Judaísmo e Cristianismo – Parte 6: A Revelação do Sinai

O JUDAÍSMO – HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO

6 – A Revelação do Sinai

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

A saída do Egito foi, na verdade, a primeira etapa da emancipação. A libertação física pedia outra libertação, a do espírito. A quem teria servido o final da escravidão, se o povo não tivesse aprendido a lição que todos os seres humanos criados à imagem de Deus devem ter entre si um respeito mútuo? Era portanto, necessário receber uma lei, não produzida pela consciência humana, mas revelada por Deus mesmo a fim de acabar com todo aspecto relativo. Esta primeira Legislação (os 10 Mandamentos), não foi oferecida a uma única pessoa, mas a todo povo, formado de homens, mulheres, crianças, hebreus e não hebreus, todos libertados, os que escutaram a voz de Deus que neles habita (segundo uma bela expressão do Midrash[1]) como a voz de seu próprio pai. Israel se tornou então testemunha e porta-voz de Deus. “E vocês serão para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,6), afirma o Eterno Deus na sua introdução. A mensagem de Moisés e a dos Patriarcas (AbraãoIsaac e Jacó) era sobre esse encontro último com Deus, autentificado pela Sua ação libertadora.


O Decálogo (os 10 Mandamentos, as 10 Palavras) constitui-se o fundamento sobre o qual toda a Legislação de Israel é elaborada[2]. No início apresenta o Deus Único, libertador e quem garante a liberdade dos homens. Os 10 Mandamentos lembram que Deus é o Criador dos céus e da terra, e sobre o fundamento do respeito ao sétimo dia, o Shabat – Sábado, sobre o respeito devido aos pais como referência da memória, a lembrança do respeito da vida (não matarás!), respeito à dignidade de cada ser humano, homem ou mulher (não cometerás adultério) e sobre à vigilância contra a luxúria, fonte de conflitos entre os indivíduos.


As Tábuas da Lei não constituem todo o resumo da mensagem divina, e será preciso aguardar o levantamento do Santuário no Deserto para escutar o imperativo do amor ao próximo: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” e sobre o amor ao estrangeiro (Livro do Levítico – capítulo 19 – Lv 19). Mas essas Tábuas da Lei são o fundamento de uma sociedade onde o direito da vida de cada ser humano foi proclamado pelo Deus Libertador. Essa revelação foi a origem da Festa de Pentecostes (50 dias após a Páscoa – Shavuot).

[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross, in: www.judaismoecristianismo.org

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