de Salomão partilhando entre a glória de Deus e a glória daquele soberano. Essa opulência se tornou a falência do sistema. Aceitando casamento com as princesas estrangeiras para assim manter as boas relações internacionais, as idéias de adorar outros deuses reapareceram em Canaã enfraquecendo novamente os grandes princípios do monoteísmo. O Deus de Israel não era mais o Criador dos céus e da terra, Pai de toda a humanidade, mas somente um deus nacional que compartilhava sua glória com outras divindades. O projeto original de fazer de Israel “um reino de sacerdotes e uma nação santa” tinha falhado.

Será que a proposta de Deus seria tão exigente? Como poderia ser preservado o monoteísmo? Como ensinar às outras nações a justiça e a caridade? Como acabar com a idolatria e suas perversidades, quando a política e a economia direcionavam as pessoas para o comércio e as reuniões, e quando o poder tinha se transformado numa fonte de corrupção? O equilíbrio entre o particular e o universal era tão sutil para não cair num extremo, que seria uma assimilação de tudo, igualando, misturando todos os cultos dos ídolos (sincretismo).

Esses problemas aumentaram ainda mais por causa dos conflitos de poder no momento da morte do rei. Todas essas tensões geraram finalmente uma perda da identidade religiosa e nacional. Depois da morte de Salomão, uma divisão, um cisma marcou o surgimento de dois reinos (confira o 1Rs 12-13). O Reino do Sul ou também chamado Reino de Judá, reunindo as tribos de Judá (a mais importante). Benjamim e aquela de Levi permaneceram fiéis ao Eterno Senhor e ao Templo de Jerusalém. E o Reino do Norte ou também chamado Reino de Israel ou de Efraim, em torno do seu novo rei Jeroboão, que escolheu a idolatria para aproximar as boas graças dos grandes poderosos da região.

[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross,

In: ww.judaismoecristianismo.org

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