Judaísmo e Cristianismo – Parte 3: Jacó

A HISTÓRIA DOS HEBREUS: OS PATRIARCAS ABRAÃO, ISAAC E JACÓ

3 – Jacó

Por Philippe Haddad [1]
Tradução de Pe. Fernando Gross

Jacó teve que fugir para evitar a cólera de Esaú. Adormecendo no mesmo caminho onde alguns anos passados, Abraão tinha amarrado Isaac, Jacó teve o sonho de uma escada estendida entre os céus e a terra, sonho que traduzia seu desejo profundo de nunca separar a vida material da vida espiritual. Deus no topo lhe promete sua proteção e repete aquilo que já tinha anunciado aos dois primeiros patriarcas, a saber, o nascimento de uma grande nação e o dom da terra de Canaã como lugar da realização das promessas (Gn 38).

Na verdade algumas pessoas se espantam ainda sobre a necessidade de uma terra, de um local, ou de um Estado para a realização de um destino espiritual. Seria necessário mesmo um espaço geográfico definido para servir a Deus? O amor de Deus não poderia se expressar em qualquer parte do globo terrestre? Na verdade, o projeto de Deus, também por mais impressionante que pareça ser, não consiste numa elaboração de uma sabedoria religiosa. Todas as nações produziram algum tipo de sabedoria através da sua própria cultura e dos seus próprios sábios. E isso mesmo já é uma evidência para o monoteísmo, pois o homem traz em si mesmo “a imagem divina”, isto é as qualidades intrínsecas para alcançar as altas esferas da espiritualidade e da ética. A questão, sempre atual, é saber como as nações poderiam introduzir a moral em todos os setores da vida social e política. Como rejeitar os meios violentos sobre os princípios do direito? Israel, nessa lógica, deve possuir uma terra para nela ser confrontada diante dos problemas políticos como toda sociedade e para oferecer respostas em função do monoteísmo ético. Entre o abandono do mundo a si mesmo e a vontade de revelar Deus aqui em baixo, o Hebreu deve sempre optar pela segunda solução, mesmo se ela parecer irrealizável ou arriscada. A utopia reside aí. Voltaremos a essa questão mais à frente.


Tendo chegado em Harã, na sua própria família, Jacó se apaixona por Raquel, sua prima. Labão, seu futuro sogro, homem sem escrúpulo e enganador explorou enormemente esse jovem íntegro e trabalhador por causa da paixão que tinha pela sua filha. Após sete anos de difíceis e leais serviços, Labão lhe dá em casamento primeiro a Lia sua filha mais velha, cujo rosto tinha sido encoberto por um véu. Jacó só percebeu isso no dia seguinte. E ele trabalhou mais outros sete anos por Raquel, sua bem-amada de sempre (Gn 29). De suas esposas e de suas servas que ele desposa também para ter uma bela descendência, Jacó teve doze filhos que serão a origem das doze tribos de Israel. Retornando a Canaã após vinte anos de separação, ele encontra próximo do rio Jaboc, um desconhecido que lhe quer matar (a menos que o acontecimento pudesse ter sido um sonho?) Jacó resiste até de manhã e apesar de uma lesão no quadril, afasta o agressor que se revela um enviado de Deus. Jacó recebe então o nome de Israel “Príncipe de Deus” (Gn 32,29). 

[1] As publicações desta série sobre o Judaísmo são extraídas da obra do Rabino francês Philippe Haddad, no livro: Como explicar o judaísmo aos meus amigos. A tradução é de Pe. Fernando Gross, in: www.judaismoecristianismo.org.

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