Afinal, os progressistas tinham razão

Por Hermes de Abreu Fernandes

Nos últimos anos, temos vivido momentos difíceis. Conflitos, sobretudo nas redes sociais, se tornaram corriqueiros. Caíram na normalidade. Sem forçar muito a memória, podemos lembrar uma enxurrada de mensagens, vídeos, campanhas de grupos ultraconservadores que buscavam, e ainda buscam, desmerecer e deslegitimar a caminhada da Igreja junto aos pequeninos, aos pobres. Sob a animação do próprio Papa, a Igreja renovou – mais ainda depois do início de seu pontificado – sua opção pelos pobres, marginalizados e assumiu com maior esmero o desejo de uma Igreja – verdadeiramente – missionária. Para além de papas, pois esses são temporais e mortais, a opção pelos pobres e os compromissos com a missão e o anúncio da Boa Nova a todos e todas, é magisterial. Documentos da Igreja não nos faltam para legitimar e formar rumo à uma Igreja em saída. Além dos documentos, advindos do Magistério, temos a própria Palavra de Deus a nos impelir rumo à solidariedade, misericórdia, compaixão. Deus e a Igreja nos impelem a sermos solidários, comprometidos com a Ética, promotores da Dignidade Humana. O Papa nos anima, mas é Deus e a Igreja que nos ordena.

Não obstante vasta literatura que a fundamente, a opção preferencial pelos pobres na Igreja – e aqueles que se deixam impulsionar por ela – têm sido atacados por grupos que se dizem católicos, personagens – sobretudo – midiáticos. O grupo Centro Dom Bosco, do Rio de Janeiro, produz – quase semanalmente – conteúdos criticando a CNBB, padres, freiras, frades, leigos e leigas que se deixam sensibilizar com a realidade sofrida pelo Povo de Deus. Alegando defender a Fé Cristã, atacam-na em paradoxo. Primeiramente, quando atacam a CNBB, opõem-se aos bispos do Brasil. Bispos são ministros ordenados, eleitos pelo Papa. Nada mais inter-relacionado em nível de magistério. Outra questão: a CNBB não é um sindicato de bispos. É uma Conferência. Abriga em si, em comunhão, todos os bispos do Brasil, eleitos e nomeados pelo Papa. Assim, o cristão e cristã católicos que desmerecem e deslegitimam a CNBB, em verdade, rompem com a própria Igreja, em sua totalidade. Ubi Episcopus, ibi Ecclesia, ou seja: onde está o bispo, ali está a Igreja. Nessa premissa da Patrística, se resume a necessidade e a obrigatoriedade de comunhão com a CNBB. Sim, não tem como ser cristão e cristã católicos no Brasil, sem estar em comunhão com a CNBB. A propósito, há quem insinue que a autoridade hierárquica no Brasil é a Nunciatura Apostólica. Isto é uma falácia, um semear divisão. Não nos deixemos enganar e ser induzidos ao erro. O Núncio Apostólico é o representante do Papa em um país. Quando um padre é eleito e nomeado bispo para uma Igreja Particular do Brasil (diocese, arquidiocese, ou prelazia), é – automaticamente – incorporado à CNBB. Como representante do Papa, o Núncio busca manter relações fraternas com o episcopado local, assim como, contribuir para que novos bispos sejam eleitos e nomeados para o bem da Igreja. Ele próprio, o Núncio, está em plena comunhão com a CNBB. Quando alguém deslegitima a CNBB, colocando a Nunciatura acima enquanto posição pedagógica, em verdade, desrespeita a própria pessoa do Núncio e do Papa, a quem representa. Neste sentido, deslegitimar, maldizer, atacar à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, significa romper com esta inter-relação pedagógica e, consequentemente, pôr-se fora da comunhão da Igreja. Afinal, a máxima acima não nos deixa enganar: Onde está o bispo, ali está a Igreja. Quando esses grupos ultraconservadores rompem com a CNBB, colocam-se -automaticamente – em estado de excomunhão voluntária. O mesmo argumento que usam contra os progressistas, seus inimigos ideológicos, se lhes aplica.

Não podemos deixar de ter certa argúcia neste momento. Se mexermos bem nesse rebuliço de discursos e acusações, vamos encontrar coisas que podemos não gostar. O que quero dizer com isso? Vejamos o caso do último Intereclesial das CEBs, acontecido em Londrina, PR. Liderados por um dito jornalista católico de nome Bernardo Küster, inúmeros foram os vídeos e protestos sobre o encontro das CEBs lá acontecido. Ele chega a referir-se ao Arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, pelo jargão policial, insinuando ausência de idoneidade na pessoa do sacerdote. Convenhamos: chamou o prelado da Igreja de bandido, quando disse ter levantado a “capivara” dele. Outrossim, não muito tempo depois, o próprio blogueiro povoa os noticiários como investigado em inquéritos policiais. Ora, quem tem a dita “capivara”, como disse, referindo-se a Dom Geremias, é o próprio Küster. Foi condenado pela Justiça, por duas vezes, em processos por calúnia. Ainda é investigado por envolvimento na organização criminosa chamada Gabinete do Ódio. E muitos católicos se deixam influenciar por estes blogueiros. Cuidado! A serpente também se mostrou convincente e sedutora no paraíso.

Contraditoriamente ao que dizem estes ultraconservadores, são os progressistas que mais promovem o sentimento de fidelidade e comunhão com o Papa. Caminham em seu agir pastoral pelas diretrizes da CNBB, estão em constante escuta à Palavra de Deus e ao Magistério da Igreja. Comportamento bem diferente de entidades e pessoas de ultradireita que se dizem guardiões da Sã Doutrina da Igreja. Dizem defender essa Igreja, mas se opõem aos seus bispos. Consequentemente, estão em estado voluntário de excomunhão. Cometem os erros que acusam a outros, aos progressistas.

Ao final de contas, os progressistas é que estão do lado certo. O lado de Deus e dos Pobres.

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