Judaísmo e Cristianismo – Parte 5: Moisés

HISTÓRIA DOS HEBREUS: INÍCIO E DESENVOLVIMENTO

5 – Moisés

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

Moisés foi considerado na tradição judaica como O Profeta e O Legislador, “ele é o personagem central do nascimento e da formulação da religião judaica”.


“Num primeiro momento, a relação entre a família dos Hebreus e o poder faraônico (sem dúvida os Hyksos em torno de 1730) não provocou problema algum”.[2] Mas depois da morte de José e de toda a sua geração, e sobretudo após a chegada de um novo soberano ao Egito, a situação piora bastante. O novo rei suspeitando da situação dos hebreus no antigo regime, acabou por tornar dura a vida da população hebraica que tinha se desenvolvido enormemente, transformando-os em trabalhadores forçados para a construção de cidades, de trabalhos nos campos. Assim sendo o novo rei esqueceu todos os benefícios que José (Livro do Êxodo, capítulo 1 – Ex 1) realizou no Egito. A fase crítica desse processo aconteceu quando o faraó constatando um crescimento contínuo da população decidiu sacrificar ao deus Nilo, todos os recém-nascidos do sexo masculino.

Moises e a Sarca


Uma mulher da tribo de Levi acabou por proteger seu menino, escondendo-o durante várias semanas, mas diante da vigilância dos supervisores, ela confia seu filho à graça do céu. Escondido numa cesta de vime, colocada sobre o rio, o bebê foi providencialmente recolhido pela própria filha do faraó, que decidiu adotar esse recém-nascido como seu próprio filho. Ela lhe dá o nome egípcio de Moshe (Moisés) que significa “salvado” (da água) (Ex 2,10).


Educado como um príncipe, frequentando os ginásios, as escolas e os templos, Moisés permaneceu no entanto, sensível aos sofrimentos dos seus verdadeiros irmãos. Após ter executado um soldado bastante cruel, mas constatando também que os hebreus brigavam entre si, o jovem príncipe decide fugir para a terra de Madiã, à leste do Egito. Lá ele se torna pastor e genro do grande sacerdote da região, Jetro (Ex 3).


Enamorado pela justiça e pela verdade, Moisés encontrou no Monte Sinai (ou monte dos Arbustos) com o Ser Todo Poderoso, o Deus dos Patriarcas. Através de uma chama, que se mexia no meio de um arbusto, sem se consumir, a voz divina se fez ouvir a Moisés, ordenando-lhe para que fosse ao encontro de seu irmão Aarão para juntos irem até o faraó e conseguir dele a libertação de Israel.


O Eterno não podendo agir diretamente sobre a liberdade dos homens, enviou nove pragas ou sinais, que sendo interpretados sobre o plano racional acabavam por ser bem reveladores de uma vontade divina e transcendente que agiu dentro da natureza. Diante das negações sucessivas, das recusas constantes do soberano, uma morte sobrenatural caiu unicamente sobre todos os primogênitos dos egípcios, quebrando desta forma a resistência do rei que deixou partir os escravos após essa décima aflição. O povo de Israel nasceu (Ex 12). Essa libertação foi a origem da Festa de Páscoa (Pessah). “A narrativa da passagem do Mar Vermelho está entre os textos-chaves do Primeiro Testamento e de toda a Bíblia. É fruto da meditação que, de geração em geração, os fiéis de Israel faziam a propósito do que consideravam o momento essencial do nascimento de seu povo e da revelação de seu Deus” (Ex 14). 

[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross, in: www.judaismoecristianismo.org.

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